Três Dias do Condor

05/06/2007 | Categoria: Críticas

Trhiller de espionagem com Robert Redford é deliberadamente complexo, mas peca pelo melodrama

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★☆☆

Thriller de espionagem que tenta expor o lado sombrio da política externa norte-americana, “Três Dias do Condor” (Three Days of the Condor, EUA, 1975) é uma típica produção de Robert Redford. Como um dos grandes atores daquela década e também um ativista político eloqüente, o astro estava particularmente interessado, naquele momento, em criticar as ações moralmente obscuras do governo Nixon, expondo essas ambigüidades morais através do conflito entre homens comuns que tentam, sem sucesso, entender os meandros da burocracia do país. Se a história é boa, porém, “Três Dias do Condor” falha ao delinear os personagens principais de forma frágil.

Baseado em um conhecido (nos Estados Unidos) romance de espionagem escrito por James Grady, o filme enfoca o drama de um prestador de serviços da CIA, quebrando a cabeça para entender porque está sendo perseguido por um frio e misterioso assassino (Max Von Sydow) de aluguel oriundo da Europa. O sujeito, Joe Turner (Redford), não é um agente, mas um simples professor contratado para ler livros e revistas, procurando por significados escondidos e mensagens em códigos. Num dia chuvoso em Nova York, todos os colegas de escritório dele foram assassinados de forma fria, e ele só escapou porque estava fora do trabalho no momento da ação criminosa. Mas o que teria provocado tal chacina?

Em pouco tempo, Joe descobre que alguém graúdo dentro da CIA está por trás dos assassinatos. Sendo caçado de forma implacável pelas ruas de Nova York, ele percebe que a única chance de sobrevivência está em descobrir o motivo dos crimes. Desta forma, acredita que pode desmascarar os matadores. Para se manter nas sombras, Joe seqüestra uma mulher (Faye Dunaway) numa loja de roupas e se esconde na casa dela. Aí surge a maior falha do filme: investindo em uma subtrama romântica improvável e melodramática, o roteiro de Lorenzo Semple Jr tenta criar um clima de tensão sexual entre os dois. O artifício não apenas soa artificial e forçado (de que outra forma seria possível enfiar na trama a obrigatória cena de sexo?), mas também desvia a atenção do espectador daquilo que realmente interessa – a intrincada mistura de sangue, política e economia que a obra pretende denunciar.

De fato, o argumento é tão deliberadamente intrincado que passa a impressão, para o espectador mais atento, de ser apenas um MacGuffin (ou seja, um artifício que só tem importância para os personagens, dando-lhes motivação para seguir adiante, mas no fundo não interessa à platéia). Apesar disso, há acertos, e eles incluem a visão realista-pessimista da política externa norte-americana (algo raro em Hollywood), a excelente fotografia desbotada que exibe uma Nova York fria em todos os sentidos, e o ótimo desempenho do ator sueco Max Von Sydow no papel do matador. De resto, os personagens não têm a densidade costumeira que a maior parte dos grandes filmes dos anos 1970 exibia com segurança, o que transforma “Três Dias do Condor” em um thriller de segundo escalão.

O DVD nacional, simples, contém apenas um trailer como extra. A qualidade de imagem (widescreen 2.35:1 anamórfica) é boa, bem como a do áudio (Dolby Digital 5.1).

– Três Dias do Condor (Three Days of the Condor, EUA, 1975)
Direção: Sydney Pollack
Elenco: Robert Redford, Faye Dunaway, Cliff Robertson, Max Von Sydow
Duração: 117 minutos

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