S.W.A.T.

09/05/2004 | Categoria: Críticas

Tiros, explosões, perseguições de carro, corpos malhados e roteiro furado: mais um longa-metragem tradicional de Hollywood

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★☆☆☆

Era uma vez um cinema em que a literatura estava estabelecida como a principal fonte de inspiração para filmes. Hollywood, até o fim dos anos 1990, era assim. Mas isso está mudando. Talvez devido ao fato de que todos os grandes livros já foram filmados, talvez devido à cultura da imagem, que faz com que os livros sejam cada vez menos notados, até pela indústria do cinema. Ultimamente, as séries de televisão vêm rendendo longas-metragens com bastante freqüência. “S.W.A.T. – Comando Especial” (S.W.A.T., EUA, 2003) é o exemplo mais recente.

A pergunta básica sobre o trabalho é se ele traz alguma novidade, algum elemento que o diferencie das dezenas de filmes de ação que chegam aos cinemas todo ano. A resposta também é básica e bastante previsível: não. Basicamente, “S.W.A.T.” foi programado meticulosamente para virar um dos maiores blockbusters da temporada. Tem um elenco jovem, atraente e musculoso (Colin Farrell, Michelle Rodriguez), um veterano carismático (Samuel L. Jackson) e muitos tiros, sopapos e explosões. O que falta é roteiro e, claramente, alguma identidade com a série policial clássica dos anos 1970 em que foi baseada.

Claro que a ausência de uma trama com substância não explica muita coisa, já que há filmes de montão por aí que fazem fortunas sem precisar de textos consistentes. “S.W.A.T.”, contudo, se ressente de ritmo e/ou de um trabalho mais bem elaborado em cima dos personagens. O cineasta Clarck Johnson mostra alguma perícia nas cenas de maior movimento, mas não consegue equilibrar ação e desenvolvimento de personagens, algo fundamental para fazer funcionar um filme de 117 minutos que se apóia apenas no cotidiano de seis policiais.

Para começar, não há ritmo. O fiapo de trama em que o filme se sustenta só é apresentado ao espectador mais de uma hora depois do início da projeção. Como o trailer e o marketing feito em torno da película já esclarecem tudo, não faz mal algum lembrar: um traficante francês de drogas e armas, preso por acaso nos EUA, oferece uma recompensa de US$ 100 milhões para quem tirá-lo da cadeia. E faz isso ao vivo, na TV, em horário nobre. O resultado é que no dia seguinte, quando a S.W.A.T. tem que removê-lo para um presídio federal, Los Angeles já se tornou um campo de batalha lotado de criminosos.

A primeira hora de projeção, contudo, não tem nada disso. O tempo é gasto na apresentação da equipe de elite da S.W.A.T., um grupo montado pelo sargento Dan Harrelson (Jackson) com tiras violentos e/ou renegados. Ao invés de investir na construção meticulosa das personalidades de cada um, o roteiro prefere abrir espaço para exibi-los sem camisa, bebendo cerveja, arrotando e gritando palavrões uns com os outros. Quando o filme começa de verdade, já é tarde demais para atrair a atenção de um espectador amaciado pela lentidão da trama.

Para fãs de filmes de ação, há pelo menos algumas cenas bacanas na meia hora final, especialmente quando um jato Learjet precisa pousar na cabeceira de uma ponte de Los Angeles. Também há uma trilha sonora estridente, pontuada por rock de qualidade variável (em uma determinada seqüência, ouvimos Jimi Hendrix seguido de Linkin’ Park), em que o tema assoviável da série de TV é massacrado sem piedade. O que mais?Uma quantidade considerável de tiros, perseguições de carro, explosões e socos, antes que o final previsível apareça. Quem gosta do gênero sabe bem o que esperar. Esses não devem se decepcionar. Mas quem tinha alguma esperança de lembrar da velha S.W.A.T. (provavelmente a de Harrelson, quando ele era mais novo), esses podem esperar pela próxima série a virar filme.

– S.W.A.T. – Comando Especial (S.W.A.T., EUA, 2003)
Direção: Clark Johnson
Elenco: Samuel L. Jackson, Colin Farrell, Jeremy Renner, Michelle Rodriguez
Duração: 117 minutos

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