Todo Poderoso

01/02/2005 | Categoria: Críticas

Comédia transforma repórter de TV em Deus e cria confusões razoavelmente previsíveis

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

A idéia por trás de “Todo Poderoso” (Bruce Almighty, EUA, 2003) não é nova: um sujeito comum recebe, das mãos do próprio Deus, os poderes para reger os habitantes da Terra por um prazo indeterminado. A premissa abre a possibilidade de um filme engraçado e inovador, inclusive com potencial para atacar com cinismo qualquer tema – política, religião, comportamento humano. Mas este é um filme de estúdio e, por isso, o humor se limita a reciclar piadas já conhecidas.

A parceria entre o ator Jim Carrey e o diretor Tom Shadyac já havia rendido uma comédia muito semelhante, seis anos antes. “O Mentiroso” satirizava o mundo dos advogados ao apresentar um ambicioso empregado de uma firma de defensores privados acostumado a jurar as maiores mentiras para proteger os clientes. Por causa de um desejo feito pelo filho, porém, ele não consegue mais mentir. Como é possível imaginar, esse detalhe lhe causa inúmeros problemas.

“O Mentiroso” funcionava muito bem. Esse tipo de filme é o veículo perfeito para Jim Carrey exercitar o talento nato que exibe, sem cerimônia, para o humor físico. Por isso, é natural que a parceria fosse revitalizada num filme semelhante. Como era de se esperar, “Todo Poderoso” pretende ser acessível a um público muito grande, e por isso os roteiristas têm medo de investir fundo nas piadas politicamente incorretas, algo que Carrey faz muito bem.

O ator interpreta Bruce Nolan, um repórter de TV que deseja virar apresentador, mas anda num período de má sorte. Preterido para o cargo por um colega (Steve Carell), ele culpa Deus pelo fracasso. Ocorre que o Todo Poderoso (Morgan Freeman) decide lhe dar uma lição e transfere para o rapaz todos os Seus poderes. Nolan vai descobrir, aos poucos, que ter tanto poder não é exatamente uma moleza.

Não há dúvida de que o filme é engraçado. Freeman e Jennifer Aniston (a namorada de Carrey) estão bem descontraídos, e Carell protagoniza uma das cenas mais hilariantes dos últimos anos no cinema, daquelas de dar câimbras na barriga de tanto rir. O enredo, contudo, é tão irregular quanto previsível, incluindo mesmo uma lição de moral típica desse tipo de filme. “Todo Poderoso” é para rir, mas não para guardar na cabeceira da cama como uma comédia antológica.

– Todo Poderoso (Bruce Almighty, EUA, 2003)
Direção: Tom Shadyac
Elenco: Jim Carrey, Jennifer Aniston, Morgan Freeman, Steve Carell
Duração: 101 minutos

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