Linha Mortal

18/09/2006 | Categoria: Críticas

Suspense espiritual de Joel Schumacher se alinha às boas produções do diretor pôlemico

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

Embora boa parte dos cinéfilos que acompanham o cinema com mais assiduidade tenha calafrios ao ouvir o nome de Joel Schumacher, a verdade é que o cineasta norte-americano consegue produzir, vez por outra, filmes interessantes. “Linha Mortal” (Flatliners, EUA, 1990) está mais próximo das boas produções que ele já conduziu (“Um Dia de Fúria”) do que dos equívocos mais desastrosos de sua carreira (“Batman & Robin”), e é um suspense capaz de fornecer bom material para reflexão da parcela generosa de espectadores que acredita em vida após a morte.

Uma abordagem mais séria e profunda de um tema que envolve aspectos espirituais é, inevitavelmente, espinhoso. De qualquer modo, Schumacher conseguiu evitar a maior parte dos espinhos, ao preferir produzir um thriller de suspense sobrenatural, recheado com fortes imagens de teor onírico, responsáveis por alguns sustos inseridos na trama com inteligência. Apesar de o roteiro (escrito por Peter Filardi) escorregar em alguns momentos, principalmente nos diálogos às vezes óbvios (“como você está se sentindo”, pergunta um dos personagens a outro, que acaba de ser reanimado de uma parada cardíaca), a trama em geral gera interesse, e o filme prega alguns sustos eficientes.

Como de hábito, Schumacher se sente mais à vontade com personagens jovens, e assim a faixa etária do grupo responsável pela ação principal é bem baixa: quatro rapazes e uma moça (Julia Roberts), todos estudantes de Medicina, tão competentes quanto ambiciosos. O mais visionário deles é Nelson (Kiefer Sutherland), autor da idéia que movimenta o enredo. Ele quer provocar uma parada cardíaca em si mesmo e passar um minuto clinicamente morto, antes de ser reanimado pelos amigos. Quer saber o que há do outro lado. Mesmo com medo, os quase-médicos levam a idéia em frente.

Nelson retorna do limbo maravilhado com as visões que a morte artificial lhe trouxe. Instigados pelo sucesso, os demais estudantes decidem repetir, um por um, a experiência macabra. Cada integrante de grupo passa um pouco mais de tempo de “outro lado” do que o anterior, e a linha que separar vivos e mortos começa a diminuir. Além disso, a excitação da iminência de uma descoberta que pode revolucionar a Medicina faz com que não percebam um fato preocupante: todos os que visitam o limbo começam a experimentar visões sinistras, depois que retornam do mundo dos mortos.

Um dos destaques da produção está nos cenários soturnos, repletos da grandiosa arquitetura gótica da faculdade onde os estudantes têm aulas. As colunas de pé direito altíssimo e as estátuas de anjos dão um toque soturno ao longa, amplificado pela palheta de cores pastéis utilizada pelo diretor de fotografia, Jan De Bont (futuro diretor de filmes como “Velocidade Máxima”). Em alguns momentos, os cenários e os sobretudos que protegem os atores do frio lembram um pouco o belo “Asas do Desejo”, de Wim Wenders, filme com o qual este “Linha Mortal” não guarda nenhuma semelhança temática. O que temos aqui é puramente um thriller de suspense interessante, e nada mais.

O DVD da Columbia é simples, sem extras, e traz o filme impresso dos dois lados do disco. A diferença é o formato da imagem: num dos lados ela é fullscreen (mais quadrada, com cortes laterais) e no outro, widescreen anamórfica (mais alongada e correta, pois preserva os enquadramentos originais). Nos dois casos, a trilha de áudio é Dolby Digital 5.1.

– Linha Mortal (Flatliners, EUA, 1990)
Direção: Joel Schumacher
Elenco: Kiefer Sutherland, Julia Roberts, Kevin Bacon, William Baldwin
Duração: 115 minutos

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