Ligadas pelo Desejo

20/11/2006 | Categoria: Críticas

Lesbian noir interessante, mas não espetacular, marcou a estréia dos irmãos Wachowski na direção

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

O thriller erótico “Ligadas pelo Desejo” (Bound, EUA, 1996) tem, por vias tortas, lugar garantido na mitologia do cinema contemporâneo. O filme, que marcou a estréia na direção dos irmãos Andy e Larry Wachowski, foi concebido e produzido pela dupla com a exclusiva intenção de provar à Warner que eles tinham condições de comandar uma grande produção. Escrito e dirigido às pressas, com o ridículo orçamento de US$ 4,5 milhões, “Ligadas pelo Desejo” inaugurou um novo subgênero do filme policial: o lesbian noir.

Antes de falar sobre o longa-metragem, no entanto, vale a pena detalhar a sua concepção. “Ligadas pelo Desejo” nasceu porque, meses antes da estréia, os irmãos Wachowski haviam levado à Warner um ambicioso projeto de ficção científica. A história deixou o estúdio tremendamente interessado, mas o executivos não queriam gastar milhões deixando que aqueles dois iniciantes a dirigissem. Então, os Wachowski bateram os pés e foram à luta, escrevendo e dirigindo “Ligadas pelo Desejo” para provar que tinham talento. Foi dessa forma que obtiveram a luz verde para criar a trilogia “Matrix”.

“Ligadas pelo Desejo” tem uma trama muito simples. Violet (Jennifer Tilly) é a sensual esposa de um mafioso (Joe Pantoliano) que se apaixona perdidamente pela ex-presidiária Corky (Gina Gershon), uma vizinha recém-chegada. As duas garotas são amorais, e traçam um arriscado plano para roubar uma bolada de US$ 2 milhões que está na casa do tal mafioso, antes que a fortuna seja resgatada pelo chefão da gangue. Cheia de reviravoltas e calcada em um visual pornô soft repleto de couro negro, tatuagens, caras e bocas – as duas garotas são atrizes limitadas e histriônicas, apesar de Gershon ser muito bonita – a trama chama a atenção sobretudo pelo cuidado visual com que foi conduzida.

Embora não haja rigorosamente nada de novo no filme, ele agradou em cheio a uma platéia eminentemente jovem e masculina, sobretudo pela carga erótica que a história carrega. A seqüência mais comentada é a realista cena de sexo entre as duas mulheres, em que a câmera lenta faz um giro de 360 graus em torno da dupla na cama. Trata-se do tipo de imagem que aparece no imaginário masculino com freqüência espantosamente alta – não se espante se ao terminar de vê-la você estiver com a maior vontade de fazer parte da cena. Uma lésbica chegou a ser contratada como consultora, para garantir o realismo da esfregação entre as fêmeas.

O resultado deste tesão filmado é um thriller interessante, mas não espetacular. Os personagens são meros rascunhos, bonecos nas mãos dos diretores, sem qualquer densidade humana, e mais ou menos na metade da narrativa já é possível ter uma boa idéia de como tudo vai acabar. Isso não quer dizer, obviamente, que “Ligadas pelo Desejo” não seja diversão descompromissada de bom nível. O filme fez uma boa carreira em festivais alternativos de cinema, vencendo o cobiçado Fantasporto (evento dedicado ao cinema jovem alternativo que ocorre anualmente em Portugal).

O DVD nacional é um lançamento da NBO Editora. O disco é simples e sem extras. O filme está no formato letterboxed (1.85:1, não-anamórfico) com áudio Dolby Digital 5.1 (inglês) e DD 2.0 (português).

– Ligadas pelo Desejo (Bound, EUA, 1996)
Direção: Andy e Larry Wachowski
Elenco: Jennifer Tilly, Gina Gershon, Joe Pantoliano, John P. Ryan
Duração: 108 minutos

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