Perseguição Mortal

30/05/2006 | Categoria: Críticas

Aventura violenta de baixo orçamento aproveita paisagens geladas do Canadá

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

Charles Bronson fez carreira no cinema como ator de um só papel: o brucutu de poucas palavras e cara fechada que, na hora do pau, distribui tiros e porradas com uma eficiência assustadora. “Perseguição Mortal” (Death Hunt, EUA, 1981), filme de baixo orçamento dirigido por Peter Hunt, aproveita essa limitação do potencial de atuação do astro norte-americano, em uma aventura de baixo orçamento cujo maior destaque é a fotografia, calcada em belas imagens das paisagens geladas do Canadá.

A história do filme, baseada em um caso real, foi severamente criticada na época do lançamento, pelos historiadores do país na América do Norte. Eles alegaram que a narrativa tomava muitas liberdades em relação aos fatos reais, inclusive distorcendo a personalidade real de muitos dos envolvidos no caso, considerado a maior caçada humana já ocorrida no território canadense. Não importa. Peter Hunt fez uma aventura descerebrada, um filme simples e direto sobre um tema batido, repetido muitas vezes no cinema – o homem inflexível que prefere morrer a ceder a algo que considera errado.

Bronson interpreta o caçador Albert Johnson. Na cena de abertura, o sujeito taciturno interrompe uma briga de cães (esporte muito popular na região), contra a vontade de um grupo de arruaceiros. Ele força um dos homens (Ed Lauter) a vendê-lo o animal que está perdendo a luta, um cão branco muito ferido. Acontece que os arruaceiros não ficam nada satisfeitos com a intervenção de Johnson e prestam queixa de roubo contra ele ao sargento da Polícia Montada responsável pela região, Edgar Millen (Lee Marvin).

As circunstâncias fazem com que Johnson tenha que fugir para a fronteira do Alaska, onde as temperaturas baixíssimas do rigoroso inverno e a falta de comida têm grande chance de matá-lo. Enquanto isso, ele é perseguido por uma turba de caçadores de recompensa, atrás de prêmios oferecidos por um jornal e um bar, que vislumbram na caçada a possibilidade de faturar muito dinheiro, vendendo produtos aos caçadores que tentam capturar o fugitivo.

O filme constrói uma boa dinâmica entre os dois personagens principais, ambos sujeitos experientes e durões que se respeitam bastante, embora estejam em lados diferentes – lembra, por exemplo, “Um Mundo Perdido”, de Clint Eastwood. Peter Hunt (que tem no currículo um bom filme da série 007, “A Serviço de sua Majestade”) também acerta ao explorar as paisagens geladas do local, utilizando muitas panorâmicas e tomadas aéreas para impregnar o longa-metragem de uma atmosfera desolada – o frio quase consegue transcender a tela.

Além disso, as cenas de ação são bem violentas, quase gore, com muito sangue e uso abundante de câmera lenta, na linha de Sam Peckinpah, só que mais econômicas e menos grandiloquentes. “Perseguição Mortal” não foi feito para mudar o cinema, mas é uma aventura eficiente e um filme, bem… muito macho.

O DVD da Aurora é baseado no lançamento norte-americano feito pela Anchor Bay. Disco simples, sem extras, mas como boa qualidade de imagem (wide 1.85:1 letterboxed, com cores claras e fortes) e som (Dolby Digital 1.0).

– Perseguição Mortal (Death Hunt, EUA, 1981)
Direção: Peter Hunt
Elenco: Charles Bronson, Lee Marvin, Andrew Stevens, Carl Weathers
Duração: 97 minutos

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