Mad Max

25/01/2007 | Categoria: Críticas

Aventura apocalíptica que lançou Mel Gibson é prato cheio para amantes de carros e motos

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★☆

A despretensiosa aventura apocalíptica “Mad Max” (Austrália, 1979) tornou-se, quase sem querer, um das obras mais importantes já produzidas no país dos aborígenes, sendo responsável pelo lançamento de duas das mais respeitáveis carreiras de cineastas locais: o astro Mel Gibson (depois também diretor de talento) e o cineasta George Miller (“Happy Feet – O Pingüim”). Trata-se de um longa-metragem feito sob medida para amantes de carros e motos, uma espécie de “Sem Destino” (1969) com violência e sem LSD. Visto em retrospectiva, no entanto, o filme é diversão garantida e ótimo exemplo de como é possível fazer boas aventuras sem orçamentos decentes.

“Mad Max” (a tradução da expressão seria algo como “Max, o Louco”, e refere-se ao personagem principal) foi filmado com a bagatela de US$ 350 mil, quantia ridícula para um trabalho em que dezenas de carros e motos são destruídos sem piedade. O truque do diretor George Miller para alcançar esta proeza foi simples: com um número limitado de veículos fuleiros, ele mandava remendar a carroceria e pintar cada carro depenado nas tremendamente realistas cenas de perseguição, usando o mesmo veículo repetidas vezes. O resultado funciona maravilhosamente, a ponto de fazer os filmes de Jerry Bruckheimer (produtor especialista em filmes com cenas de destruição de carros) parecerem espetáculos pirotécnicos sem garra.

A alma do filme é, sem dúvida, Mel Gibson, o ator perfeito para interpretar o maluco Max, policial num incerto futuro apocalíptico, que patrulha as estradas do deserto australiano com um carrão turbinado que dirige de forma radical. Os insanos e determinados olhos azuis do ator, filmados em close pelo talentoso George Miller, dão mesmo a impressão de um sujeito sem um pingo de medo. A impressão é reforçada pela excelente introdução do personagem, na brilhante seqüência inicial, um exemplo muito bom de caracterização de um protagonista.

Max não aparece nos primeiros minutos. Quem aparece é um desordeiro maluco, que cruza uma estrada como uma flecha, arrasando vários carros da polícia e gargalhando como um doido. As tomadas de perseguição, que incluem a transformação de vários veículos em latas usadas de sardinha, é perfeitamente realista. As maluquices do sujeito duram até o momento em que ele vê, com o rabo do olho, o carro de Max – e aí começa a chorar de medo. Como assim? Até então, o espectador não sabe nada sobre Max. Quem seria esse policial que, metido num casaco de couro preto e com um par de óculos escuros, capaz de fazer um sujeito tão destemido mijar nas calças? Os dois minutos a seguir dão uma boa amostra do que o agente da lei é capaz. Beleza.

O escopo segue fielmente a trilha do “filme de vingança”: homem tem a família dizimada por um bando de desordeiros e parta para o pau. Mas há uma falha grave: a ação demora um bocado a engrenar, e na hora em que Max cai na estrada enfurecido como um urso faminto, restam apenas 15 minutos de filme. Na prática, significa que o segundo ato (a tragédia sendo armada e a preparação da vingança) é longo demais, enquanto o epílogo passa como um raio. Além disso, os vilões são fracotes, e jamais passam a impressão de que ameaçam de fasto a vida do herói. De qualquer forma, as qualidades – e isso inclui o panorama desolador de um futuro analógico e sujo de óleo diesel, que influenciou desde então dezenas de longas-metragens – redimem os defeitos com folga.

O DVD simples é um lançamento Warner. O disco traz apenas o filme, sem qualquer extra, mas com boa qualidade de imagem (widescreen anamórfica) e som (Dolby Digital 5.1).

– Mad Max (Austrália, 1979)
Direção: George Miller
Elenco: Mel Gibson, Joanne Samuel, Hugh Keays-Byrne, Steve Bisley
Duração: 93 minutos

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