Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra

14/01/2006 | Categoria: Críticas

Trama divertida mas fraca é apimentada por bons atores e efeitos especiais convincentes

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

Filmes de pirata voltaram à moda em 2003 por causa de uma obra divertida e aparentemente espontânea: “Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra” (Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl, EUA, 2003). O filme, inspirado num brinquedo de um dos parques temáticos da Disney, não foi levado muito a sério pelos jornalistas que cobrem Hollywood. Por isso, foi uma surpresa quando o desempenho nas bilheterias tornou-se o maior sucesso da empresa do Mickey Mouse no ano, levando a franquia a se tornar a maior aposta da Disney para os anos seguintes.

Na verdade, a surpresa não deveria ser assim tão grande. O orçamento do filme chegou a US$ 140 milhões, o que demonstra claramente quão alta era a aposta da empresa no projeto. Além do mais, o produtor Jerry Bruckheimer sempre é garantia de marketing agressivo. Dessa vez, o sujeito também apostou numa escalação de atores relativamente barata, capaz de garantir um filme de boa qualidade, e reservar uma fatia generosa do orçamento aos inevitáveis efeitos especiais de ponta, que consomem a maior parte do dinheiro em Hollywood hoje.

Isso foi feito. A direção do longa ficou com Gore Verbinski, cineasta de aluguel, capaz de transpor bons roteiros para a telona com eficiência, o que já havia comprovado no terror de “O Chamado”. No elenco, o nome de Johnny Depp se sobressai, especialmente quando se sabe que ele vive na França e não costuma aceitar filmes ruins com facilidade. Orlando Bloom e Kiera Knightley são as jovens apostas e Geoffrey Rush e Jonathan Pryce, os veteranos com pecha de astro e salário de iniciante.

Isso tudo posto, é bom que se diga: “Piratas do Caribe” não é um filme ruim de forma alguma. Pelo contrário: tem o charme inocente das saudosas aventuras de piratas dos anos 1930, que são a inspiração básica do enredo. É verdade que, no afã de agradar as platéias adolescentes de hoje, o longa enfatize em excesso a importância dos efeitos especiais, criando até mesmo uma maldição que não tem absolutamente nenhuma importância para a trama, de forma a apresentar para o espectador as cenas feitas no computador.

O filme resume-se a documentar o resgate da bela e rica Elisabeth Swann (Knightley), filha do governante da cidade de Port Royal. A garota foi raptada pelo pirata Capitão Barbossa (Rush), comandante de um navio maldito cujos marujos viram esqueletos à luz do luar. A equipe de resgate é liderada pelo ferreiro Will Turner (Orlando Bloom), que está aliado ao pirata renegado Jack Sparrow (Depp), a verdadeira estrela do filme. Como todo bom filme de aventura, a trma é bastante previsível e não importa muito.

O melhor do filme, sem dúvida, é a elogiada atuação de Depp, que caminha como um bêbado e inspirou-se em Keith Richards (Rolling Stones) para compor seu personagem. No todo, o filme é repleto de cenas de ação e algumas lutas de espada, que resultam satisfatórias, embora não brilhantes. “Piratas do Caribe” parece um tanto longo para uma aventura com cara de Sessão da Tarde, mas funciona como acompanhamento para a pipoca.

O lançamento duplo da Buena Vista é um DVD impecável. O primeiro disco tem o filme em excelente qualidade (imagem wide 2.35:1 anamórfica, som Dolby Digital 5.1 com certificado THX de excelência) e quatro comentários em áudio, todos legendados, com vários atores, o diretor e o produtor Jerry Bruckheimer. Já o disco 2 traz um documentário (38 minutos), bastidores de cinco cenas (20 minutos), três diários de produção (25 minutos), cenas cortadas (19 minutos), erros de gravação (3 minutos), curiosidades históricas (22 minutos, interativo), análise de uma cena (6 minutos) e uma reportagem de TV (18 minutos) de 1968, mostrando a atração que inspirou o filme nos parques temáticos da Disney. Tudo com legendas.

– Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra (Pirates of the Caribbean: The Curse of the Black Pearl, EUA, 2003)
Direção: Gore Verbinski
Elenco: Johnny Depp, Orlando Bloom, Geoffrey Rush, Kiera Knightley
Duração: 143 minutos

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