Identidade Bourne, A

03/02/2008 | Categoria: Críticas

Filão dos filmes de espionagem ganha representante moderno, discreto e eficiente

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★½☆

O aparecimento do agente secreto Jason Bourne nas telas do cinema era apenas uma questão de tempo. Observadores atentos já notavam que os espiões românticos no estilo James Bond, que dominavam o filão dos filmes de espionagem desde os anos 1960, estavam ficando ultrapassados para a chamada geração Y. Daí o surgimento de filmes mais acelerados e pop, como “Missão Impossível” ou “Triplo X”. “A Identidade Bourne” (The Bourne Identity, EUA, 2002), porém, fez a transição com muito mais qualidade cinematográfica. É moderno, realista, brutal e melhor cinema.

A trama do filme é um perfeito novelo de lã que Jason Bourne (Matt Damon) desenrola junto com a platéia. O filme abre nas águas escuras do mar Mediterrâneo. Um barco de pescadores recolhe um homem desmaiado e quase morto. Ele tem dois balaços nas costas e um misterioso chip implantado na altura do quadril. Quando acorda, o estranho não lembra de nada. Não sabe o nome, nem o que fazia antes do acidente. Simplesmente está desmemoriado. A única pista que tem sobre a própria identidade é o tal chip, que contém o número de uma conta num banco suíço.

O homem é Jason Bourne. No banco, em Zurique, o rapaz descobre finalmente o próprio nome, mas também tem surpresas desagradáveis: encontra uma pilha de passaportes, uma grande soma em dinheiro e um punhado de assassinos profissionais que aparentemente estão no seu encalço. Ele foge, com a ajuda providencial de uma garota alemã que passava pelo local, Marie Helena Kreutz (Franka Potente), para Paris, onde acredita que poderá descobrir mais sobre a trama em que se encontra envolvido.

Se não é nenhuma obra-prima de originalidade no cinema, “A Identidade Bourne” trafega com eficiência pelo batido filão do filme de espionagem. O filme é corretamente ambientado na Europa, e as ruas da França e da Suíça oferecem o cenário perfeito para perseguições emocionantes que jamais exageram na dose. Jason Bourne é o tipo de personagem com quem a platéia pode se identificar. Um cara comum, capaz de usar o raciocínio lógico e uma boa dose de improviso para se livrar dos problemas; alguém que está longe dos poderes quase sobre-humanos, ou do charme sobrenatural, de um James Bond.

O cineasta Doug Liman assina uma ótimo de exemplo de filme acessível que não despreza a inteligência do espectador. Talvez seu maior trunfo seja a decisão de manter a platéia sempre na mesma situação de Jason Bourne: no escuro, sem saber antecipadamente (ou seja, antes dos protagonistas) quais os próximos lances da trama. Isso permite uma identificação maior entre platéia e personagens. Para que a química seja perfeita, vale ressaltar a boa performance de Matt Damon e Franka Potente, que mostram química impecável. A alemã se destaca pelo naturalismo com que interpreta uma garota aturdida, pega no olho do furacão, enquanto ele parece um gato arisco, sempre pronto para a porrada. No fim das contas, ele é o Jason Bourne perfeito e a alma do filme.

Em DVD, “A Identidade Bourne” aparece com som original em Dolby Digital 5.1 (o som é especialmente importante nesse tipo de filme) e imagens com o corte horizontal correto (widescreen anamórfica). Você pode optar por ver uma versão estendida, com alguns minutos a mais, e essas cenas estão no formato wide letterboxed (inferior). Há sete pequenos featurettes, enfocando aspectos diferentes do filme, um clipe de Moby, comentário em áudio do diretor e galeria cenas cortadas.

– A Identidade Bourne (The Bourne Identity, EUA, 2002)
Direção: Doug Liman
Elenco: Matt Damon, Franka Potente, Chris Cooper, Clive Owen
Duração: 119 minutos

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