Trapalhões na Guerra dos Planetas, Os

27/09/2005 | Categoria: Críticas

Produção de 1978 do quarteto de comediantes é um dos piores filmes nacionais de todos os tempos

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★☆☆☆☆

Em meados da década de 1970, o quarteto Os Trapalhões viveram o ponto mais alto da incrível popularidade de sua carreira. Tornaram-se estrelas nacionais na Globo e fizeram alguns dos filmes de maior bilheteria brasileira em todos os tempos. “Os Trapalhões na Guerra dos Planetas” (Brasil, 1978) foi feito nessa época. É o primeiro filme de Zacarias com o grupo, e parodia sem pudor nenhum o filme de George Lucas tem mudou a face do cinema no ano anterior. Por essas razões, deveria ser uma grande comédia. Mas não é. Chato, lento, mal escrito, mal interpretado e pessimamente dirigido, o longa-metragem é um dos piores filmes nacionais já produzidos.

Anos depois do lançamento, o próprio grupo reconheceria essas falhas, cometidas principalmente por inexperiência. Às voltas com a mudança de rede de TV (haviam passado da Tupi para a poderosa Globo) e querendo manter o ritmo de uma produção de férias por ano nos cinemas, o grupo resolveu filmar sem planejamento. utilizando equipamento vagabundo de Video Tape comum (ou seja, em fitas de TV, que têm qualidade bem pior, ampliadas depois para película no formato normal dos cinemas, de 35mm), pondo celebridades no lugar de atores e trabalhando sem um roteiro bem amarrado, o grupo alcançou um resultado lastimável. O filme é uma coleção de cenas longas, terrivelmente mal feitas e sem a mínima graça, um artigo de colecionador que deixa entediado qualquer um com mais de oito anos de idade.

A história, se é que se pode falar disso, é um arremedo de “Guerra nas Estrelas”. Os trapalhões são visitados por um alienígena de aparência humana, o príncipe Flick (o playboy Pedrinho Aguinaga), que pede ajudar para derrotar o malvado Zuco, que está escravizando o povo dele. O grupo vai junto. Flick tem a aparência de Luke Skywalker, e Zuco é a cara de Darth Vader. Vários outros personagens, paisagens e situações do filme de George Lucas são satirizados durante a aventura.

O que poderia ser um divertido filme na linha de “Corra que a Polícia vem Aí”, no entanto, se transforma em uma coletânea de esquetes sem ligações entre si, repleta de efeitos especiais paupérrimos (a nave espacial em que o grupo viaja parece coisa dos filmes de Ed Wood). Uma das técnicas usadas à exaustão é a brincadeira com os efeitos proporcionados pelo Video Tape, como o replay (aí, a cena fica sendo repetida zilhões de vezes. As atuações são exageradas, os cenários praticamente não existem não existem, e nem mesmo a famosa química do quarteto está presente. Em resumo, aí está um exemplo de filme que deveria ser evitado a todo custo.

A Som Livre lançou o DVD dentro de um pacote de dez filmes dos Trapalhões. A qualidade de imagem é ruim, e o som é Dolby Digital 2.0, apenas razoável. Há um clipe com cenas do filme (3 minutos) como extra.

– Os Trapalhões na Guerra dos Planetas (Brasil, 1978)
Direção: Adriano Stuart
Elenco: Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Zacarias
Duração: 85 minutos

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