Roy Colt e Winchester Jack

21/03/2007 | Categoria: Críticas

Faroeste espaguete assinado por Mario Bava decepciona com trama confusa e desleixo visual

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★½☆☆☆

O italiano Mario Bava entrou para a galeria dos cineastas de horror mais influentes dos anos 1960 com uma série de filmes góticos, fortemente estilizados, como “Black Sunday” (1960) e “As Três Máscaras do Terror” (1963). Mas Bava não filmou apenas histórias de bruxas e vampiros. Ele também assinou thrillers e faroestes espaguete. Dentro deste último gênero, “Roy Colt e Winchester Jack” (Itália, 1970) foi um dos que se tornaram mais conhecidos. Trata-se de um western cômico-pastelão decepcionante, que chama a atenção pelo desleixo das atuações e pela história repleta de disparates.

Reza a lenda que Mario Bava não era exatamente um fã de faroestes espaguete, mas enfrentava dificuldades para conseguir trabalho, na virada entre as décadas de 1960 e 70. É compreensível, já que a indústria cinematográfica italiana vivia, na época, um boom de westerns, devido ao grande sucesso das produções de Sergio Leone. Para se manter ativo, Bava topou dirigir uma produção inspirada em “Butch Cassidy e Sundance Kid” (1969), faroeste cômico que mostrava as aventuras de dois simpáticos vigaristas. Ele jogou fora o roteiro e apostou nos improvisos, o que acabou se revelando má idéia.

Para começar, a história apenas requenta alguns clichês dos faroestes espaguete, misturando-os com toques do recém-lançado sucesso com Robert Redford e Paul Newman. A rigor, o filme apenas acompanha a jornada dos dois ladrões do título, pelos desertos e pradarias do oeste, em busca de um tesouro enterrado. Entre tapas e beijos, eles são perseguidos por um terceiro bandido ameaçador (Teodoro Corra) e dividem o amor de uma índia (Marilu Tolo, cuja beleza é evidente, mas não lembra nem de longe uma nativa americana). Ou seja, o esqueleto da narrativa é claramente roubado de “Três Homens em Conflito” (1966), a obra-prima de Leone.

Há pouco que se salva em “Roy Colt e Winchester Jack”. As atuações, dignas de um elenco amador, tentam dar ao longa um aspecto cômico, mas fracassam no intento. Bava não tem vergonha de reaproveitar locações de outros filmes, em Almería (Espanha), sem ao menos tentar maquiá-las (observe que o saloon onde Roy tenta recrutar homens para perseguir o Reverendo é o mesmo de “Django”, de Sergio Corbucci). O trabalho de câmera, sempre um ponto forte do diretor, parece desleixado, caprichando apenas em uma ou outra tomada mais elaborada. Há equívocos também na edição mal feita, que prioriza tomadas longas demais e fazem as piadas perderem o timing.

O DVD simples leva a marca da Ocean Pictures. Sem extras, o disco conta apenas com o filme. A qualidade da imagem é regular (widescreen 1.85:1 anamórfica), com alguns arranhões. A faixa de áudio original, em italiano (Dolby Digital Mono), é péssima, trazendo ondas intermináveis de eco nas falas dos atores. Prefira a dublagem pífia em português, que pelo menos é audível.

– Roy Colt e Winchester Jack (Itália, 1970)
Direção: Mario Bava
Elenco: Brett Halsey, Charles Southwood, Marilu Tolo, Teodoro Corra
Duração: 85 minutos

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