MIB II – Homens de Preto 2

21/09/2003 | Categoria: Críticas

‘Homens dePreto II’ repete apiada do primeiro filme, masdápara o gasto – e o DVD está repleto de extras

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★☆☆☆

Continuações de filmes famosos padecem de um problema insolúvel. Na esmagadora maioria das vezes, elas perdem o sabor de novidade. É como uma piada: por mais genial que seja, você vai achá-la menos engraçada quando ouvi-la pela segunda vez. A gula de Hollywood pelas seqüências esbarra nesse conflito. Porque, claro, são raríssimas as continuações que buscam a renovação. Na indústria cinematográfica, a máxima do “em time que está ganhando não se mexe” é a regra absoluta. Por isso, seqüências sempre inferiores aos originais. “Homens de Preto 2” (Men In Black, EUA, 2002) segue essa linha.

No caso, o ditado é seguido ao pé da letra. O mesmo trio criativo repete suas funções em “MIB II”: os atores Tommy Lee Jones e Will Smith dividem a cena como protagonistas, enquanto Barry Sonnenfeld (“A Família Addams”) fica na cadeira de diretor. Isso é saudado por críticos e fãs como um bom sinal. De certa forma, não deixa de ser verdade. “Homens de Preto 2” mantém o interesse da platéia e estabelece um diálogo inteligente com o antecessor. Por outro lado, não consegue escapar do óbvio. Você já viu esse filme antes. Dá para rir, claro. Mas a fórmula já está gasta. Não existe mais novidade.

Na verdade, até na interpretação dos atores transparece uma sensação de melancolia, de repetição desnecessária. Will Smith, que faz o agente J, parece tão impaciente para concluir suas cenas quanto o personagem que interpreta, um agente secreto impulsivo e briguento. Já Tommy Lee Jones (o agente K), mais experiente, dá ao filme um maior estofo dramático. Sempre carrancudo, ele estabelece aquele tipo de empatia às avessas com o parceiro – e com o público, já que a função de J é personificar o espectador na película. Tudo bem, é clichê; que o digam os dois “48 Horas”, os dois “A Hora do Rush” e mais um batalhão de comédias policiais. Mas funciona.

No caso de “Homens de Preto 2”, o roteiro opta por algumas estratégias inteligentes. A principal delas é o aumento do número de cenas dos personagens secundários no primeiro filme que haviam sido mais bem aceitos pelo público. O cão falante Frank e os preguiçosos e fumantes vermes intergaláticos são agora agentes MIB, e têm muito mais espaço na trama. Todos são protagonistas das melhores piadas, aquelas capazes de fazer qualquer um cair na gargalhada — tente não rir ao ouvir o cachorro doidão interagir com a canção “Who Let The Dogs Out”, de Baha Men.

Por outro lado, o esqueleto principal do enredo parece um decalque do primeiro filme. Uma perigosa extraterrestre chamada Serleena (uma estontente e siliconada Lara Flynn Boyle) pousa na Terra para reaver um valioso artefato intergalático escondido aqui há 25 anos. Ela ameaça destruir o planeta se não lhe for revelado o destino do amuleto. O problema é que o único sujeito entre os Homens de Preto (a agência internacional que monitora os aliens habitantes da Terra) a saber algo sobre o assunto é o agente K, que está aposentado desde o filme anterior. Ele Trabalha como carteiro numa cidade minúscula e teve a memória apagada.

Dentro deste contexto, o agente J – um tanto estressado, aliás – assumiu o posto de principal agente da MIB. Ele fica encarregado de recuperar a memória do antigo mestre e acompanhá-lo na aventura destinada a… err, salvar a Terra. No caminho, há referências sutis ao filme de estréia da série (como a troca de papéis entre os agentes, já que agora é J quem está apaixonado e cansado da MIB). Muitas cenas de ação, ritmo acelerado e violência de cartum, sem sangue, completam o cardápio.

O ritmo ágil e supercolorido dos desenhos animados lembra o subestimado “O Máskara”; essa é outra vantagem da obra. Infelizmente, para cada piada realmente engraçada, há cinco ou seis clichês que remetem a “MIB 1” e a zilhões de aventuras. Quando celebridades como Michael Jackson aparecem, por exemplo, mostrando ter funções na traumática relação entre terráqueos e alienígenas, o cheio é de naftalina. É aquela história, lembra? Quando a gente já ouviu a piada antes, ela nunca é tão engraçada…

Se você quiser adquirir o DVD, saiba que ele foi lançado no Brasil em edição bastante caprichada. O disco é duplo, tem um comentário em áudio do diretor e um curta-metragem no disco 1,além dos tradicionais documentários que esquadrinham com competência os bastidores e a produção de efeitos especiais utilizados no longa – que não são poucos. Há um final alternativo e erros de gravação bem engraçados. O material ainda inclui um jogo interativo e cinco cenas que podem ser assistidas de ângulos diferentes.

– Homens de Preto II (Men In Black II, EUA, 2002)
Direção: Barry Sonnenfeld
Elenco: Tommy Lee Jones, Will Smith, Lara Flynn Boyle, Johnny Knoxville
Duração: 88 minutos

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