Metallica: Classic Album

11/06/2005 | Categoria: Críticas

Documentário televisivo examina em minúcias a composição de disco clássico do heavy metal

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

A série televisiva “Classic Album” é material fascinante para fãs, músicos e interessados em rock’n’roll. Em longos documentários, os jornalistas responsáveis buscam enfocar o processo de composição e gravação de discos importantes da história do estilo musical. O programa dedicado ao Metallica traz luz ao complicado processo de criação do disco mais vendido (e, para muitos, mais amado) de heavy metal. “Metallica”, conhecido pelos fãs como o Álbum Negro, continua despachando um milhão de cópias por ano nas lojas do planeta. O disco de 1991 fez o quarteto norte-americano transcender as fronteiras do heavy metal e se tornar uma das maiores bandas do rock.

Portanto, a escolha é inquestionável, ainda que fãs mais antigos e radicais possam preferir outros discos do conjunto. Não importa. Para não-fãs, e mesmo para os admiradores, falar em Metallica é lembrar automaticamente de canções como “Enter Sandman” e “Nothing Else Matters”, que vieram deste disco. O documentário reúne os quatro músicos responsáveis pelo disco, mais o produtor Bob Rock, para relembrar detalhes do processo de composição e do enorme trabalho que as canções deram para serem registradas da forma que o grupo desejava.

É preciso destacar que parte das informações reveladas no documentário não é inédita para os fãs da banda, que já havia lançado anos antes o seu próprio documentário sobre o disco: a primeira parte de “A Year And a Half In The Life of Metallica”. Muitas cenas vistas naquele documentário, por sinal, estão presentes aqui. O maior acerto do diretor Matthew Longfellow não é resgatar essas imagens antigas, mas obrigar a banda a ouvir de novo, dez anos depois de criadas, as canções na mesa de som, separando os canais de áudio e analisando meticulosamente o resultado final. Além disso, o diretor também acerta quando dá destaque, na edição, ao processo de contratação do produtor Bob Rock, grande responsável pela mudança drástica na sonoridade das canções do grupo.

Dessa forma, os fãs ficam sabendo que Bob Rock foi, inicialmente, convidado apenas para mixar o trabalho. Foi dele a iniciativa de procurar o quarteto, falar grosso e dizer, na cara dos líderes Lars Ulrich (bateria) e James Hetfield (guitarra/voz), que a banda jamais havia conseguido capturar em disco o som que fazia nos palcos. O quarteto, já decidido a investir em composições mais simples, acabou por aceitar a proposta e iniciou um penoso período de nove meses trancado dentro do estúdio, em busca da sonoridade que desejava.

Está tudo no documentário: o processo de composição dos clássicos (“Enter Sandman” surgiu quando Ulrich simplificou um fraseado criado pelo guitarrista Kirk Hammet, e a balada “Nothing Else Matters” foi composta por James Helfield enquanto falava ao telefone com um amigo), a luta para conseguir a sonoridade ideal (o baixista Jason Newsted chegava a usar baixos de 12 cordas para atingir os timbres graves que Bob Rock desejava), as brigas durante o processo de mixagem (cada músico tentava fazer seu instrumento soar mais alto) e a correria para entregar o disco no prazo (a canção “Holier Than Thou” teve que ser mixada em apenas quatro horas, enquanto “Enter Sandman” havia levado dez dias para ficar pronta).

O DVD tem uma enorme vantagem em relação ao programa exibido na TV: nada menos do que 43 minutos de material extra, incluindo muitas cenas do grupo ouvindo e analisando faixas do disco na mesa de som. Alguns dos melhores momentos, incluindo uma sincera explicação de Hetfield para a letra polêmica da obscura canção “The God That Failed” e detalhes minuciosos sobre os primeiros encontros para costurar composições do disco, no estúdio caseiro de Lars Ulrich, estão dentro do material extra, que por si só é quase um segundo documentário. Fãs de Jason Newsted também vão gostar de ouvi-lo tocar a base de baixo que deu origem à música “My Friend of Misery”, bem diferente da canção que acabou no repertório do Álbum Negro.

O documentário, lançado no Brasil pela ST2, tem imagens no formato widescreen (16×9), trilha de áudio Dolby Digital 2.0 e um problema: as legendas são traduzidas no português de Portugal, o que pode causar certa confusão em alguns momentos. Fora isso, é um produto recomendável para quem é mais interessado em música do que o normal.

– Metallica: Classic Album (EUA, 2001)
Direção: Matthew Longfellow
Documentário
Duração: 49 minutos

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