Indiana Jones e a Última Cruzada

20/05/2008 | Categoria: Críticas

Roteiro brilhante e temática mais ambiciosa tornam a terceira aventura ainda mais clássica do que as outras

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★½

“Indiana Jones e a Última Cruzada” (Indiana Jones and the Last Crusade, EUA, 1989) foi pensado para dar um encerramento de gala a uma trilogia que já se tornara histórica. Por isso, Steven Spielberg (o diretor) e George Lucas (produtor e autor da idéia original da série) levaram quatro anos planejando a história com cuidado. Conscientes da responsabilidade de produzir um filme que fosse tão bom e inteligente quanto os dois outros produtos, eles não economizaram esforços para evitar o que consideravam um erro do antecessor – a trama pouco inspirada.

Dessa forma, o enredo recebeu mais atenção, e o artefato arqueológico que move a história adiante volta a ser uma relíquia cristã de apelo universal – no caso, o Santo Graal, cálice que Jesus Cristo supostamente teria usado na última ceia – ao invés de pedras mágicas da Índia. A dupla também preferiu dosar a velocidade da aventura, imprimindo um ritmo menos frenético do que o sucesso anterior. Talvez por isso, “Indiana Jones e a Última Cruzada” consegue encerrar a trilogia com chave de ouro, apresentando uma aventura com A maiúsculo, que inclui um roteiro inteligente, grandes cenas de ação e personagens carismáticos. Spielberg afirma sem rodeiros que este é o longa de Indy que prefere. Grande parte dos fãs concorda com ele. Eu me incluo nessa turma.

O maior trunfo da equipe de produção parece ter sido a possibilidade de incluir dois temas que impulsionam esse filme a um patamar mais elevado, do ponto de vista artístico. Primeiro, o roteiro é muito engenhoso ao abordar a questão da passagem do tempo (ou seja, a inevitabilidade da morte, um dos grandes temas da literatura universal) e integrar esse debate de forma perfeita à aventura. Depois, Spielberg ainda deu um jeito de incluir a temática da relação conturbada entre pais e filhos, algo que marcou e marca a obra dele inteira. Essas duas vantagens só foram possíveis com a introdução de um novo personagem na saga: o pai de Indy, Henry Jones (Sean Conney), arqueólogo como o filho.

O escocês Connery foi incorporado ao filme porque Spielberg queria homenagear James Bond (o diretor de “E.T.” diz, no documentário, que um sonho antigo seria dirigir um filme da série inglesa). Sean dá charme e leveza ao personagem, um pai literalmente mergulhado nos livros, cuja ausência deixou marcas profundas no nosso herói. Parte dessas marcas são apresentadas numa seqüência maravilhosa que abre o filme, com Indy adolescente (River Phoenix) sendo perseguido por bandidos que desejam recuperar uma cruz de ouro espanhola do século XVI. Nessa cena, ficamos sabendo a natureza da relação entre os Jones, além de descobrir como Indiana (Harrison Ford) ganhou as três marcas registradas da série: o chicote, o chapéu e a cicatriz no queixo.

Quanto à trama em si, ela enfoca a busca do arqueólogo pelo pai. Este desaparece, em 1938, enquanto realiza pesquisas em Veneza, na Itália. Lá, quer descobrir a exata localização da fortaleza que guardaria o cálice usado na última ceia. Indy faz mais do que isso, e coloca o pai (e os nazistas, que voltam como vilões para dar mais credibilidade ao filme) na trilha certa. As cenas em que os dos Jones dividem a tela estão entre as mais deliciosas de toda a trilogia. O ritmo do longa é um pouco mais lento, mas isso é compensado pela riqueza do roteiro, certamente o melhor da série.

No DVD de 2003, o filme mais longo da trilogia está com imagem (widescreen 2.35:1 anamórfica) e som (Dolby Digital 5.1) restaurados. As imagens acompanham o excelente trabalho realizado na trilogia, e o som está um degrau acima dos outros dois filmes, uma vez que foi realizado em estéreo, enquanto esse efeito multicanal é conseguido, nos longas anteriores, a partir uma distribuição digital do conteúdo do canal mono. Mesmo assim, o volume dos diálogos parece um pouco mais baixo do que o normal. Fique com o controle remoto na mão e curta um dos filmes mais bacanas de Steven Spielberg. A edição de 2008 é idêntica, acrescida de introdução com o diretor e George Lucas (7 minutos) e um par de featurettes sobre aspectos dos bastidores.

– Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, EUA, 1989)
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Harrison Ford, Sean Connery, John Rhys-Davies
Duração: 126 minutos

| Mais


Assine os feeds dos comentários deste texto


Um comentário
Comente! »