Pesadelo Mortal

18/04/2006 | Categoria: Críticas

Episódio de John Carpenter de telessérie de horror traz homem comum entrando em universo de loucura e dor

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

Dono de um pequeno cinema de bairro especializado em encontrar filmes raros para clientes ricos é contratado para investigar a existência de cópia de um lendário filme maldito, capaz de causar loucura em quem o assistir. A sinopse de “Pesadelo Mortal” (Cigarette Burns, EUA, 2005), episódio da telessérie “Mestres do Terror” dirigido pelo veterano John Carpenter, lembra bastante a história japonesa que gerou “O Chamado” (2002). A semelhança, porém, fica apenas na sinopse, pois o filme trabalha essencialmente uma das situações favoritas do diretor: um homem comum entrando em um universo de loucura e dor, que ele não consegue explicar ou compreender.

Esse esqueleto narrativo foi utilizado por Carpenter em um dos seus melhores e mais subestimados longas-metragens, “À Beira da Loucura” (1995). Naquele filme, um investigador precisava encontrar um solitário romancista, desaparecido após escrever um livro macabro, e acabava descobrindo que o escritor havia se refugiado dentro do próprio universo ficcional que criara. Em “Pesadelo Mortal”, John Carpenter mantém os pés mais no chão, sem investir nos delírios surrealísticos que distorciam tempo e espaço. Criar, assim, um filme apenas razoável, um exemplar de horror que tem momentos assustadores, mas também um roteiro raso que jamais alcança grande credibilidade.

Há um senso palpável de sobrenatural que cerca o trabalho, algo que John Carpenter procura demonstrar logo no início. No momento em que aceita a tarefa de encontrar o filme maldito, o traumatizado cinéfilo Kirby Sweetman (Norman Reedus) recebe do milionário excêntrico que o contratou (Udo Kier) uma prova de que a película é, de fato, resultado de algum tipo de pacto sobrenatural. Aprisionada num dos cômodos da mansão do ricaço, está uma criatura dos infernos (ou dos céus?) que esteve ligada à produção e garante: o filme ainda existe, ou ele já teria morrido.

Como vários dos episódios da série “Mestres do Terror”, o média-metragem de John Carpenter investe numa linha tipo “detetive do inexplicável”. Embora a investigação empreendida por Kirby tenha alguns lances perturbadores (em especial a seqüência em que ele encontra um colecionador de filmes raros em Paris, cheia de violência campy no estilo de “Kill Bill”), no geral não passa de uma desculpa para segurar o espectador em frente à tela até o clímax bizarro. Afinal de contas, a investigação traçada por Kirby até os rolos malditos de película não tem nada de surpreendente, sendo até mesmo previsível e boba. De fato, “Pesadelo Mortal” não é um dos melhores episódios da telessérie.

O DVD brasileiro ganha lançamento pelas mãos da Paris Filmes. A qualidade geral é fraca. O disco é simples e traz o filme com o enquadramento original de imagem (letterbox 4:3, que preserva o formato 1.77:1), com áudio em dois canais (Dolby Digital 2.0). Como extra, um making of. A decepção é maior quando sabemos que a Anchor Bay preparou uma edição bem mais recheada para os Estados Unidos, trazendo o vídeo em formato wide anamórfico (que também preserva o enquadramento original e tem resolução melhor da imagem), som em seis canais (Dolby Digital 5.1) e uma série de extras, incluindo comentário em áudio do diretor, perfil do autor do filme, entrevistas com os atores e cenas cortadas.

– Pesadelo Mortal (Cigarette Burns, EUA, 2005)
Direção: John Carpenter
Elenco: Norman Reedus, Udo Kier, Julius Chapple, Colin Foo
Duração: 59 minutos

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