Pequenos Espiões 3D

14/03/2004 | Categoria: Críticas

Óculos de três dimensões transformam filme em ambiente alucinado de realidade virtual

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

Cinema em terceira dimensão é coisa dos anos 1980, quando eu era menino. Portanto, só por ressuscitar uma tecnologia que parecia morta e enterrada, “Pequenos Espiões 3-D” (Spy Kids 3-D: Game Over, EUA, 2003) já merecia uma conferida com interesse. Mas o terceiro exemplar da franquia criada pelo cineasta texano Robert Rodriguez vai bem mais longe do que criar uma espécie de primeiro pobre da realidade virtual. É um filme que tem charme infantil, uma dose generosa de despretensão, proposta educativa e, para fechar com chave de ouro, uma penca de participações especiais surpreendentes.

Conte aí: além de recuperar a carreira em declínio do ex-astro Sylvester Stallone (no papel do vilão Toymaker), há passagens breves pela telona de George Clooney, Antonio Banderas, Steve Buscemi, Alan Cumming (o Noturno de “X-Men 2”), Bill Paxton, Salma Hayek – e isso só para citar o mais conhecidos. É claro que uma turma desse naipe não daria as caras numa longa infanto-juvenil, se a película em questão fosse uma das dezenas de caça-níqueis destinados a tirar dinheiro dos meninos durante as férias. “Pequenos Espiões 3-D” passa muito longe disso.

O cineasta Robert Rodriguez, na verdade, é o faz-tudo de plantão no filme. Ele não esconde de ninguém que bolou e pôs de pé a franquia de filmes para custear o estúdio digital que montou em casa. No bunker particular, Rodriguez escreve, dirige, produz, monta e faz a trilha sonora dos trabalhos que dirige, como o recente “Era Uma Vez no México”. Mas o cineasta tem um talento verdadeiro para dirigir crianças, além de muita criatividade. Imaginar um mundo hiper-colorido em que a violência de cartum e o figurino kitsch são as principais atrativos não foi uma tarefa complicada. Aqui, meninos possuem a habilidade dos agentes secretos mais poderosos, e os adultos não passam de figurantes. Bola dentro – é um filme de e para crianças. Só isso.

“Pequenos Espiões 3-D” tem um atrativo que o difere dos dois trabalhos anteriores da série: os óculos azuis e vermelhos. A tecnologia casa perfeitamente com o fiapo de enredo que movimenta a trama. Nela, June (Daryl Sabará) precisa resgatar a irmã Carmen (Alexa Vega), presa dentro de um jogo de realidade virtual por Toymaker (Stallone), um fabricante de brinquedos que deseja dominar o mundo. Simples assim. O filme é, literalmente, um jogo de videogame alucinado, que June precisa zerar para salvar a irmã. Dentro do jogo, a platéia acompanha o garoto com os óculos coloridos, pulando na cadeira.

Há um pequeno senão: tirando os 15 primeiros minutos e um pequeno trecho no final, são quase duas horas de projeção em que o público permanece com os óculos 3-D no rosto. A tecnologia é bacana – pura nostalgia para marmanjos que viram “Tubarão 3” no cinema, e novidade legal para guris – mas causa uma certa fadiga visual, depois de uma meia hora em que borboletas saem da tela para passear junto dos narizes do público e bolhas de sabão flutuam tão perto que um tapa pode estourá-las. Tudo ficaria mais eficiente se usado com mais discrição. Tirando isso, o filme é diversão desencanada para adultos e um passatempo fascinante para crianças. E a constelação hollywoodiana no final não é para qualquer filme.

– Pequenos Espiões 3-D (Spy Kids 3-D: Game Over, EUA, 2003)
Direção: Robert Rodriguez
Duração: 115 minutos
Elenco: Antonio Banderas, Carla Gugino, Alexa Vega, Daryl Sabara, Sylvester Stallone, Salma Hayek

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