Swingers – Curtindo a Noite

18/09/2006 | Categoria: Críticas

Cult dos anos 1990 é comédia barata feita por um bando de amigos sobre eles mesmos

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★½☆

A vida de um aspirante a ator em Los Angeles pode ser dura, mas certamente tem diversão. Este é o mote que conduz a ação da comédia “Swingers – Curtindo a Noite” (EUA, 1996), um dos filmes mais cult dos anos 1990. A produção, charmosa e divertida, tem como maior curiosidade o fato de ter sido baseada livremente nas vidas do próprio grupo de amigos que trabalha nela, na frente e atrás das câmeras. O enredo trata de um grupo de amigos que luta por um lugar ao sol na indústria cinematográfica, enquanto caem na farra, e esse grupo de amigo era mesmo formado por atores e técnicos que deram vida ao longa.

O longa-metragem lançou as carreiras de muita gente boa que viria a despontar em Hollywood nos anos seguintes. A lista é longa: o roteirista Jon Favreau (que depois se destacaria como ator e diretor), os atores Vince Vaughn e Ron Livingston (comediantes, especialmente o primeiro, protagonista de um dos filmes mais populares de 2005, “Penetras Bons de Bico”), o diretor Doug Liman (que depois faria o pop “Vamos Nessa” e a aventura “A Identidade Bourne”), o editor Stephen Mirrione (de “Traffic”) e muitos outros.

Basicamente, em meados dos anos 1990, todo esse pessoal vivia nos subúrbios de Hollywood, procurando por trabalho na indústria do cinema. A idéia de transformar o estilo de vida despojado que eles levavam em um longa de ficção partiu de Jon Favreau. Candidato a ator e diretor, ele mesmo escreveu o roteiro, baseando-se na própria realidade que experimentava: um rapaz de Nova York, dando duro para conseguir trabalho em filmes ou comerciais, enquanto tentava superar o rompimento doloroso com a namorada, que havia ficado do outro lado do país. Os dois amigos que lhe ajudaram a segurar a barra na vida real acabaram escalados para interpretar suas versões ficcionais: Vaughn e Livingston.

“Swingers” é um filme movido a diálogos rápidos e bem sacados, humor adolescente (esperto, jamais bobo) e música retrô de boa qualidade, principalmente jazz. Os personagens enfrentam situações totalmente identificáveis por gente da mesma faixa etária – na seqüência mais lembrada do longa, Mike Peters (Favreau) deixa seis recados consecutivos na secretária eletrônica da garota que ele acabou de conhecer, numa boate, às duas e pouco da matina. É hilariante, e você não vai precisar de muito esforço para lembrar de situações parecidas que viveu quando tinha 20 ou 25 anos. “Swingers” está encharcado de um charme universal que é a maior qualidade do longa. Para completar, realiza citações inteligentes de outros filmes cult, como “Os Bons Companheiros”, de Scorsese.

Outro ponto alto é a aura de autenticidade que a ação passa ao espectador, o que é natural, considerando que o trabalho da equipe regida por Doug Liman praticamente se limitou a registrar em vídeo as situações que a turma vivia na vida real. Todas as locações, inclusive os cassinos em Las Vegas (onde a equipe filmou sem permissão e acabou expulsa pela polícia), são verdadeiras. O apartamento de Mike Peters é realmente o lugar onde Jon Favreau vivia na época, e o carro vagabundo que Trent Walker (Vaughn) dirige, durante a viagem à cidade do jogo, pertencia de fato ao ator/roteirista. Ou seja, aqui está uma espécie rara e esquisita de cinema-verdade, que é ao mesmo tempo divertido e espontâneo.

Os fãs brasileiros têm que se contentar com a versão em VHS do longa-metragem. Já nos estados Unidos, a edição mais completa vem lotada de extras: comentário em áudio com o diretor e o e editor Stephen Mirrione, outro reunindo Vince Vaughn e Jon Favreau, um documentário completo, cenas cortadas e diversos featurettes, enfocando até mesmo a subcultura comportamental gerada pelo filme nos aspirantes a atores. O filme em si tem enquadramento correto (wide 1.85:1 anamórfico) e som OK (Dolby Digital 2.0).

– Swingers – Curtindo a Noite (EUA, 1996)
Direção: Doug Liman
Elenco: Jon Favreau, Vince Vaughn, Heather Graham, Ron Livingston
Duração: 96 minutos

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