Hora do Rush 2, A

24/09/2003 | Categoria: Críticas

Quer sentar na poltrona e relaxar com filme descerebrado? Pois acaba de encontrar uma opção de primeira

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★½☆☆

Jackie Chan é um sujeito inteligente. Depois de uma tentativa fracassada de fazer sucesso em Hollywood, na década de 1980, ele voltou para a China com o rabo entre as pernas e tratou de consolidar seu mercado de filmes de kung fu por lá mesmo. Na segunda tentativa, porém, o expediente deu certo: usando os conhecimentos da escola de circo que freqüentou, ele incluiu malabarismos e humor nos filmes e estourou de vez. “A Hora do Rush 2 é um excelente exemplo disso.

Para começo de conversa, é possível até falar que o filme é uma espécie de “Amnésia” engraçado. Mas isso não tem nada a ver com a trama complicada; é que a melhor parte das comédias com o baixinho chinês é sempre o final, bem na chatíssima hora dos créditos, quando aparecem os erros de gravação ocorridos durante as filmagens. Essa estratégia para fazer o espectador ficar um pouco mais na cadeira do cinema já virou tradição nas obras americanas dele, desde o primogênito “Arrebentando em Nova Iorque”. Esse trecho faz tanto sucesso nos filmes de Chan que o diretor Brett Ratner aproveita a última cena errada para mostrar que haverá, sim, a terceira parte das aventuras da dupla de detetives que protagoniza o trabalho.

É bom deixar claro de uma vez que o fato é que os erros de gravação de “Hora do Rush 2” estão entre os mais engraçados já mostrados num filme. Além de proporcionar gargalhadas generosas, inclui pelo menos uma piada de derrubar do sofá de tanto rir, numa cena que envolve o telefone celular do ator Chris Tucker. O resto do filme mantém o clima de videocassetada. “A Hora do Rush 2” é diversão descerebrada, um filme indicado para quem acaba de chegar do trabalho estressante e deseja tirar os sapatos, deitar na poltrona e relaxar.

Quem assistiu ao primeiro filme da série já tem uma boa idéia de como funciona essa seqüência. O enredo se apóia (de novo!) no conflito de uma dupla inusitada de detetives que não se entende, um chinês faixa-preta tranqüilão e sisudo (Chan) e um negro atrapalhado e exibido (Tucker). Esqueça a originalidade. A idéia de ter como protagonistas dois tiras cultural e racialmente opostos foi tirada de filmes como 48 Horas e Máquina Mortífera, ambos séries de grande sucesso. A dupla investiga, num trajeto que começa em Hong Kong e termina em Las Vegas (via Los Angeles), a explosão de uma bomba na embaixada americana na China.

No trabalho, o diretor Brett Ratner inverte os papéis do primeiro filme, colocando Tucker como o estrangeiro que tenta se adaptar a uma cultura estranha. O americano ganha mais destaque sob os holofotes e fica incumbido da parte mais generosa das piadas, algo que faz muito bem (a cena em que imita Michael Jackson com seu sotaque irritante, num karaokê de mafiosos, é impagável). Há poucas seqüências de lutas, mas em compensação as coreografias capricham ainda mais na verve malabarística de Chan, um verdadeiro malabarista – ele mesmo, aliás, é responsável pelas coreografias, como acontece em todos os filmes que estrela.

Assim a estratégia de não mexer no time vencedor dá certo. “A Hora do Rush 2” funciona melhor na medida em que brinca com clichês dos filmes policiais e assume de vez o tom de comédia pastelão, que não se leva a sério em nenhum momento. Outro ponto positivo vai para a edição em DVD da PLayArte, que manteve tudo exatamente igual ao lançamento norte-americano: som DTS (a melhor tecnologia disponível), imagem widescreen (sem cortes), uma penca de documentários curtos que somam uma hora de bastidores, um curta raro (2m30) do começo da carreira do diretor, uma cena em quatro ângulos e, claro, mais erros de gravação (5m10). Esse material todo vem com legendas em português, que acompanham também o comentário em áudio de Ratner. Um exemplo a ser seguido.

– A Hora do Rush 2 (Rush Hour 2, EUA, 2001)
Direção: Brett Ratner
Elenco: Jackie Chan, Chris Tucker, Zhing Ziyi
Duração: 105 minutos

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