Piscina Mortal, A

15/06/2007 | Categoria: Críticas

Inspirado em romance de Ross Macdonald, policial tem trama intrincada e bela fotografia

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

Embora não seja reconhecido como um dos grandes autores da literatura pulp, o escritor Ross MacDonald sempre foi um favorito dos especialistas em tramas policiais. Ele criou um dos mais lendários detetives particulares do gênero, ao lado dos imortais Sam Spade (de Dashiell Hammett) e Philip Marlowe (Raymond Chandler). Ao contrário dos colegas investigadores, contudo, Lew Archer sempre foi mais passional, freqüentemente se apaixonando por damas de moral duvidosa. Também era menos durão, preferindo elucidar as intrincadas tramas criadas por MacDonald usando o intelecto e o mínimo possível de força bruta. Como se vê, um personagem perfeito para o ator Paul Newman, que o interpreta em “A Piscina Mortal” (Drowning Pool, EUA, 1975).

Newman já era um astro – bonito, carismático e talentoso – quando assumiu o papel pela primeira vez, em 1966. Por superstição, já que quase sempre interpretava personagens com nome iniciado em H, ele trocou o sobrenome para Harper. O filme “Harper – O Caçador de Aventuras” foi um dos maiores sucessos da carreira do ator, recebendo grande muitos elogios da crítica. Assim, ficou fácil para Paul Newman retornar ao papel, nove anos depois. Thriller inteligente, embora não exatamente brilhante, “A Piscina Mortal” foi adaptado do segundo de vinte romances com o personagem. Trata-se de uma adaptação extremamente fiel, conduzida com competência pelo cineasta Stuart Rosemberg.

Como de hábito nas tramas de MacDonald, esta aqui começa com a investigação de um crime banal. Morador de Los Angeles, Harper é chamado a New Orleans por uma ex-namorada (Joanne Woodward) para investigar uma carta anônima enviada ao marido dela. O detetive fica chocado ao descobrir que a mulher é riquíssima, e já estava casada quando teve um romance com ele. A carta anônima, porém, é apenas o ponto de partida; logo o caso de desdobra em vários outros, que incluem o desaparecimento de um motorista, assassinatos e a briga por um pedaço de terra onde existe uma enorme reserva de petróleo. É o pretexto para que Harper, dono de fino senso de humor (“odiaria pensar que paguei INSS a vida inteira para nada”, responde ele, com um revólver na fuça, à pergunta sobre se gostaria chegar a uma idade avançada), se envolva com meia dúzia de belas mulheres que (quase) nunca dizem a verdade.

O maior mérito de Rosemberg é respeitar a atmosfera cool dos livros de MacDonald. Ele não fez um típico filme noir, apesar de a história estar repleta dos elementos que sempre fizeram a festa do gênero (mulheres fatais, policiais durões, assassinos misteriosos). A bela fotografia de Gordon Willis, como sempre mostrando olho perfeito para tomadas em contraluz, não exagera nos contrastes e passa uma sensação de naturalismo. Além disso, a narrativa é linear, bem didática, algo que favorece a compreensão instantânea da trama e evita que a platéia confunda os muitos personagens, ou encontre dificuldade para apreender as ligações entre tantos crimes diferentes. Paul Newman está ótimo, e o filme é diversão garantida. De ruim, mesmo, apenas a ridícula performance de Melanie Griffith. Reza a lenda que ela foi aconselhada pelos demais atores a investir em cursos de interpretação, mas a julgar pelo restante da carreira da moça, parece que não adiantou muito.

O DVD da Warner é simples, mas OK. A qualidade da imagem (widescreen 2.35:1 anamórfica) é excelente, e o áudio (Dolby Digital 1.0) está bom. Há um trailer e um pequeno documentário (11 minutos) entre os extras.

– A Piscina Mortal (Drowning Pool, EUA, 1975)
Direção: Stuart Rosemberg
Elenco: Paul Newman, Joanne Woodward, Anthony Franciosa, Murray Hamilton
Duração: 108 minutos

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