Máquina do Tempo, A

21/09/2003 | Categoria: Críticas

Maquiagem ridícula e interpretações insossas geram ficção científica pobre de conteúdo, mas competente do ponto de vista visual

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★☆☆☆

Nos nossos tempos cibernéticos, a ficção científica corre o sério risco de parecer um subgênero menor do cinema de ação. Só que ela envolve assuntos fascinantes, que mexem forte com a curiosidade humana. As viagens temporais formam um desses temas. Por isso, “A Máquina do Tempo” (The Time Machine, EUA, 2002) tinha tudo para se tornar um clássico. Além de ser baseado no livro lendário de H.G. Wells, foi dirigido pelo neto do escritor, Simon. O resultado, embora não seja totalmente ruim, fica muito abaixo das expectativas.

O maior problema da produção parece ter sido o tratamento superficial de um tema muito rico. Talvez com medo de tornar o filme enfadonho ou complexo demais para as mentes acostumadas à ação desenfreada das ficções contemporâneas, Simon Wells varreu para baixo do tapete todo o conteúdo filosófico e/ou científico que as viagens no tempo contêm. Por isso, “A Máquina do Tempo” funciona apenas como passatempo, uma Sessão da Tarde mais cara, e não tem nenhum conteúdo.

O início do filme é até promissor. O cientista Alexander Hartdegen (Guy Pearce, razoável) perde a noiva numa tragédia cotidiana e, obcecado, trabalha freneticamente na invenção da máquina que permita viajar para o passado. Sem muita demora, ele o faz e descobre, pasmo, que não consegue modificar os eventos anteriores. Intrigado, decide então ir ao futuro para descobrir as razões desse enigma filosófico, e após um acidente vai parar na Terra daqui a 800 mil anos.

Na trama, Wells elimina completamente as referências marxistas à luta de classes que permeava o texto do avô e reduz o enredo a uma aventura com toques de romantismo cheio de clichês. O visual futurista tem toneladas de efeitos especiais e os retoques digitais que funcionam direito até o finzinho, quando surge o ótimo Jeremy Irons travestido de Marilyn Manson, fazendo a explicação para o paradoxo intrigante, que poderia ser uma grande sacada, parecer filosofia de almanaque. Taí o verdadeiro mistério do filme: o que diabos levaria o vencedor do Oscar de ator em 1991 a botar uma fantasia ridícula daquelas?

– A Máquina do Tempo (The Time Machine, EUA, 2002)
Direção: Simon Wells
Elenco: Guy Pearce, Samantha Mumba, Jeremy Irons
Duração: 92 minutos

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