Homem Sem Sombra, O

01/10/2003 | Categoria: Críticas

Mito do homem invisível é revisitado com efeitos especiais incríveis e roteiro apenas regular

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

O diretor holandês Paul Verhoeven realizou “O Homem sem Sombra” (Hollow Man, EUA, 2000), inicialmente, pensando no romance “O Homem Invisível”, do escritor fantástico H.G. Wells. Só que não se trata de uma adaptação literal. Verhoeven usou apenas a idéia da fórmula da invisibilidade para criar um roteiro totalmente novo. Fez um filme estilizado e cheio de requintes visuais, e utilizou uma inédita técnica de trucagem digital para criar um ser invisível que beira a perfeição, ainda que o filme em si não seja um grande momento do diretor.

Depois de uma carreira marcada por filmes que exploravam uma sexualidade forte, nos anos 1970, Verhoeven chegou a Hollywood, fez a sensacional aventura de ficção “RoboCop” e depois estourou com “Instinto Selvagem”, o famoso filme que elevou Sharon Stone (e a falta de calcinha) à condição de estrela. Depois, dividiu-se entre filmes de ficção científica e novas explosões de testosterona, nos quais usou a máquina de Hollywood para expressar sua visão pessimista do homem – em filmes bem fracos, por sinal. Dessa vez, por meio da história do cientista que serve de cobaia na própria experiência e fica invisível, Verhoeven discute a tentação do fascismo, já que o anonimato permite ao personagem de Kevin Bacon liberar um lado animalesco de sua personalidade.

No filme, o cientista Sebastian Caine (Bacon) lidera uma equipe secreta do Pentágono que descobre uma fórmula que torna animais invisíveis. Depois de quebrar uma barreira que parecia intransponível e conseguir fazer um gorila retornar do estágio da invisibilidade, Caine decide enganar os militares e testar o soro em si mesmo, em busca de glória e fama. A experiência dá certo no começo, mas termina em desastre quando o resto da equipe (que tem os bons Elizabeth Shue e Josh Brolin) não consegue fazê-lo voltar a ser visível. Lentamente, Caine começa a enlouquecer e a perseguir os antigos companheiros.

Como filme, O Homem sem Sombra não emplaca um golaço na carreira meio combalida de Verhoeven, mas o livra do ridículo com sobras – uma fronteira que o diretor já ultrapassou com a bomba “Showgirls”. É uma diversão bem feita e com conteúdo interessante. Mas o que faz o DVD valer a pena mesmo são os muitos extras, que começam com um menu animado de primeira qualidade. Depois, há um making of curto (20 minutos) e produzido pelo canal de assinatura HBO, que dá um panorama do que virá a seguir.

O filé é uma seqüência enorme de quinze mini-documentários, com análises minuciosas e explicações detalhadas de como cada uma das cenas aparentemente impossíveis foram feitas. O espectador fica sabendo, por exemplo, que o ator Kevin Bacon precisou passar por sessões de digitalização, fazendo movimentos, para que um molde humano tridimensional e móvel fosse criado no computador; depois, nas filmagens, foi pintado de preto, verde ou azul para ser removido digitalmente das cenas, no estágio de pós-produção.

As imagens são excelentes e os making of conseguem superar o excelente material que vinha junto de “A Múmia”, um filme que usa efeitos de anatomia bem semelhantes. Além disso, a trilha sonora pode ser ouvida isolada, com comentários do compositor Jerry Goldsmith. O melhor de tudo é que a Columbia caprichou bastante e legendou em português todos os extras.

– O Homem Sem Sombra (Hollow Man, EUA, 2000)
Direção:Paul Verhoeven
Elenco: Kevin Bacon, Elizabeth Shue, Josh Brolin, Kim Dick
Duração: 113 minutos

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