Homem Que Copiava, O

01/03/2004 | Categoria: Críticas

Filhote dos irmãos Coen, filme urbano de Jorge Furtado tem na espontaneidade o maior trunfo

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★½☆

O cineasta Jorge Furtado é fiel integrante da equipe criativa de Guel Arraes. Tem sido, também, um dos cineastas novos mais elogiados dos últimos anos. Furtado faz um cinema jovem, urbano e barato, três características que podem lhe trazer grandes sucessos de público nos próximos projetos. Em “O Homem que Copiava” (Brasil, 2003), ele realiza um longa-metragem muito bom, que cumpre todas as promessas trazidas pela estréia, em “Houve Uma Vez Dois Verões”.

André (Lázaro Ramos, excelente ator da nova geração, que se afasta por completo do afetado homossexual de “Madame Satã” e oferece uma boa interpretação) opera uma máquina de xerox numa pequena papelaria de Porto Alegre (RS). Ele vive contando os trocados e tem como maior diversão observar os vizinhos com um binóculo que comprou depois de economizar por muitos meses.

A vida de André é dureza, mas muito previsível. A correria do trabalho só é aliviada pela visão da colega de trabalho, Marinês (Luana Piovanni), uma garota linda que recebe assédio incessante do comerciante Cardoso (Pedro Cardoso). São os amigos de André. Até que Sílvia (Leandra Leal), a vizinha da frente, aparece na vida do rapaz. Louco de paixão, André organiza uma tática para se aproximar da menina. Para isso, ele precisa de R$ 38,00, uma grana que não tem. A idéia de André para arrumar o dinheiro é tão original quanto disparatada: xerocar uma nota de R$ 50,00 e passar adiante.

Esse é só o começo. Sem querer, André vai se meter em uma confusão atrás da outra, o que inclui assalto a banco, prisões, chantagem e brigas familiares. A rigor, André parece uma versão mais jovem do barbeiro Ed Crane, protagonista do fabuloso “O Homem que Não Estava Lá”. É isso: Jorge Furtado fez um filhote dos irmãos Coen, com tamanha competência que Joel e Ethan se orgulhariam em assinar. Há referências também a “Janela Indiscreta” e outros filmes de Hitchcock, o que só valoriza o trabalho de Furtado.

A narração em off e a sensação de irrealidade da trama à medida que ela se aprofunda também são emprestadas da obra dos Coen. Já os diálogos, especialidade de Furtado, soam leves e fluidos, como se tivessem sido escritos meia hora antes da filmagem. Os atores valorizam demais esse texto, emprestando espontaneidade às conversas. Com tudo isso, “O Homem que Copiava” (perceba que até o título lembra o filme dos Coen) aparece como um sopro de renovação no cinema urbano nacional.

– O Homem que Copiava (Brasil, 2003)
Direção: Jorge Furtado
Elenco: Lázaro Ramos, Leandra Leal, Pedro Cardoso, Luana Piovanni
Duração: 123 minutos

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