Pacto com o Demônio

26/07/2006 | Categoria: Críticas

Dentro da série “Mestres do Terror”, William Malone entrega filme que tem história e atmosfera sinistras

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★½☆☆

Em linhas gerais, a telessérie “Mestres do Terror”, exibida no final de 2005 na TV norte-americana, se divide em dois filões. Alguns filmes se preocupam mais em desenvolver uma boa história, enquanto outros se esmeram na construção de uma atmosfera soturna e deixam os detalhes em segundo plano. “Pacto com o Demônio” (Fair-Headed Child, EUA, 2005), média-metragem de William Malone, consegue fazer as duas coisas, o que não deixa de ser uma boa surpresa, considerando que o diretor é um desconhecido, se comparado com veteranos que assinaram outros episódios, como John Landis e Joe Dante.

Além de ter dirigido a refilmagem de um clássico de horror (“A Casa da Colina”), Malone não tem mais nada de relevante no currículo. No entanto, foi colega de quarto na faculdade do também cineasta Mick Garris, produtor executivo da série e diretor do episódio “Chocolate”. Como a concepção do programa foi de Garris, este se sentiu à vontade para fazer o convite ao amigo. Para Malone, a série foi uma ótima oportunidade de subir alguns degraus na carreira. E ele a aproveitou, fazendo um filme caprichado, que dá alguns sustos no espectador, à despeito de alguns problemas no roteiro.

“Pacto com o Demônio” é dividido em duas primeiras bem distintas. A primeira delas é a melhor, pois consegue manter a platéia no escuro, sem saber direito o que está acontecendo. Logo na abertura, uma adolescente solitária (Lindsay Pulsipher) é seqüestrada por um homem ameaçador (William Samples). Ela acorda num hospital, tenta ligar para a mãe, mas a mulher, claramente drogada, não dá bola para os pedidos de socorro da filha. O resultado é que a criança acaba jogada num porão, junto com um garoto imundo (Jesse Haddock).

Vivendo uma situação aterrorizante, os dois fazem amizade e se unem para explorar o sinistro lugar, procurando alcançar algum tipo de abrigo, pois sentem que estão ameaçados por algo ou alguém muito violento e imprevisível. Enquanto isso, William Malone vai inteligentemente liberando informações a conta-gotas, utilizando flashbacks em preto-e-branco que homenageiam as antigas produções de horror B. A segunda parte, mais irregular, apresenta uma estranha criatura assassina, e inclui um epílogo surpreendente e bastante macabro.

Se examinada com cuidado, a história tem muitos buracos (o mais óbvio deles: por que a criatura monstruosa aparece e desaparece sem explicação?). Graças à bem cuidada apresentação da protagonista, contudo, ela funciona. Malone é hábil ao fazer a platéia sentir pena de Tara e Johnny, os dois adolescentes presos no porão, e isso mantém o interesse do espectador, que passa a torcer pelos dois. Em resumo, William Malone ainda está longe do rótulo de “mestre”, mas se saiu bem na experiência.

O DVD brasileiro ganha lançamento pelas mãos da Paris Filmes. A qualidade geral é fraca. O disco é simples e traz o filme com o enquadramento original de imagem (letterbox 4:3, que preserva o formato 1.77:1), com áudio em dois canais (Dolby Digital 2.0). Como extra, um making of. A decepção é maior quando sabemos que a Anchor Bay preparou uma edição bem mais recheada para os Estados Unidos, trazendo o vídeo em formato wide anamórfico (que também preserva o enquadramento original e tem resolução melhor da imagem), som em seis canais (Dolby Digital 5.1) e uma série de extras, incluindo comentário em áudio do diretor, perfil do autor do filme, entrevistas com os atores e cenas cortadas.

– Pacto com o Demônio (Fair-Headed Child, EUA, 2005)
Direção: William Malone
Elenco: Lindsay Pulsipher, Jesse Haddock, Lori Petty, William Samples
Duração: 59 minutos

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