Micos no Espaço

15/12/2008 | Categoria: Críticas

Animação de má qualidade e cenários equivocados fazem de aventura-mirim um programa 100% esquecível

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★☆☆☆

Não existe maneira mais eficiente de avaliar a qualidade narrativa de uma animação infantil do que levando uma criança para ver o filme e observar sua reação, durante e depois da projeção. Se algum elemento na obra em questão (personagens, diálogos, atuações, piadas) realmente chamar a atenção do garoto, não tenha dúvida, ele vai ficar quieto na cadeira, olhando para a tela com os olhos arregalados. Meninos não dão a mínima para a qualidade gráfica alcançada pum um estúdio de animação. Se a história não for atraente, eles simplesmente perdem o interesse e vão brincar de outra coisa. E não vão perder um minuto sequer do tempo deles pensando no filme após o final. “Micos no Espaço” (Space Chimps, EUA, 2008) ilustra esse raciocínio com bastante propriedade.

O filme, produzido por US$ 37 milhões pela produtora Vanguard Animation, chama a atenção dos adultos pela fragilidade do trabalho apresentado pelos animadores – para se ter uma idéia, coloque-o ao lado de qualquer produção da Pixar feita na década de 1990 e, ainda assim, o longa-metragem de 2008 parecerá velho, artificial e datado. Se contasse uma história original e interessante, porém, nada disso importaria. As crianças ficariam fascinadas da qualquer forma. Não é o que acontece. Repleto de lugares-comuns cinematográficos e piadinhas sem graça, usando as cores de forma carnavalesca e equivocada, “Micos no Espaço” soa constrangedor para adultos e crianças. Quer um exemplo? Pouco tempo depois de assisti-lo junto com minhas duas filhas, perguntei à mais velha (quatro anos) se ela tinha gostado do filme dos macacos. “Qual filme?”, questionou. Detalhe: a gente ainda estava fazendo o lanche obrigatório pós-sessão.

A história é inspirada no clássico sci-fi “O Planeta dos Macacos” (1968), apresentando alguma influência de outros épicos espaciais, em especial “Apollo 13” e “Os Eleitos”. Ela começa depois que a Nasa perde uma sonda de US$ 5 bilhões, quando o equipamento atravessa um “buraco de minhoca” (túnel capaz de romper o espaço e o tempo, cuja existência ainda não foi provada pela Física). A empresa decide enviar uma expedição de resgate, mas como uma viagem semelhante nunca foi testada com seres humanos, um trio de chimpanzés é escalado para a missão. Do outro lado do universo, os três animais se deparam com um planeta habitado por humanóides cabeçudos e monstrengos esverdeados que parecem viver numa cidade construída pelos Teletubbies. A partir daí, o filme dirigido por Kirk DeMicco (parece piada, mas não é) perde o rumo, em meio a múltiplas referências que o impedem de ter personalidade própria.

A concepção visual do planeta alienígena funciona como clara demonstração do equívoco que é o filme. A planície habitada por humanóides, iluminada por três sóis (referência, claro, a Tatooine, de “Guerra nas Estrelas”), aparece pontuada de casebres hiper-coloridos, que mais parecem o carro alegórico de um desfile de escola de samba do que um mundo extraterrestre. O roteiro, por sua vez, hesita entre a comédia pastelão e a aventura acelerada. A cada nova seqüência o filme muda de tom, ora inserindo gags de humor variável, ora apostando nas cenas de ação, ora inventando uma improvável história de amor símio. Numa das cenas, por exemplo, os heróis chegam a uma caverna onde vive um monstro gigante, e o filme não se decide se presta uma homenagem ao Monty Python (a seqüência do coelho em “O Cálice Sagrado”) ou imita a Pixar de forma deslavada (“Procurando Nemo” e o peixe cego). O resultado é uma salada de referências que nunca ganha coerência.

O DVD nacional traz o selo da Paris Filmes. Além de trailers, não há extras. O filme aparece com qualidade Ok de imagem (widescreen anamórfica) e áudio (Dolby Digital 5.1).

– Micos no Espaço (Space Chimps, EUA, 2008)
Direção: Kirk De Micco
Animação
Duração: 81 minutos

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