Scooby Doo

22/09/2003 | Categoria: Críticas

Cachorro digital e almofadinhas norte-americanas transformam desenho animado bacana em filme intragável

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★☆☆☆☆

Aqui está um caso clássico de exceção que confirma uma regra. A melhor coisa de “Scooby Doo” (Scooby Doo, EUA, 2002) é a dublagem brasileira, que recupera as velhas e boas vozes do cachorro falante (Orlando Drummond) e de seu amigo Salsicha (Mário Monjardim). Portanto, pais, esqueçam aquele clichê tradicional das reportagens sobre filmes infantis: dessa vez, fujam das sessões legendadas. Na verdade, se for possível resistir à tentação de encarar os personagens (em carne e osso, na maioria) que embalaram muitas manhãs das décadas de 1980 e 1990, simplesmente fique quieto e esqueça o filme. “Scooby Doo” não vale a pena – a não ser, talvez, para crianças abaixo dos dez anos, que podem ficar animadas por ver personagens de desenho animado se transformarem em gente de carne e osso.

É triste dizer isso sobre o primeiro longa-metragem que traz um dos mais queridos personagens da dupla Hanna & Barbera para a telona. Só que não dá para fugir do óbvio. Scooby Doo é o equivalente norte-americano aos filmes da Xuxa: participações especiais inócuas (repare na banda idiota Sugar Ray e na transfigurada Pamela Anderson), figurinos mais fake do que a versão de Zezé di Camargo para “Wonderful Tonight” de Eric Clapton, toneladas de rapazes e garotas de corpo malhado e cabeça oca. Um filme mal interpretado, mal dirigido e vazio de conteúdo. Uma boa sessão repetida de “Shrek” ou “Monstros S/A” no conforto do lar pode dar muito mais prazer a pais e filhos.

Se você não consegue resistir à tentação de conferir pessoalmente o resultado da transformação da turma em atores de carne e osso, é bom saber que o filme tenta reciclar a fórmula dos velhos desenhos animados, só que esticando-a para 1h27 de duração. Depois de brigarem e se separarem, os cinco amigos se reúnem para um tentar solucionar um mistério no parque temático da Ilha do Terror. O milionário dono do lugar (Rowan Atkinson, o Mr. Bean, péssimo) suspeita que existam assombrações de verdade por lá. Para não estragar a surpresa, basta dizer que o enredo segue por caminhos cada vez mais bizarros e termina com uma surpresinha muito pouco agradável para os antigos fãs do desenho da TV.

Além de tudo isso, o elenco escolhido também não ajuda. Fred Prinze Jr (Fred) e Srah Michelle Gellar (Daphne) desfilam falta de carisma em modelitos tenebrosos de tão coloridos. Linda Cardellini (Velma, autora das melhores falas) e Matthew Lillard (Salsicha) se saem um pouquinho melhor. E Scooby Doo não parece com um cachorro nem aqui e nem na casa da mãe Joana – no máximo, fica igual a um cão feito no computador, o que, claro, de fato ele é. Sem um roteiro decente, sem bons efeitos especiais, sem atores expressivos e sem conteúdo educativo, o que raios um filme pode oferecer ao espectador?

– Scooby Doo (Scooby Doo, EUA, 2002)
Direção: Raja Gosnell
Elenco: Fred Prinze Jr, Sarah Michelle Gellar, Matthew Lilard, Linda Cardellini
Duração: 86 minutos

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