Pânico na Montanha

28/06/2006 | Categoria: Críticas

Don Coscarelli realiza típico exemplar de horror rural com boa surpresa no fim

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

No canal de TV a cabo norte-americano Showtime, “Pânico na Montanha” (Incident on and off a Mountain Road, EUA, 2005) foi o primeiro episódio da telessérie “Mestres do Terror”. A série, que reúne 13 filmes com duração média de uma hora cada, dirigidos por cineastas especializados no gênero, vinha sendo esperada pelos fãs com grande expectativa. É provável que o trabalho de Don Coscarelli, um diretor experiente mas que está longe de ser um mestre do gênero, tenha sido escolhido para anunciar a empreitada ao mundo justamente por representar um dos filões mais lucrativos do gênero: o filme de horror rural, em que uma criatura assassina persegue gente normal, como eu e você, sem que haja alguém a quem pedir ajuda.

Ao dirigir este telefilme, Coscarelli já tinha 25 anos de carreira, sem jamais ter sido responsável por um grande sucesso comercial, ou mesmo por algum pequeno título cultuado por fanáticos. Seu filme mais conhecido é provavelmente “Bubba Ho-Tep”, pequeno delírio de 2002 que imagina Elvis Presley e John Kennedy lutando contra uma múmia egípcia. Em “Pânico na Montanha”, Coscarelli presta homenagem a longas como “O Massacre da Serra Elétrica” (1974), criando uma narrativa escura, tensa e vibrante, apesar de não conter elementos originais. A única novidade é o perfil da protagonista feminina que, ao contrário das heroínas do gênero, não tem nada de boba ou indefesa.

O terror começa quando Ellen (Bree Turner) sofre um acidente numa estrada deserta, à noite, no alto de uma montanha. Durante um momento de distração, ela bate num carro aparentemente abandonado. Uma rápida inspeção no local e Ellen, que está sozinha, descobre sangue na área. Não demora muito para que ela perceba que a motorista do outro veículo, mulher como ela, está sendo perseguida por um assassino de feições deformadas, um maluco com um arsenal de facas que logo passa a persegui-la também. Ellen se embrenha na floresta que circunda a rodovia e começa a pensar numa maneira de sobreviver.

A grande sacada de Don Coscarelli é ir mesclando a ação no presente com uma série de flashbacks do passado de Ellen. As cenas mostram a relação conturbada da moça com o namorado Bruce (Ethan Embry), um homem violento e obcecado com técnicas de sobrevivência. Logo vamos descobrir que, por conta desse relacionamento, Ellen não é a mocinha frágil e gritalhona de todo filme de horror. Ela sabe preparar armadilhas, tem bastante força física e, com uma faca nas mãos, é capaz de fazer um tremendo estrago em alguém que a ameace, como o assassino da floresta logo vai descobrir.

A narrativa seca e o ritmo constantemente acelerado, associada ao cenário apavorante da floresta à noite, garantem a eficiência da produção. E se a aparência do maníaco do filme regurgita todos os clichês do psicopata de filmes de horror desde “Halloween” (1978) e do já citado longa-metragem de Tobe Hooper, a inesperada surpresa do final é um presente para os fãs de horror. Embora seja inferior ao francês “Haute Tension”, que investiu no mesmo filão com melhores resultados em 2003, “Pânico na Montanha” é bem interessante.

O DVD brasileiro ganha lançamento pelas mãos da Paris Filmes. A qualidade geral é fraca. O disco é simples e traz o filme com o enquadramento original de imagem (letterbox 4:3, que preserva o formato 1.77:1), com áudio em dois canais (Dolby Digital 2.0). Como extra, um making of. A decepção é maior quando sabemos que a Anchor Bay preparou uma edição bem mais recheada para os Estados Unidos, trazendo o vídeo em formato wide anamórfico (que também preserva o enquadramento original e tem resolução melhor da imagem), som em seis canais (Dolby Digital 5.1) e uma série de extras, incluindo comentário em áudio do diretor, perfil do autor do filme, entrevistas com os atores e cenas cortadas.

– Pânico na Montanha (Incident on and off a Mountain Road, EUA, 2005)
Direção: Don Coscarelli
Elenco: Bree Turner, Ethan Embry, John De Santis, Angus Scrimm
Duração: 58 minutos

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