Mundo Mágico dos Trapalhões, O

07/11/2005 | Categoria: Críticas

Documentário de 1981 sobre o quarteto de humoristas ganha edição digital interessante

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★½☆☆

O quarteto Os Trapalhões estava no auge do sucesso ao completar 15 anos de estrada, em 1981. Com filmes anuais atingindo até seis milhões de espectadores e nada menos do que oito longas-metragens na lista das 20 maiores bilheterias do cinema brasileiro, os quatro humoristas não precisavam provar mais nada a ninguém. Naquele ano, eles decidiram lançar uma retrospectiva da obra, e encomendaram ao cineasta Sílvio Tendler um documentário comemorativo. “O Mundo Mágico dos Trapalhões” (Brasil, 1981) é o resultado dessa união.

Não há um registro confiável sobre isso, mas provavelmente o filme é o documentário com maior bilheteria de toda a história do Brasil: levou mais de dois milhões de pessoas às salas escuras, para ver basicamente uma compilação de melhores momentos dos filmes anteriores dos Trapalhões, costurados por entrevistas curtas, cenas de gravação do programa semanal de TV da trupe e momentos de lazer de cada um. Somente a façanha de levar tanta gente para assistir a um produto de um gênero tão marginalizado já é um fenômeno digno de atenção.

Infelizmente, “O Mundo Mágico dos Trapalhões” não é exatamente um produto de alta qualidade. Produzido com os mesmos recursos escassos que marcavam as produções mambembes do quarteto, o filme traça uma retrospectiva do grupo, enfocando a carreira em ordem cronológica e oferecendo uma breve biografia de cada integrante. Descobrimos, assim, um pouco das origens de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Só que esses momentos são minoria, já que a edição privilegiou as cenas de outros trabalhos para o cinema do grupo.

Levando em conta que a maior parte da cinematografia dos Trapalhões inexiste em formato digital, até que o disco representa uma oportunidade interessante. Os neófitos na obra do grupo têm a chance de conhecer melhor, por exemplo, as influências de Charles Chaplin no trabalho de Renato Aragão. Cheque o esquete sem diálogos de “Bonga, o Vagabundo”, bem como as coreografias bem-humoradas de luta que remetem ao clássico “Luzes da Cidade”. Já os antigos admiradores vão ver as imagens com nostalgia e lembrar dos momentos mágicos vividos quando eram crianças e assistiam aos filmes nos cinemas ou nas insistentes reprises da TV.

De qualquer forma, o material mais curioso – como cenas raras de Mauro Gonçalves, o Zacarias, sem a peruca e a caracterização impagável – ganha pouco espaço na tela. Para completar, temas que poderiam ter rendido discussões bem interessantes e muito mais densas, como as críticas de racismo ao trabalho do grupo e os narizes torcidos dos intelectuais para o trabalho popular do quarteto, são rascunhados de forma ligeira. Destaque para a participação de Caetano Veloso, num dueto antológico com Didi Mocó.

O filme foi lançado em bancas de revista dentro de uma coleção especial da revista Superinteressante. A qualidade de som (Dolby Digital 2.0) e imagem (standard 1.33:1) é pobre. O áudio por vezes é inaudível, e a imagem tem cores fracas e arranhões. Há dois extras interessantes: um curta-metragem feito em 1965 por Renato Aragão (“A Pedra do Tesouro”, com 9 minutos) e uma entrevista de 2005 do comediante (34 minutos). Material para colecionadores e nostálgicos em geral, com certeza.

– O Mundo Mágico dos Trapalhões (Brasil, 1981)
Direção: Sílvio Tendler
Documentário
Duração: 88 minutos

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