Pauline na Praia

13/09/2007 | Categoria: Críticas

Comédia leve apreende com eficiência os elementos fundamentais que marcam o cinema de Eric Rohmer

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★☆

“Pauline na Praia” (Pauline a la Plage, França, 1983) funciona como uma porta de entrada perfeita para cinéfilos que desejam conhecer a obra do cineasta francês Eric Rohmer. Talvez não seja o melhor filme dele, mas com certeza é um dos que apreende com mais eficiência os elementos fundamentais que marcam o cinema do integrante menos conhecido da nouvelle vague: narração à base de diálogos, personagens tagarelas, encontros e desencontros amorosos, estética despojada construída à base de longos planos gerais, personagens de férias e/ou sem grandes preocupações com o trabalho, a presença da praia e do campo como cenário de fuga às pressões da cidade grande.

“Pauline na Praia” integra um dos blocos temáticos mais conhecidos da obra de Rohmer. O ciclo intitulado “Comédias e Provérbios” reúne seis filmes, feitos na década de 1980, e é considerado um dos momentos mais férteis da carreira do diretor, que se auto-define como “um moralista do século XVIII vivendo no século XX”. É uma auto-definição curiosa, porque Rohmer parece tudo, menos um moralista. Pelo contrário. Seus filmes examinam, com curiosidade e sem qualquer vestígio de condenação moral, o comportamento afetivo dos jovens no fim do século XX. Temas como comportamento promíscuo, medo do compromisso e sexo sem amor são discutidos com naturalidade e frescor.

Como na maioria dos filmes que dirigiu, Rohmer arma uma teia intrincada de relações afetivas, com quatro personagens realizando uma espécie de jogo amoroso perfeitamente ensaiado. É a época de férias para Pauline (Amanda Langlet), uma adolescente de 16 anos, na idade das descobertas sexuais, e ela vai passar uns dias de descanso na praia, com a tia gostosa (Arielle Dombasle). Lá, as mulheres conhecem um windsurfista bonitão (Pascal Greggory) e um executivo charmoso que também está de férias (Féodor Atkine). Entre os quatro nasce um jogo de interesses de cunho, sobretudo, sexual.

Se a qualidade superior dos diálogos de Rohmer – sempre afiados, inteligentes, despojados e naturalistas – já garante a diversão, a estrutura arquetípica dos personagens faz o filme se tornar ainda mais interessante. Há o homem canalha que atrai garotas como um ímã, o rapaz certinho e simpático que ninguém ama, a mulher carente que anda desiludida com os homens, a menina curiosa com vontade de aprender. A segunda metade do trabalho, em especial, é uma maravilha, trazendo uma série de desencontros que cria uma espécie de ciranda sexual (sem nada explícito, que fique claro). Pode parecer um filme bobo, mas não é, porque temas importantes da vida contemporânea são debatidos à exaustão, sob uma moldura leve e divertida.

O DVD nacional, da Europa Filmes, é espartano: imagem razoável (fullscreen, formato original), áudio apenas OK (Dolby Digital 2.0) e nada de extras.

– Pauline na Praia (Pauline a la Plage, França, 1983)
Direção: Eric Rohmer
Elenco: Amanda Langlet, Arielle Dombasle, Pascal Greggory, Féodor Atkine
Duração: 94 minutos

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