Indiana Jones e o Templo da Perdição

20/05/2008 | Categoria: Críticas

Considerado o episódio mais fraco da série, o filme é uma verdadeira montanha russa de aventuras

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★☆

Os fãs da trilogia costumam considerar “Indiana Jones e o Templo da Perdição” (Indiana Jones and the Temple of Doom, EUA, 1984) como o mais fraco dos três filmes. Muita gente o considera violento demais, sombrio demais. O próprio George Lucas diz isso nos documentários do pacote, revelando que passava por um divórcio complicado na época da produção e que, por causa do mau humor, até incentivou os exageros do roteiro. Bobagem. Nada como alguns anos de distância para avaliar melhor uma obra injustiçada. “Indiana Jones e o Templo da Perdição” parece enquadrar-se nessa categoria.

Para começar, é bom lembrar que o filme é diretamente responsável por duas modificações importantes na indústria dos filmes de Hollywood. A primeira foi a criação de uma categoria específica de censura (lá, chamada de PG-13, que no Brasil corresponderia a 14 anos), que impede as crianças pequenas de verem as obras, mas libera a entrada dos mais velhos. Se não fosse isso, “Indiana Jones e o Templo da Perdição” seria proibido para menores de 16 anos, o que poderia acarretar um prejuízo grande à Paramount. A segunda mudança foi o surgimento do conceito de “montanha russa”, quando aplicado a filmes muito movimentados; assista aos últimos 30 minutos desse filme e você entenderá perfeitamente o motivo dessa denominação.

O clímax de “Indiana Jones e o Templo da Perdição” é, a rigor, a melhor coisa do filme. Talvez seja um dos clímax mais longos e intensos de toda a história do cinema. Na verdade, o trabalho é uma sucessão de cenas de ação eletrizantes, de alta voltagem, que deixam o espectador grudado na cadeira (e o impedem até mesmo de pensar no exagero de certas seqüências, como aquela em que Indy e dois amigos saltam de um avião, munidos apenas de um bote inflável, despencam numa montanha, caem de um precipício e ainda enfrentam uma corredeira antes de parar, sem um arranhão!). Não há espaço para respirar aqui. Nem é necessário, já que o espírito dos filmes de Indy é exatamente esse – diversão descerebrada e inteligente.

O ponto fraco do longa é a trama, pouco inspirada. Como se sabe, todos os filmes da série possuem o enredo girando em torno de um McGuffin. O conceito de McGuffin foi criado por Alfred Hitchcock. Ele diz respeito a um artefato que possui importância para o desenvolvimento da ação interna do filme, mas não interessa muito ao espectador (um bom exemplo é a maleta de “Pulp Fiction”, que gera toda a ação e cujo conteúdo nós nunca descobrimos). Em “Caçadores da Arca Perdida”, o McGuffin é a Arca da Aliança; em “A Última Cruzada”, é o Cálice Sagrado. Nesse caso, o McGuffin é uma pedra adorada pelo povo de uma aldeia indiana. Como se vê, faltou inspiração aos roteiristas, nesse caso. Jones, depois de cair de pára-quedas (ops… de bote) na tal aldeia, é convencido a tentar recuperar a gema, roubada por um marajá juvenil que serve ao mal.

O fiapo de enredo é apenas desculpa para uma quantidade absurdamente grande de seqüências de ação, todas excepcionalmente bem realizadas. O par romântico de Jones nesse filme é a cantora de boate Willie Scott (Kate Capshaw), e o longa ainda inclui um personagem-criança meio irritante, Short Round (Jonathan Ke Quan), que acompanha o arqueólogo na aventura. No DVD de 2003, o filme está com imagem (widescreen 2.35:1 anamórfica) e som (Dolby Digital 5.1) restaurados. A edição de 2008 é idêntica, acrescida de introdução com o diretor e George Lucas (7 minutos) e um par de featurettes sobre aspectos dos bastidores.

– Indiana Jones e o Templo da Perdição (Indiana Jones and the Temple of Doom, EUA, 1984)
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Harrison Ford, Kate Capshaw, Roshan Seth
Duração: 118 minutos

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