Profecia III, A

29/06/2006 | Categoria: Críticas

Última parte de trilogia faz diversas referências a episódios bíblicos e acompanha os passos do Anticristo na idade adulta

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

Em termos de narrativa, “A Profecia III – O Conflito Final” (The Final Conflict, EUA, 1981) não traz grandes surpresas aos fãs da série. Se o primeiro filme cobriu a infância do Anticristo e a seqüência mostrou-o na adolescência, nada mais normal que o terceiro e último longa-metragem acompanhe o filho do Demônio na idade adulta. A diferença é que, desta vez, o diretor Graham Baker optou por privilegiar as raízes bíblicas da série, criando uma série de interessantes paralelos entre as trajetórias de Damien Thorn e Jesus Cristo, o que foi uma boa decisão.

Associada à estratégia de abandonar os excessos sangrentos do segundo filme, esta abordagem mais próxima do texto da Bíblia rende um filme de violência menos gráfica, de atmosfera mais parecida com o filme original de 1976, embora esteja bem longe do nível de excelência alcançado pelo trabalho de Richard Donner. A despeito de possuir alguns diálogos pobres e furos em situações de menor importância, é perceptível o esforço do roteirista Andrew Birkin para criar um script consistente.

Para começar, fundamental para estabelecer “A Profecia III” um degrau acima do filme anterior da série foi a decisão de não repetir a mesma linha-mestra da história. Nos outros dois filmes, os enredos giravam em torno do falso pai de Damien, com algumas pessoas tentando avisá-los sobre a natureza maligna do menino (e sendo mortas em acidentes sempre estranhos). Desta vez, o foco recai sobre um grupo de monges remanescentes do mosteiro italiano onde o padre Spilleto (visto no primeiro filme) passou os últimos dias. Os sete padres se incumbem de exterminar Damien Thorn (Sam Neill), que, aos 32 anos, se tornou o presidente da maior empresa multinacional do planeta, e está manobrando para assumir o posto de embaixador dos EUA na Inglaterra, mesmo cargo ocupado pelo pai na produção de 1976.

Seguindo a interpretação de um livro apócrifo da Bíblia, Damien se convence de que a segunda vinda de Cristo está para acontecer, e o filho de Deus nascerá no país europeu. No entanto, além de tramar para exterminar o futuro filho de Deus (novamente anunciado por um incidente astronômico), Damien tem que enfrentar a ameaça dos sete monges. Os italianos conseguiram recuperar os punhais de Meggido (única arma capaz de matar o Anticristo) e, estando a par dos planos do capeta, vão tentar se aproximar dele usando todos os meios disponíveis, para matá-lo e permitir que a reencarnação de cristo cresça sem interferências diabólicas.

Uma das melhores sacadas do roteiro é a criação de diversos paralelos entre famosos episódios bíblicos e cenas da trajetória de Damien na Inglaterra. Há desde referências óbvias, como a perseguição imposta por Herodes ao bebê Jesus, até associações mais obscuras, como o batismo profano de um garoto, com sangue de raposa, em cena que remete ao batismo de Cristo por João Batista. Uma referência a Abraão, bastante engenhosa, ainda permite que o filme se aproxime do clímax com um mistério a resolver, em uma situação que envolve o espectador e o mantém interessado na história.

Por outro lado, apesar dos esforços, o roteiro não consegue solucionar alguns furos bastante óbvios. Por exemplo, como seria possível que um grupo obscuro de sete monges paupérrimos soubesse dia, hora e local do renascimento de Cristo, enquanto o poderosíssimo magnata diabólico não tem acesso à mesma informação, apesar de dispor de todos os meios financeiros para isso? Mesmo admitindo que isso fosse possível, qual o motivo de os italianos jamais tentarem alertar à Igreja Católica sobre esse fato? Como se não bastassem os deslizes, apesar de conseguir sustentar a atmosfera tensa durante a maior parte do longa-metragem, o diretor Graham Baker decepciona ao criar um final rápido demais, inverossímil e sem clima.

A edição vendida no Brasil tem o selo da Fox e é um disco simples. O filme tem boa qualidade de imagem (widescreen 2.35:1 anamórfico) e som OK (Dolby Digital 2.0). O único extra é um comentário em áudio do diretor Graham Baker. O mesmo disco é vendido separadamente e como parte integrante de dois pacotes, “A Profecia: Trilogia” (2000) e “A Profecia: Quadrilogia” (2006).

– A Profecia III – O Conflito Final (The Final Conflict, EUA, 1981)
Direção: Graham Baker
Elenco: Sam Neill, Rossano Brazzi, Don Gordon, Lisa Harrow
Duração: 108 minutos

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