Tenacious D – Uma Dupla Infernal

16/08/2008 | Categoria: Críticas

Besteirol metálico repleto de participações especiais chama a atenção pelas canções e tem momentos divertidos

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

Você conhece ou já ouviu falar numa banda-piada brasileira de heavy metal, a Massacration? Então tem uma boa chance de imaginar como funciona a Tenacious D, dupla formada pelo ator Jack Black e pelo músico/comediante Kyle Gass. A semelhança ultrapassa, inclusive, a sonoridade e o conceito, já que os dois grupos surgiram em quadros televisivos na MTV e acabaram migrando para os palcos de verdade, inclusive lançando discos. A diferença é que a banda norte-americana chegou também ao cinema, através do musical cômico “Tenacious D – Uma Dupla Infernal” (Tenacious D – The Pick of Destiny, EUA, 2006), espécie de besteirol metálico repleto de participações especiais.

Repleto de referências sexuais pouco sutis e exibindo números musicais divertidos, o longa-metragem segue a linha do clássico “Isto é Spinal Tap”, evitando se levar a sério e fazendo graça com a tradicionalíssima crença (muito norte-americana) a respeito da suposta intimidade entre o Diabo e o rock’n’roll. Soa como uma versão adulta, censura 18 anos (ou X-Rated, como se diz nos Estados Unidos), da comédia despretensiosa “Escola do Rock”, também estrelada por Jack Black. Cinéfilos talvez tenham alguma dificuldade para reconhecer os astros Ben Stiller e Tim Robbins, em participações especiais hilariantes. Roqueiros também são agraciados os convidados Ronnie James Dio e Dave Grohl (Nirvana e Foo Fighters), este último irreconhecível, debaixo de maquiagem pesada, no nobre papel de Satã (eu mesmo só soube que era ele depois de ler uma matéria sobre o filme).

A história faz referência direta à lenda macabra que nasceu com o blueseiro Robert Johnson, ainda na década de 1930. Na época, muita gente acreditava que o guitarrista havia vendido a alma ao Demônio para virar ás no instrumento – e daí para a frente, muitos outros músicos foram acusados de ter feito o mesmo. O roteiro, escrito pelos dois integrantes do Tenacious D em colaboração com o diretor Liam Lynch, narra uma versão ficcional para o nascimento da banda. Após se encontrarem, nas tradicionais apresentações de rua no paraíso doidão de Venice Beach (Califórnia), os dois músicos passam a dividir um apartamento e tentam compor um clássico do rock, o que se revela tarefa quase impossível. Para facilitar o trabalho, os dois iniciam uma busca por um legendário artefato diabólico: a Palheta do Destino, feita com o pedaço de um dente do Diabo. Quem tocar guitarra com ela, diz a lenda, tornar-se-á um virtuoso instantâneo.

As participações especiais constituem um dos pontos fortes do filme. Ben Stiller e Tim Robbins fazem papéis curtos, mas engraçados e essenciais, e Colin Hanks aparece em uma ponta estilo “piscou-perdeu”. Mas o melhor do filme está nas canções (todas compostas por Black e Gass), que estão longe de serem músicas isoladas da narrativa. Elas funcionam como pequenas óperas metálicas, contribuindo para fazer a história avançar. Cheque, por exemplo, o primeiro número musical, que tem trechos cantados por Meat Loaf (no papel do pai de Black) e por Ronnie James Dio. Tente não gargalhar com o hilariante número em que Jack, alucinado após comer um monte de cogumelos aditivados, sonha com o Pé Grande. E, no clímax do filme, divirta-se com um duelo musical delicioso, incluindo um surreal encontro sobrenatural que lembra um cruzamento muito louco entre um episódio de “South Park” e o excêntrico “O Dia da Besta”, do espanhol Alex de la Iglesia. Coisa fina.

Embora não tenha chegado aos cinemas brasileiros, o longa-metragem foi lançado em DVD em agosto de 2007, pela Playarte. A edição é simples, mantém o enquadramento correto (widescreen 1.85:1 anamórfico) e capricha nas faixas de áudio (DTS 6.1 e Dolby Digital 5.1). Há ainda dois pequenos featurettes cobrindo as gravações.

– Tenacious D – Uma Dupla Infernal (Tenacious D – The Pick of Destiny, EUA, 2006)
Direção: Liam Lynch
Elenco: Jack Black, Kyle Gass, Tim Robbins, Ben Stiller
Duração: 95 minutos

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