Júri, O

24/08/2004 | Categoria: Críticas

Longa-metragem ressucita filmes de tribunal, embora o julgamento seja mero pano de fundo de trama intrincada

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

“O Júri” (Runaway Jury, EUA, 2003) percorre a trilha de um gênero que já foi muito popular, mas vem perdendo terreno a cada década para o cinema de ação: o filme de julgamento. Como esse é um estilo que exige sempre diálogos e interpretação bem calibradas, grandes atores que já passaram da idade de fazer malabarismos e/ou desfilar sem camisa diante da câmera batem ponto nesse tipo de filme. Em “O Júri”, por exemplo, estão os grandes Gene Hackman e Dustin Hoffman.

Isso não transforma o suspense criminal, baseado em mais um livro do autor de best sellers John Grisham, em um filme acima da média. “O Júri” é bem produzido, bem interpretado e possui uma direção firme. Essas características garantem um bom espetáculo cinematográfico para platéias de idade um pouquinho mais avançada. Mas só isso. A trama bem urdida, em que personagens jamais são exatamente o que parecem, está bem distribuída nos longos 128 minutos do filme. Em outras palavras, um passatempo interessante, mas talvez um pouco cansativo para quem já viu dezenas de películas semelhantes.

John Cusack e Rachel Weisz, dois atores confiáveis da geração mais nova, encabeçam os astros. Ele é Nick Easter, vendedor de uma loja de videogames que é convocado para participar do júri de um grande caso. Weisz faz a misteriosa Marlee, mulher que convence Nick a manipular o júri para acusação ou defesa – quem pagar mais. Com o acordo selado, Marlee passa a negociar o veredito com os dois lados. E o caso envolve algumas dezenas de milhões de dólares.

Wendall Rohr (Hoffman) defende uma cliente que processou a indústria de armamento dos EUA. O marido da mulher foi assassinado por um colega de trabalho, dois anos antes, em seqüência mostrada na abertura do longa. A viúva deseja uma indenização polpuda da firma que fabricou a arma do crime. Trata-se de um caso que pode gerar jurisprudência – ou seja, o resultado pode influenciar milhares de famílias cujos membros foram vítimas de crimes violentos, fazendo-as abrir processos criminais semelhantes. Daí a importância.

Do outro lado está Rankin Fitch (Hackman, em atuação excelente), o verdadeiro protagonista da película. Ele é um advogado que possui uma verdadeira corporação, encarregada de investigar e selecionar membros do júri que possam decidir em favor do cliente. O que se estabelece, aqui, é um jogo de gato e rato, em que os quatro personagens estão dispostos a burlar os diversos tipos de ética (pessoais, profissionais) para garantir que o julgamento preencha as necessidades de cada um, sejam elas dinheiro ou um ideal maior.

“O Júri” é competente na manipulação de clichês do gênero. O filme possui 75 personagens com falas, algo incomum em Hollywood, e vários deles possuem motivações que são escondidas do espectador. As revelações acontecem em momentos estratégicos e isso garante que o longa-metragem funcione como uma máquina bem azeitada.

Fora isso, o filme não traz novidades e falha ao jamais explorar a conteúdo potencialmente explosivo de um processo que envolva o tema (o julgamento, em si, é mero pano de fundo para as maquinações dos quatro personagens principais). Mas, como entretenimento, vale o preço do ingresso.

– O Júri (Runaway Jury, EUA, 2003)
Direção: Gary Fleder
Elenco: Gene Hackman, John Cusack, Dustin Hoffman, Rachel Weisz
Duração: 128 minutos

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