Quem Vai Ficar Com Mary?

12/06/2005 | Categoria: Críticas

Peter e Bobby Farrelly vão fundo no politicamente incorreto e criam comédia de chorar de rir

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★½

Ted Stroehmann (Ben Stiller) freqüenta o psicólogo há 13 anos porque não consegue esquecer uma garota. Mary Jensen (Cameron Diaz) é a estudante com quem ele supostamente deveria ter saído na noite de formatura, se não tivesse sofrido um traumatizante acidente doméstico. Sem a ver desde então, ele decide procurá-la para exorcizar os fantasmas de uma vez por todas e poder seguir em frente com a própria vida. O resumo de “Quem Vai Ficar Com Mary?” (There’s Something About Mary, EUA, 1994) sugere um drama torturante, mas o filme dos irmãos cineastas Bobby e Peter Farrelly é exatamente o contrário: uma sucessão alucinada de gags e piadas politicamente incorretas com capacidade de fazer qualquer um chorar de tanto rir.

Cabe aqui um depoimento pessoal: a primeira vez que vi “Quem Vai Ficar Com Mary?” estava no cinema, durante a inauguração do Multiplex Tacaruna, no Recife, em 1998. Foi uma das sessões mais vibrantes que já pude presenciar. Sala lotada, o público se contorcia de gargalhar a cada piada, em uma sucessão que durou até os créditos subirem na tela. Eu estava sentado em uma fileira de cadeiras que tremia a cada gargalhada histérica de um colega de profissão – é, um crítico de cinema! – que sentava algumas cadeiras à direita. Quantos filmes conseguem provocar uma reação dessas na platéia?

Claro, “Quem Vai Ficar Com Mary?” também desagrada muita gente na mesma medida. Para certas pessoas, o humor politicamente incorreto dos irmãos Farrelly é ofensivo e insultuoso. Dessa vez, eles vão mais longe do que haviam feito em “Debi & Lóide”, disparando piadas envolvendo gays (em certo momento, Ted entra em um banheiro público para urinar, sem perceber que o lugar está repleto de homossexuais) e criando até um personagem que é retardado mental, Warren (W. Earl Brown), irmão de Mary e principal motivo da afeição que a garota nutre por Ted.

Não entendeu? OK, basta retornar brevemente ao filme. A produção abre com uma hilariante canção entoada por uma dupla de músicos sobre uma árvore. Na seqüência, Ted relembra como conheceu Mary, durante uma sessão de terapia. Em um longo flashback, vemos que ele – um rapaz cheio de espinhas e aparelho nos dentes – pôde chamar a atenção da garota simplesmente por ter tentado proteger Warren das gozações de um valentão. A amizade poderia ter evoluído para algo mais, se não fosse o acidente de Ted envolvendo o zíper da calça e uma boa dose de falta de atenção.

De volta ao presente, o terapeuta do rapaz o convence a procurar Mary, o que ele faz com a ajuda de um detetive particular, Pat Healy (Matt Dillon). A caracterização do sujeito já é, por si só, uma piada: bigodinho canalha, camiseta florida e sapatos de couro branco. Healy localiza Mary, sim, mas se apaixona por ela – e essa é só a primeira das peripécias que vão envolver Ted, Pat e outros personagens na luta por chamar a atenção da garota. Merecem destaque, sem dúvida, três das seqüências mais engraçadas já filmadas no cinema norte-americano. Duas envolvem o cachorro de estimação de Mary; a outra flagra a mulher utilizando um certo fluido corporal masculino como gel para cabelos. Se você não rir, belisque-se. Você pode estar morto e não ter percebido ainda.

O Brasil ganhou duas diferentes edições de “Quem Vai Ficar Com Mary?”. A primeira, simples, vem com o filme (em formato fullscren, com áudio em Dolby Digital 5.1). Um trailer, um segmento de erros de gravações e um featurette de bastidores (5 minutos) são os extras. Meio decepcionante, mas se você é fã do filme e gostaria de saber mais sobre ele, a edição de colecionador foi feita para você.

O segundo lançamento da Universal é um disco duplo com nova transferência do filme (dessa vez no formato original, widescreen, e trilha de áudio DD 5.1). Detalhe fundamental: os diretores fizeram uma nova montagem e incluíram nada menos do que 15 minutos de cenas inéditas. Há também uma quantidade astronômica de extras. São três documentários completos (85 minutos), mais oito featurettes (que somam 60 minutos) e dois comentários em áudio (um com os irmãos Farrelly e outro com os dois roteiristas, Ed Decter e John J. Strauss), além de trailers, galeria de fotos e pôsteres e 13 sports promocionais de TV. No meio disso tudo, há entrevistas de todos os atores. Tudo, exceto os comentários, possui legendas. Se você gosta do filme, é um prato cheio.

– Quem Vai Ficar Com Mary? (There’s Something About Mary, EUA, 1994)
Direção: Peter e Bobby Farrelly
Elenco: Ben Stiller, Cameron Diaz, Matt Dillon, Lee Evans
Duração: 119 minutos (124 minutos na versão estendida)

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