Lenda Assassina

23/05/2006 | Categoria: Críticas

Horror cômico de John Landis funciona como filme-irmão de clássico sobre lobisomem

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★½☆☆

John Landis não é bobo. Cineasta que já esteve na crista da onda em Hollywood e vem há 20 anos amargando um esquecimento quase completo, ele usou seu episódio na telessérie “Mestres do Terror” para sugerir, sutilmente, uma revisão crítica de sua obra mais famosa. Pode até ser que o cineasta norte-americano não tivesse exatamente essa intenção ao dirigir “Lenda Assassina” (Deer Woman, EUA, 2005), mas o média-metragem funciona perfeitamente como um filme-irmão do maior sucesso de Landis, o horror cômico “Um Lobisomem Americano em Londres” (1981).

Este é um típico filme de John Landis, que recuperou uma antiga e verdadeira lenda indígena norte-americana e, com ela, criou uma longa-metragem de horror de sabor oitentista, com visual colorido que utiliza bastante iluminação de lâmpadas néon e tem abundantes pitadas de humor na condução da trama. Não se trata de um filme violento, até porque não se leva a sério, o que agrega pontos extras ao episódio. Não é à toa que Landis escalou, para viver o herói do filme (o detetive Dwight Faraday), o ator Brian Benben, comediante conhecido egresso da TV.

Na história, Faraday é um detetive recém-divorciado que não conseguiu superar o trauma de ter sido corneado pela ex-mulher, uma gata que ele não consegue esquecer. Escalado para investigar uma série de assassinatos bizarros, em que as vítimas são encontradas literalmente despedaçadas, ele começa a desconfiar que o responsável pelos crimes pode ser uma criatura mitológica, personagem de uma lenda indígena secular: um ser metade mulher, metade veado. Em determinado momento, durante as pesquisas para o caso, o detetive chega a topar com um caso parecido ocorrido em Londres, em 1981, numa referência direta ao clássico filmado por Landis.

Em paralelo, à investigação, a película também mostra a mulher-veado (interpretada pela deliciosa modelo brasileira Cinthia Moura) seduzindo novas vítimas. O tom geral do filme é de humor. Landis evita seqüências sangrentas, preferindo apostar em atuações exageradas, quase caricatas, e criando várias seqüências divertidas. Preste atenção, por exemplo, na hilariante série de três hipóteses que o investigador Faraday imagina para explicar as estranhas circunstâncias do primeiro crime, em que a vítima, um caminhoneiro bêbado de estrada, foi encontrada aos pedaços, dentro da boléia de um caminhão, e coberta de pêlo de veado.

Por outro lado, para delícia dos fãs do gênero, John Landis abusa da nudez feminina, explorando à exaustão o corpo perfeito da atriz brasileira (que, por sinal, não pronuncia uma única palavra durante todo o filme, limitando-se a sorrir e tirar a roupa). Além disso, o humor se mostra o estilo ideal para que Landis consiga driblar com eficiência a escassez de recursos advinda do orçamento minúsculo de US$ 4,5 milhões. É por essa razão que o design da criatura assassina, mesmo sendo pobre (ela só é mostrada à noite, de longa distância e em tomadas rápidas), se encaixa bem no clima geral da produção, que se assume como um B movie desleixado. Em resumo, este é um dos melhores episódios da série.

O DVD brasileiro ganha lançamento pelas mãos da Paris Filmes. A qualidade geral é fraca. O disco é simples e traz o filme com o enquadramento original de imagem (letterbox 4:3, que preserva o formato 1.77:1), com áudio em dois canais (Dolby Digital 2.0). Como extra, um making of. A decepção é maior quando sabemos que a Anchor Bay preparou uma edição bem mais recheada para os Estados Unidos, trazendo o vídeo em formato wide anamórfico (que também preserva o enquadramento original e tem resolução melhor da imagem), som em seis canais (Dolby Digital 5.1) e uma série de extras, incluindo comentário em áudio do diretor, perfil do autor do filme, entrevistas com os atores e cenas cortadas.

– Lenda Assassina (Deer Woman, EUA, 2005)
Direção: John Landis
Elenco: Brian Benben, Cinthia Moura, Alex Zahara
Duração: 58 minutos

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