Sorriso de Mona Lisa, O

06/08/2004 | Categoria: Críticas

Além do sorriso de Julia Robert, longa tem roteiro pobre e poucos elementos de destaque

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★☆☆☆

Professor progressista é contratado para ensinar em escola conservadora para burgueses abastados nos Estados Unidos. Por causa das idéias liberais e do comportamento idem, o mestre entra em choque com alguns alunos, outro tanto de pais e, claro, com a direção da escola. Essa sinopse resume, com perfeição, o drama “Sociedade dos Poetas Mortos”, do australiano Peter Weir. Mas a crítica é de outro filme: “O Sorriso de Mona Lisa” (Mona Lisa Smile, EUA, 2003).

O desempenho do filme de Julia Roberts nas bilheterias foi bastante fraco, especialmente se for considerado que ela está acompanhada de atrizes com muito potencial junto a uma camada de público adolescente (Julia Stiles em especial, e a agora estrela Kirsten Dunst, depois de “Homem-Aranha”). Em certa medida, “O Sorriso de Mona Lisa” foi prejudicado pela frieza na recepção da crítica, que martelou incansavelmente no assunto da ponte entre os dois filmes.

Realmente, não há como deixar passar tamanha semelhança. Fui ao cinema tentando, de todas as formas, encontrar outras brechas por onde começar a falar do longa-metragem. Não consegui; até mesmo uma sociedade secreta derivada do longa-metragem de Peter Weir existe aqui, bem como o uso exagerado de paisagens geladas como forma de evocar o estado de espírito da professora vivida por Julia Roberts: a melancolia.

O que tenho a dizer em defesa de “O Sorriso de Mona Lisa”, contudo, é que ele az parte de uma linhagem de filmes. Não se trata de uma mera cópia carbono (ou de saias) de uma outra película. A temática da passagem da adolescência para o mundo adulto, entremeada pelo choque entre idéias conservadoras e liberais, sempre foi uma favorita no cinema produzido nos Estados Unidos.

Mesmo assim, é preciso dizer que “O Sorriso de Mona Lisa” não exibe nada de especial. O diretor inglês Mike Newell (de “Quatro Casamentos e Um Funeral”) não parece ter captado a essência desse filme especialmente norte-americano. Assim, ele passeia entre clichês (o interesse romântico da protagonista, os conflitos internos da principal antagonista) com mão pesada, o que permite a qualquer espectador com certa vivência dentro das salas de cinema adivinhar cada avanço da história pelo menos 20 minutos antes dele ocorrer de fato.

Voltando à comparação, deve-se dizer que o drama de Peter Weir foi beneficiado por um desempenho enérgico do protagonista (Robin Williams) e por uma grande coesão do roteiro. O texto de “Sociedade dos Poetas Mortos” jamais se perde em subtramas (os conflitos pessoais de cada aluno), concentrando-se nas aulas e encontros entre professor e alunos. Já “O Sorriso de Mona Lisa” tem seu maior defeito justamente nesse detalhe: apesar das mais de duas horas de projeção, o filme passa pouquíssimo tempo dentro da sala de aula, o que dificulta a identificação do espectador com os alunos, ou com a professora.

Dessa forma, o longa-metragem percorre um caminho meio tortuoso, transformando cada personagem em protagonista do que parece ser uma coleção de pequenos curtas-metragens sobre o fim da inocência. A amarração final desses filmetes acontece de forma previsível, sem nenhuma surpresa, com exagero no uso da bela arquitetura e da natureza exuberante das locações. Só isso, nada mais.

– O Sorriso de Mona Lisa (Mona Lisa Smile, EUA, 2003)
Direção: Mike Newell
Elenco: Julia Roberts, Kirsten Dunst, Maggie Gyllenhall, Julia Stiles
Duração: 125 minutos

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