Toy Story

27/11/2005 | Categoria: Críticas

Primeiro longa animado em computador, filme da Pixar é adorável e obrigatório

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★★

O que fazem os brinquedos quando não há nenhum ser humano por perto? Essa questão pode não fazer nenhum sentido para um adulto, mas é capaz de deixar qualquer criança encucada. Com um pouco de esforço, qualquer um de nós pode relembrar as brincadeiras de infância; jamais passou pela sua cabeça, na época, o que o seu Playmobil (ou Falcon, ou Barbie, ou Suzy) estava pensando enquanto você o deixava esperando interminavelmente, na hora de tomar banho, para acabar aquela brincadeira?

O norte-americano John Lasseter, craque na animação de personagens em computador, sabia que a idéia não era um desatino, e podia render um bom longa-metragem. Com a bagagem de quem possuía muita experiência – e um Oscar – com curtas-metragens animados, ele convenceu seus sócios na produtora Pixar a financiar um filme de 81 minutos tendo esse conceito como base. O resultado, “Toy Story” (EUA, 1995), se tornou rapidamente um clássicos infantis dos anos 1990. É um filme que renovou um gênero que aparentemente caminhava para uma derrocada: a animação infantil.

Lasseter tinha as ferramentas certas na hora certa. Como um dos visionários que vinha mexendo com animação computadorizada, ele sentia que a hora de criar o primeiro filme de longa-metragem inteiramente feito no computador estava muito perto. E resolveu ser, ele mesmo, o pai da experiência. Que deu 100% certo. Visto hoje, o acabamento dos personagens e cenários de “Toy Story” ainda é deslumbrante. Não é realista, mas tampouco Lasseter desejava algo assim. Ele sempre soube que um filme para crianças não precisa perder o traço cartunesco para fazer sucesso. E assim foi.

O mérito de ser o primeiro longa feito no computador, contudo, não faria de “Toy Story”, por si só, um grande filme. O conceito dos bonecos que vivem suas próprias aventuras quando os donos estão longe é a verdadeira estrela de “Toy Story”. A Pixar entrou no mercado (distribuída pela Disney) com o pé direito, apresentando uma galeria inesquecível de personagens, uma animação de alta qualidade e um roteiro tão eficiente quanto inteligente, para adultos e crianças.

Woody (voz de Tom Hanks) é um caubói clássico, o brinquedo favorito do garoto Andy. Um dia, ele ganha a companhia de um astronauta, Buzz Lightyear (Tim Allen). Com medo de perder a preferência do dono para o boneco tecnologicamente superior, ele dá início a um boicote que acaba com um acidente bizarro: Buzz cai da janela e vai parar na rua. Acusado pelos outros brinquedos de ser o responsável pelo acidente, Woody tenta resgatar o astronauta, mesmo a contragosto. É só o início de uma série de peripécias antes que os bonecos consigam voltar ao quarto de Andy.

“Toy Story” é muito engraçado. Atinge uma combinação perfeita de aventura e comédia, incluindo até mesmo as clássicas seqüências de perseguição (você pode imaginar um grande filme de Hollywood sem uma perseguiçãozinha?), sem perder nunca a coesão e o ritmo. A tecnologia da Pixar ainda garante uma movimentação perfeita dos bonecos, incluindo uma grande variedade de expressões faciais que literalmente dão sentimentos (inveja, gratidão, surpresa, raiva) a seres teoricamente inanimados. Além disso, Buzz e Woody compõem uma dupla cômica invejável, que não fica a dever a o Gordo e o Magro.

Preste atenção, por exemplo, nos diálogos hilariantes da primeira metade do filme, quando o boneco acredita que é realmente um astronauta participando de uma missão espacial. Ele leva muitos minutos para perceber que não passa de um boneco, numa cena antológica – e essa ignorância o transforma, involuntariamente, num dos personagens mais engraçados de uma animação infantil. Chega dos bichos falantes e trapalhões da Disney. A Pixar fazia, ali, as produções animadas ganharem novos parâmetros.

A empresa de San Francisco (EUA) ainda deu partida a uma moda que se tornaria elemento obrigatório nos filmes infantis, a partir de 1995: incluiu uma grande quantidade de gags e piadas que faziam referências a filmes adultos de sucesso. Esse era um ingrediente extra que funcionou à perfeição, pois fez com que o público adulto, que nunca acompanhava os filmes e ia ao cinema somente para levar os filhos e dar uma cochilada, passasse a prestar atenção na trama. “Toy Story” é um adorável desenho animado para pais e filhos. Sem ele, não haveria “Monstros S/A”, “Shrek” e outras obras-primas.

No Brasil, há duas versões em DVD, e elas são muito parecidas. Aambas trazem o corte original (wide 1.77:1) e som de primeira (Dolby Digital 5.1), mas a Edição Especial possui alguns extras, como cenas cortadas, jogo interativo, documentário e introdução de John Lasseter. Não é a versão dupla lançada nos EUA, mas está de bom tamanho.

– Toy Story (EUA, 1995)
Direção: John Lasseter
Animação
Duração: 81 minutos

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