Solomon Kane

15/02/2011 | Categoria: Críticas

Consórcio de pequenas produtoras européias tenta montar uma franquia capa-e-espada e produz um genérico inferior de “O Senhor dos Anéis”

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★☆☆☆

Nos meses que se seguiram ao sucesso avassalador da trilogia “O Senhor dos Anéis”, praticamente todos os grandes estúdios tentaram produzir franquias que aproveitassem o ressurgimento das fantasias de capa e espada, povoadas por criaturas fantásticas e seres sobrenaturais. Os estúdios menores demoraram um pouco mais a entrar na corrida do ouro, mas o fizeram. “Solomon Kane – O Caçador de Demônios” (EUA/França/Reino Unido/República Tcheca, 2009) é produto de uma associação de pequenas produtoras européias que tenta surfar, com certo atraso, na onda dessa febre medieval. Não é preciso mais do que alguns minutos de projeção para que a desconfiança se confirme: o filme não passa de um genérico de qualidade anos-luz inferior ao original.

Curiosamente, o personagem-título surgiu alguns anos antes que J.R.R. Tolkien criasse a Terra Média, nos anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. Solomon Kane (James Purefoy) foi inventado pela mente fértil de Robert E. Howard (criador de Conan) e estrelou revistas pulp nos anos 1930, antes de ser deixado de lado durante algumas décadas e ressuscitar para o cinema no século seguinte. Na literatura, ele era um mercenário violento que liderava um exército pirata, especializado em devastar e saquear cidades na África e no Oriente, até ter um encontro sinistro com o demônio, em busca da alma dele. Fugindo da ameaça infernal, ele se refugiava por um tempo num mosteiro, antes de se tornar um peregrino que usava a habilidade na espada para espalhar a fé e combater injustiças. Nada que seja novidade para os fãs desse tipo de personagem.

Convocado para pilotar o primeiro longa-metragem de uma suposta trilogia, o diretor inglês Michael Bassett faz um trabalho burocrático, investindo num roteiro que se limita a recriar a antiqüíssima batalha Bem x Mal sem se preocupar com caracterização de personagens ou com motivações emocionais interessantes. Utilizando uma paleta de cores escuras e explorando uma atmosfera mais sombria do que a média desse tipo de filme, “Solomon Kane” tem efeitos digitais de segunda categoria e aposta num elenco com alguns rostos conhecidos pontuando uma multidão de figurantes vestidos com sobretudos rasgados, chapéus e espadas que parecem surrupiados do set de “Van Helsing”, de 2004 (note como o figurino do herói, com capa e chapéu escuros, lembra bastante as roupas do herói do filme de Stephen Sommers, uma semelhança acentuada pelo porte físico de Purefoy, muito parecido com o de Hugh Jackman).

A trama, escrita como um filme de origem do personagem, focaliza a transformação (abrupta e muito pouco gradual) do ex-pirata num paladino da justiça, mas incorre numa série de deslizes dramatúrgicos típico de produções que desejam parecer maiores do que são. Após uma abertura-padrão que empresta efeitos digitais de “O Retorno do Rei” (mais exatamente da seqüência em que três dos heróis de Peter Jackson convocam um exército fantasma para a luta), o filme mostra a tentativa frustrada de Kane tornar-se um monge e, depois, numa cruzada para salvar uma garota (Rachel Hurd-Wood) das garras do feiticeiro Malachi (Jason Flemyng, escondido atrás de uma máscara). Essa jornada vai levá-lo a um previsível acerto de contas com o passado e também a um novo encontro com as forças sobrenaturais. Nada que você não tenha visto antes com melhor qualidade.

– Solomon Kane – O Caçador de Demônios (EUA/França/Reino Unido/República Tcheca, 2009)
Direção:Michael Bassett
Elenco: James Purefoy, Jason Flemyng, Pete Postlethwaite, Max von Sydow
Duração: 104 minutos

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