Ring: O Chamado

09/03/2005 | Categoria: Críticas

Filme japonês que inspirou sucesso norte-americano é eficiente e bem desenvolvido

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★½☆

O maior fenômeno dos filmes de terror japoneses, o longa-metragem que disparou o culto a esse tipo de filme no Ocidente, não poderia deixar de estar presente no Brasil. “Ring: O Chamado” (Ringu, Japão, 1998) tem um enredo bem conhecido por todos, e ganhou notoriedade porque foi o filme inspirador de um dos mais bem-sucedidos trabalhos do gênero do horror sobrenatural dos últimos anos: “O Chamado”, filme que alçou a bela e competente atriz Naomi Watts a um estrelato merecido. Para além disso, “Ring: O Chamado” foi dirigido por Hideo Nakata, o mestre do gênero em terras nipônicas, o que é uma garantia de qualidade.

Para começar, é difícil falar sobre o longa-metragem sem fazer referência à refilmagem norte-americana, já que milhões de pessoas já a assistiram e a têm em alta conta. Via de regra, críticos costumam atribuir status inferior a refilmagens, pelo muito justo fato de que um dos elementos mais importantes para se medir a qualidade de uma película, que é a originalidade, não existe nelas. Neste caso, a história não é diferente, já que “O Chamado” (o remake) tem uma trama praticamente idêntica a “O Chamado” (o original), inclusive com diversas seqüências copiadas praticamente plano por plano.

Mesmo assim, há diferenças sutis que podem ser atribuídas à esfera da cultura cinematográfica estabelecida em cada país. “The Ring” pertence à tradição habitual de Hollywood. Sua trama é mais redonda, mais fechada e mais explicativa, além de incluir um flerte romântico entre dois dos personagens principais, algo ausente no longa japonês. Já “Ringu” dá preferência à atmosfera sombria, tem menos sustos – mas eles são bem fortes, quando aparecem – e os personagens permanecem envoltos em dúvidas até o final. A rigor, não há em “Ringu” uma solução definitiva do mistério, como a versão americana se preocupa em entregar.

A história do filme é simples, e enfoca a investigação de uma jornalista (Nanako Matsushima) que teve uma sobrinha morta em condições misteriosas, talvez em razão de uma maldição. Qualquer pessoa com acesso a uma misteriosa fita em VHS, reza a tal lenda, será morta em sete dias. Quatro jovens, inclusive a sobrinha da jornalista, parecem ter sido vítimas da maldição. A mulher começa a investigar o caso, acha a fita, a assiste e recebe um telefonema assustador, que a faz acreditar que a lenda pode ser real. Ela precisa, então, correr contra o tempo para evitar a própria morte.

O ritmo de “Ring: O Chamado” é lento, e a investigação por vezes parece ficar sem suspense. A fotografia desoladora, que quase sempre mantém os personagens em planos individuais, acentua o caráter solitário da trama, algo muito importante para a solução do mistério. Se o conteúdo da fita, no caso norte-americano, é mais recheado (há uma seqüência perturbadora envolvendo cavalos que não existe no filme original, e essa é certamente a melhor contribuição do diretor Gore Verbinski à obra de Hideo Nakata), o original nipônico acerta ao mostrar o casal divorciado como pessoas magoadas e com uma ferida ainda aberta, outro elemento capaz de reforçar o isolamento emocional da protagonista. Em resumo: em “Ringu”, a personagem feminina é melhor desenvolvida.

Um dos grandes problemas do original japonês é a péssima qualidade do DVD nacional. As imagens estão no temível formato fullscreen, que mutila o original ao cortar os lados da imagem. O som existe em trilha Dolby Digital 5.1, em japonês, mas não há nenhuma extra, com exceção de trailer. A distribuição foi feita pela distribuidora independente Califórnia Vídeo.

– Ring: O Chamado (Ringu, Japão, 1998)
Direção: Hideo Nakata
Elenco: Nanako Matsushima, Rikiya Okata, Hiroyuki Sanada, Miki Nakatani
Duração: 96 minutos

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