Jogo de Amor em Las Vegas

21/01/2009 | Categoria: Críticas

Boa química entre os atores salva uma comédia previsível e repleta de clichês

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★½☆☆

A maior parte do público que lota cinemas e freqüenta locadoras no Brasil é formada por dois segmentos bem distintos: adolescentes na faixa dos 16 anos e casais jovens com menos de 30 anos. Este perfil é mais ou menos semelhante ao encontrado nos Estados Unidos, maior mercado cinematográfico internacional. Por isso, os grandes estúdios sempre direcionam seus esforços para produzir obras que atendam às exigências desses dois segmentos – respectivamente os filmes de ação/aventura bem barulhentos e as comédias românticas. “Jogo de Amor em Las Vegas” (What Happens in Vegas, EUA, 2008) pertence ao segundo filão. É o tipo de produção que segue uma fórmula consagrada, do primeiro ao último minuto, o que a torna dispensável para qualquer um que encare filmes como uma forma de arte, e não apenas como uma desculpa para trocar uns beijos com a namorada no sábado à noite.

Como gênero, e do ponto de vista comercial, a comédia romântica parece ser mais promissora do que o filme de ação/aventura. No último caso, o orçamento de qualquer produção financeiramente ambiciosa precisa ser bem alto, já que efeitos especiais custam muito dinheiro, especialmente na era do digital. Enquanto isso, para fazer uma comédia romântica, basta pagar os salários de um casal de atores conhecidos do grande público. Aqui e acolá, filmes românticos engraçadinhos chamam a atenção dos mais exigentes, quando são bem escritas, têm bons personagens ou conseguem analisar aspectos da vida amorosa ou sexual nas grandes metrópoles contemporâneas. Assistir a uma comédia romântica razoável pode significar, às vezes, atualizar-se sobre como se comportam homens e mulheres da sua época.

Esta última observação é uma das raras virtudes de “Jogo de Amor em Las Vegas”, filme que não faz a mínima questão de mascarar a artificialidade do roteiro, todo montado em cima de uma situação cuidadosamente concebida para garantir duas horas de clichês e piadinhas no estilo “guerra dos sexos”. Os dois personagens principais são uma moça (Cameron Diaz, com a pele cada vez mais tostada em sessões de bronzeamento artificial) e um rapaz (Ashton Kutcher, sempre simpático) que enfrentam maus bocados nas respectivas vidas profissionais.

Ela precisa conquistar a confiança do chefe mau-humorado para garantir o emprego; ele acaba de ser demitido pelo próprio pai. Para exorcizar o estresse, ambos vão passar um final de semana em Las Vegas. Enchem a cara, paqueram e se casam durante uma bebedeira. No dia seguinte, a ressaca e o arrependimento vêm junto com uma bolada de US$ 3 milhões, faturada numa máquina caça-níqueis. Por decisão judicial, eles só terão direito à grana se viverem juntos, como um casal, por pelo menos seis meses. Eis o primeiro ato. E se você é espectador freqüente de comédias românticas, não precisa pensar muito para saber onde isso vai dar.

Todos os clichês e recursos narrativos batidos (cada um deles tem um melhor amigo, com quem divide confidências) recheiam o roteiro, que ainda providencia, no decorrer da trama, acertos de contas individuais de cada personagem com suas expectativas profissionais. Poderia ser um filme chato e redundante, sem nenhum atrativo, se não fosse a boa química entre os dois atores principais. Tanto é verdade que “Jogo de Amor em Las Vegas” fica bem simpático, sempre que Kutcher e Diaz estão juntos em cena. Se bobear, você vai acabar torcendo pelo casal durante o epílogo bonitinho/melancólico, que copia sem qualquer pudor a atmosfera do terceiro ato do muito superior “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” (2005). Prefira vê-lo com um(a) namorado(a) ou pretendente.

O DVD de locação da Fox Filmes não contém extras. O filme aparece com enquadramento original (widescreen anamórfico) preservado, e a trilha de áudio eficiente tem seis canais (Dolby Digital 5.1). Já o disco colocado para a venda tem alguns minutos de cenas cortadas, comentário em áudio do diretor, erros de gravação, cenas cortadas e três featurettes, inclusive entrevista com os dois atores principais.

– Jogo de Amor em Las Vegas (What Happens in Vegas, EUA, 2008)
Direção: Tom Vaughan
Elenco: Cameron Diaz, Ashton Kutcher, Rob Corddry, Lake Bell
Duração: 99 minutos

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