Terrível História de Haeckel, A

18/10/2006 | Categoria: Críticas

Variação da história de Frankenstein tem cenas gore, nudez feminina e senso de humor demente

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★☆☆☆

O décimo-segundo filme da telessérie “Mestres do Terror” é um caso atípico de produção marcada por contratempos e improvisos que, apesar dos problemas, resultou em uma obra satisfatória. O filme foi o único que, durante a fase de pré-produção, teve que mudar de diretor. O cineasta que o comandaria, George Romero, teve que se afastar devido a outros compromissos profissionais, e o projeto foi então conduzido por John McNaughton, um dos diretores da série que não pode ser considerado exatamente um mestre.

Na verdade, antes de entrar para a galeria de mestres da telessérie, McNaughton não tinha nenhum título de impacto, dentro do gênero horror, no currículo. Até hoje, ele é mais lembrado pelo suspense “Henry – Retrato de um Assassino” (1986). A primeira incursão dele no subgênero do filme de zumbi, contra todos os pesares, foi positiva. “A Terrível História de Haeckel” (Haeckel’s Tale, EUA, 2005) é uma variação da história de Frankenstein (citado pelos personagens, já que a história fictícia se passa no século XIX e é contemporânea aos acontecimentos descritos pela escritora Mary Shelley) e mistura com eficiência os ingredientes típicos do gênero: cenas gore, nudez feminina e senso de humor demente.

De certo modo, o nome que salta mais aos olhos após uma conferida no filme de 58 minutos não é o de John McNaughton, mas o do romancista e diretor de cinema Clive Barker, de “Hellraiser” (1987). Afinal, Barker é o autor do conto que inspirou o roteiro de Mick Garris (criador da telessérie e autor do quinto episódio, “Chocolate”). Há um forte subtexto sexual que percorre a história, além de sangue e morte em doses abundantes, incluindo um clímax bizarro, engraçado e aterrador ao mesmo tempo, que se passa em um cemitério. Tudo isso é obrigatório na obra de Barker.

A história em si tem um sabor de conto de fadas macabro e é narrada em retrospectiva por uma sinistra senhora (Micki Maunsell), supostamente uma especialista em reviver cadáveres que é procurada por um homem desesperado pela morte da esposa. Com o intuito de alertá-lo para o perigo do que está tentando fazer, ela lhe conta a história do ambicioso estudante de Medicina Ernst Haeckel (Derek Cecil), um homem cujo maior sonho profissional era descobrir o segredo da vida eterna, esperança reforçada depois que ele conhece o misterioso Montesquino (Jon Polito), um necromante (especialista em ressuscitar mortos). Daí para frente Haeckel ganha acesso a um mundo, digamos, diferente.

A locação do cemitério, com lápides de granito, vegetação pesada, muitas sobras e neblina, aparece como homenagem quase explícita ao estilo dos melhores trabalhos do italiano Mario Bava (cheque “A Máscara de Satã”) e ao visual gótico dos filmes feitos pela produtora Hammer. Todas essas produções marcaram época em meados dos anos 1960, e dessa maneira “A Terrível História de Haeckel” acaba cumprimentando um dos mais populares filões do horror cinematográfico. Embora o final, em clima de conto de fadas macabro, destoque um pouco da atmosfera mais realista do resto do filme, o que temos aqui é um média-metragem divertido, que dribla com eficiência a pobreza da produção (observe que há raras cenas panorâmicas e poucos cenários, duas características de filmes baratos). Vale a pena.

O DVD brasileiro ganha lançamento pelas mãos da Paris Filmes. A qualidade geral é fraca. O disco é simples e traz o filme com o enquadramento original de imagem (letterbox 4:3, que preserva o formato 1.77:1), com áudio em dois canais (Dolby Digital 2.0). Como extra, um making of, entrevistas e um featurette sobre a maquiagem. A decepção é maior quando sabemos que a Anchor Bay preparou uma edição bem mais recheada para os Estados Unidos, trazendo o vídeo em formato wide anamórfico (que também preserva o enquadramento original e tem resolução melhor da imagem), som em seis canais (Dolby Digital 5.1) e uma série mais generosa de extras.

– A Terrível História de Haeckel (Haeckel’s Tale, EUA, 2005)
Direção: John McNaughton
Elenco: Derek Cecil, Micki Maunsell, Jon Polito, Leela Savasta
Duração: 63 minutos

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