Shrek Para Sempre

08/12/2010 | Categoria: Críticas

Pastiche do clássico “A Felicidade Não se Compra” reinventa franquia do ogro verde e cria diversão acima da média.

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★½☆

Depois de um terceiro exemplar bobo e sem graça, a franquia “Shrek” parecia criativamente pronta para o cemitério (falo do ponto de vista exclusivamente criativo, já que os cofres do estúdio Dreamworks continuaram enchendo com o personagem). No entanto, como as surpresas nunca param de acontecer na indústria cinematográfica, “Shrek Para Sempre” (Shrek Forever After, EUA, 2010) surgiu para mostrar que mesmo o mais surrado dos clichês pode, nas mãos certas, ser revitalizado. A quarta parte da saga do ogro verde é, depois da primeira, a melhor de todas.

De fato, a grande sacada do diretor Mike Mitchell (sim, o mesmo cara que assinou o abominável “Gigolô por Acidente”) foi simplesmente realizar uma recriação da clássica comédia “A Felicidade Não se Compra” (1946), de Frank Capra, com Shrek no lugar do personagem de James Stewart. Além de ser consistente com o conceito criativo da série, que sempre viveu de citações e alusões a filmes antigos, a idéia permitiu a inserção de novos personagens, como o vilão Rumpelstiltskin (o melhor de toda a série), e/ou a reconstrução completa de alguns coadjuvantes que já começavam a se tornar chatos, incluindo o Gato de Botas.

Dessa vez, então, encontramos Shrek enfronhado numa sufocante rotina de ogro domesticado que virou atração de parque temático e pai de três crianças. Insatisfeito com a vida de casado, ele acaba caindo na conversa de um mágico – o já citado vilão – e assinando um contrato em que abdica de um dia de sua vida, em troca de outro em que pode voltar a ser o ogro ameaçador de antes. Assim, o vilão elimina o dia do nascimento de Shrek e cria uma realidade paralela em que ele não existe, e o reino de Far, Far Away é dominado por bruxas; um reino onde os ogros formam uma resistência para combater o tirânico vilão.

Há bastante espaço no filme para a inclusão de citações espertas, algumas delas reconhecíveis apenas por adultos cinéfilos, desde as bruxas verde-acinzentadas que aludem a “O Mágico de Oz” (1939) até o duelo de banjos de “Amargo Pesadelo” (1972). A reinvenção da franquia passa por novos perfis para o Gato, para o Burro e até mesmo para Fiona. A participação do Flautista de Hamelin rende algumas das cenas mais engraçadas do filme, claramente realizado mais para adolescente e adultos do que para crianças pequenas, para quem todo o segundo ato pode parecer, talvez, sombrio demais.

“Shrek Para Sempre” é, também, o primeiro exemplar da franquia a ser realizado diretamente na tecnologia 3D digital, usada aqui com sabedoria. Sem exagerar nos sustos em que objetos são atirados na direção da platéia (e sem abdicar totalmente deles), a equipe de animadores usa a profundidade de campo extensa para criar uma encenação mais interessante do que normalmente se vê em animações infantis. Some-se a isso tudo um trilha sonora que inclui pastiches bem bolados de criações de Bach e o resultado é diversão acima da média.

O DVD da Universal traz o filme com boa qualidade de imagem (widescreen anamórfica) e áudio (Dolby Digital 5.1).

– Shrek Para Sempre (Shrek Forever After, EUA, 2010)
Direção: Mike Mitchell
Animação
Duração: 93 minutos

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