Jurassic Park

26/06/2008 | Categoria: Críticas

Spielberg assina aventura infanto-juvenil perfeita, com efeitos especiais espetaculares e senso de encantamento imbatível

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★★

Houve uma época em que Steven Spielberg ganhou a alcunha de “Rei Midas de Hollywood”. Num período de mais ou menos duas décadas – entre “Tubarão” (1975) e “A Lista de Schindler” (1993) – absolutamente tudo em que o cineasta tocava virava ouro. Um atrás do outro, recordes de bilheteria eram batidos pelas produções que ele concebia. Até mesmo quando apenas emprestava o nome para outros diretores, assinando apenas como produtor, Spielberg acertava a mão, como na trilogia “De Volta Para o Futuro”. Um dos grandes trunfos do período foi “Jurassic Park – Parque dos Dinossauros” (EUA, 1993). O filme é uma aventura infanto-juvenil perfeita, irretocável, com efeitos especiais espetaculares e senso de encantamento imbatível.

Aliás, “Jurassic Park” surgiu no ano mais incrível da carreira de Spielberg. Equilibrando-se quase simultaneamente entre duas produções que não poderiam ser mais distintas em tom, temática e ambição – o vibrante e colorido “Jurassic Park” num extremo, o sombrio e monocromático “A Lista de Schindler” no outro – o diretor alcançou sucesso absoluto nas duas. Ele dominou a cerimônia seguinte do Oscar, faturando prêmios de melhor filme e diretor (pela obra adulta). “Jurassic Park” também foi dominante em seu território: ganhou os três troféus que disputou (som, edição de som e efeitos especiais). Tal qual um T-Rex em desabalada carreira, teve uma trajetória avassaladora, culminando com o recorde de maior bilheteria de todos os tempos, com US$ 916 milhões arrecadados (o recorde, que pertencia a “E.T.”, também de Spielberg, depois mudaria de mãos).

Tantas láureas não chegaram por acaso. “Jurassic Park” é mesmo um filme de aventura impecável, repleto de seqüências eletrizantes, com toques de humor negro sutil e um trabalho de recriação de animais pré-históricos absolutamente embasbacante, de cair o queixo. Desde os primórdios, o cinema sempre mostrou grande interesse em ressuscitar os dinossauros (o primeiro filme com dinos data de 1925), mas o filme de Spielberg foi o primeiro a mostrá-los de forma realista, em toda a plenitude, como se existissem de verdade. O trabalho combinado de bonecos eletrônicos com CGI levou os efeitos especiais em cinema para um novo patamar. O filme teve o mérito, ainda, de antecipar em alguns anos um debate ético que monopolizaria as atenções da mídia global uma década depois: a clonagem.

Nada disso importaria, claro, se Spielberg tivesse feito um filme ruim. “Jurassic Park”, ao contrário, é perfeito da primeira à última cena. O diretor lança mão do enorme domínio da linguagem do cinema, por exemplo, para construir uma escada de suspense e tensão, pondo a platéia para esperar ansiosamente pela aparição majestosa dos bichos – e faz isso não apenas uma vez, mas duas. Quando o paleontólogo Alan Grant (Sam Neill) e a paleobotânica Ellie Sattler (Laura Dern) arregalam os olhos ao verem dinossauros pela primeira vez, aos 20 minutos de projeção, a platéia faz o mesmo. Compartilhamos do excitamento e da empolgação da dupla de protagonistas, convidada para conhecer a ilha onde um milionário (Richard Attenborough) montou um parque de criaturas extintas, clonando-as a partir de DNA preservado. Mais tarde, a primeira aparição do temível T-Rex resulta em mais urros e queixos caídos, e em uma clássica seqüência de ação que é o equivalente cinematográfico de uma sinfonia de Mozart: uma montanha-russa de emoções que une suspense, horror e humor em alguns minutos do mais vertiginoso cinema de aventura.

O domínio da narrativa de Spielberg está espalhado por todo o longa-metragem. O curto prólogo, que mostra um ataque do T-Rex sem focalizar o bicho, é um primor de suspense, e faz a platéia grudar os olhos na tela instantaneamente, torcendo para poder ver os dinossauros com os próprios olhos. A já citada aparição do T-Rex cria suspense com uma imagem icônica (o copo de água) e consegue a proeza de extrair risos nervosos do espectador, bem no meio da cena, com a hilária aparição de um homem sentado na privada, após o dinossauro feroz destruir um banheiro. Mais à frente, a perseguição dos velociraptor às crianças, dentro de um museu, mantém qualquer ser humano normal grudado às cadeiras, provocando arrepios com a sutileza da edição de som (quem não rói as unhas com o ruído das garras do animal batendo no chão de metal?). Sublinhando tudo, a trilha sonora de John Williams providencia um tema inesquecível e trechos musicais que realçam ainda mais o clima de aventura. Um filme simplesmente perfeito.

O DVD simples do filme, da Universal, é interessante. A qualidade de imagem (widescreen 1.85:1 anamórfica) e áudio (Dolby Digital 5.1) é boa. Os extras incluem documentário (50 minutos), trechos de reuniões de produção (6 minutos), vídeos das locações (3 minutos), teste de animação (2 minutos), criação de sons (2 minutos) e cinco seqüências de storyboards. O único problema é a total ausência de legendas nos extras na versão que carrega o selo da Columbia (mais antiga, com uma barrinha amarela na parte de cima da capa). Este problema não existe no DVD da Universal.

– Jurassic Park – Parque dos Dinossauros (EUA, 1993)
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Sam Neill, Laura Dern, Jeff Goldblum, Richard Attenborough
Duração: 101 minutos

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