Morte ao Vivo

01/02/2004 | Categoria: Críticas

Filme de estréia de Alejandro Amenábar aborda problema da violência social em thriller bem conduzido

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★☆

O cinema fantástico que é produzido na Espanha, desde o começo da década de 1990, infelizmente não chega ao Brasil com uma distribuição decente. Grande parte dos filmes, aliás, sequer aporta por aqui. Mas que fique claro: há uma geração de cineastas talentosos trabalhando lá e criando uma linha de filmes de terror/suspense de alta qualidade, muito superiores às produções feitas em Hollywood. Dessa turma, um nome conseguiu se destacar e entrar no jet set internacional do cinema: Alejandro Amenábar.

Amenábar, curiosamente, não nasceu na Espanha. Ele é chileno, mas foi criado no país europeu depois que seus pais fugiram da ditadura de Pinochet, no Chile. Depois de fazer o elogiado “Os Outros”, com Nicole Kidman, e fornecer a trama de “Vanilla Sky” para Tom Cruise, Amenábar rompeu a barreira invisível e viu seus filmes conseguirem distribuição razoável. Mas ele já era talentoso desde o começo, como prova a sua estréia na direção, “Morte ao Vivo” (Tesis, Espanha, 1996).

“Morte ao Vivo”, que chegou a ser exibido no Brasil, em salas alternativas, no final de 1996, é a melhor trama já filmada sobre o universo apavorante dos snuff movies. Esses filmes caseiros são uma lenda urbana muito conhecida. Diz-se que, no submundo das grandes cidades do mundo, é possível encontrar filmes que mostram assassinatos reais. Embora isso jamais tenha sido provado, há muitos filmes que tratam do tema com seriedade. Amenábar fez o melhor deles.

“Morte ao Vivo” tem como protagonista uma estudante de Comunicação, Ângela (Ana Torrent). A garota faz uma pesquisa para a conclusão do curso sobre a violência na cultura visual da sociedade moderna. Durante a pesquisa, acaba se deparando com um filme violento que parece mostrar um assassinato real. Mesmo com medo, ela desconfia da existência de uma rede clandestina de produção desses filmes e começa a investigar, ajudada por dois amigos, Chema (Fele Martinez) e Bosco (Eduardo Noriega).

Apesar da narrativa relativamente convencional, “Morte ao Vivo” trabalha com uma temática atualíssima e faz uma bem urdida crítica social, bem representada num roteiro que enfatiza o clima de tensão, envolto em uma investigação policial amadora de primeira qualidade. O terror em “Morte ao Vivo” é real, bem real, e Amenábar realça isso utilizando uma trilha sonora muito boa e cuidando do ritmo crescente do suspense. A julgar pelos filmes que já fez, não seria um exagero dizer que Amenábar é capaz, como Hitchcock, de equilibrar a discussão subjetiva dos filmes de arte com o poder de sedução do cinema-pipoca.

– Morte ao Vivo (Tesis, Espanha, 1996)
Direção: Alejandro Amenábar
Elenco: Ana Torrent, Fele Martínez, Eduardo Noriega
Duração: 118 minutos

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