Três Homens em Conflito

16/04/2008 | Categoria: Críticas

Terceiro encontro de Sergio Leone com Clint Eastwood é um dos maiores faroestes da história do cinema

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★★

Após dois encontros em filmes que ajudaram a redefinir o gênero western e alavancar as carreiras de ambos, o cineasta Sergio Leone e o ator Clint Eastwood decidiram se encontrar para um derradeiro trabalho juntos. Entre 1963 e 1966, o diretor italiano havia se transformado de promessa em mestre de um estilo operístico e grandiloqüente de cinema que influenciaria grandes ícones dos anos 1990, como Quentin Tarantino. Já Eastwood estava a um passo de se tornar astro em Hollywood. No terceiro filme da parceria, contudo, ambos se superaram, e a obra acabou por se transformar, com o tempo, em um dos maiores filmes de todos os tempos, um clássico absoluto do faroeste: “Três Homens em Conflito” (The Good, The Bad & The Ugly, Itália/EUA, 1966).

Para jovens que precisam de referências pop, trata-se do filme favorito de Tarantino. Mas “Três Homens em Conflito” é muito mais do que isso – é uma verdadeira aula de cinema estilizado, em que Sergio Leone refina e consagra um estilo operístico de direção. A habilidade excepcional de Leone para construir longas tomadas sem cortes, criando tensão e atmosfera a partir da contraposição de tomadas panorâmicas espetaculares (em geral, paisagens com personagens minúsculos, do tamanho de formigas, em algum ponto da tela) e closes de rostos duros e queimados de sol, transforma o longa-metragem em uma verdadeira sinfonia de imagens e sons inesquecíveis, que evoluem em um crescendo e culminam em uma das seqüências finais mais incríveis que se tem notícia.

O enredo é uma saga épica que narra, com fartas doses de humor e muito estilo na composição visual, a história de três vagabundos que atravessam os desertos do oeste norte-americano, devastados por uma guerra civil, em busca de uma fortuna de US$ 200 mil enterrada em um cemitério. Mas a trama, na verdade, não é tão simples assim; Leone narra em paralelo as trajetórias do trio, fazendo-as se cruzarem e se separarem à medida que a história evolui. Ainda por cima, é narrada sem a mínima pressa – somente após 67 minutos de filme é que dois dos três meliantes ouvem falar, pela primeira vez, do ouro roubado por soldados.

Para entender “Três Homens em Conflito” por inteiro, é preciso saber que o filme possui a trilha sonora mais conhecida entre as mais de 400 compostas pelo maestro italiano Ennio Morricone. Você pode até nunca ter assistindo a “Três Homens em Conflito”, mas vai reconhecer instantaneamente a melodia familiar da faixa-título, repetida, em infinitas variações, ao longo de toda a película: uma mistura de assovios, gritos de coiote, coral masculino e violões. Além disso, há várias seqüências sem diálogos, inteiramente musicais, que funcionam quase como videoclipes de ópera inseridos habilmente na trama. É importante acrescentar que o filme foi concebido dessa maneira. Leone e Morricone escreviam as músicas antes de filmar, algo raríssimo na indústria cinematográfica.

Criar a trilha sonora antes de ter o filme pronto é a mais singular característica de Leone, e talvez o detalhe que mais o aproxima do pupilo mais famoso, Quentin Tarantino. A diferença entre os dois é que Tarantino escolhe as canções que vai usar na trilha sonora enquanto escreve o roteiro; Leone apresentava o texto a Morricone e dava as instruções sobre o tipo de música que desejava. O diretor italiano fazia isso por uma questão de economia, pois os diálogos não eram gravados no set, mas dublados posteriormente. Assim, o uso farto de músicas e efeitos sonoros (ventanias, portas batendo, cavalos trotando, tiros) no lugar de diálogos barateava o custo das produções. Como trabalhava com orçamentos apertados, Leone desenvolveu um estilo que prescindia de palavras. Seus filmes não eram realistas, mas estilizados ao máximo; se passavam em um mundo de fantasia onde, de acordo com a renomada crítica Pauline Kael, “um pistoleiro caminhava um quilômetro ao atravessar uma rua”.

A receita estética da trilogia é rigorosamente a mesma desde o primeiro filme. Os longos planos silenciosos e carregados de tensão, os closes radicais no rosto e nos olhos dos atores, os movimentos de câmera lentos e por vezes surpreendentes (muitas vezes um pequeno desvio lateral da câmera revela uma perspectiva inteiramente nova) são características que Leone soube refinar muito bem nos filmes anteriores; elas atingem seu ponto culminante em “Três Homens em Conflito”, onde quase todas as seqüências possuem composições visuais impecáveis.

O título original explica muita coisa. “O Bom” é o lacônico Blondie (Eastwood), um sujeito de mira excepcional e poucas palavras. Durão, solitário e implacável com o revólver, Blondie tem senso de humor e sabe ser piedoso. É por ele que a platéia torce, porque Angel Eyes, “O Mau” (Lee Van Cleef esbanjando caras e bocas, no melhor momento da carreira), não passa de um caçador de recompensas desalmado e cruel, que só vê dinheiro na frente. O dono do filme, contudo, é Tuco, “O Feio” (o papel da vida de Eli Wallach). O ator faz o contraponto perfeito como o tagarela sócio de Eastwood, em trambiques pelas cidades poeirentas do velho oeste. Ele é o responsável pelas tiradas cômicas mais brilhantes. Vale acrescentar que Leone sabia perfeitamente onde inserir o humor na narrativa (em certo momento, por exemplo, Angel Eyes chama um recruta sem pernas de “meio soldado”).

Com “Três Homens em Conflito” o diretor tinha ambições maiores do que simplesmente entreter a platéia, contando uma história cheia de estilo. Sem jamais esquecer da trama episódica e cheia de reviravoltas, Leone usa as tiradas econômicas de Blondie para oferecer ao espectador um panorama arrasador da terra devastada dos EUA, teorizando sem pose intelectualóide sobre a brutalidade inócua da Guerra Civil; faz isso sem nenhuma pressa, construindo cenas longas e silenciosas. Convém, entretanto, não confundir as coisas. Denúncia social não era importante na agenda de Leone. Grandes cineastas sempre encontram formas de inserir temas socialmente importantes em filmes de pura diversão, e é isto o que ocorre com “Três Homens em Conflito”.

Visto atualmente, o longa pode parecer meio lento. A primeira meia hora é gasta apenas na apresentação dos personagens, e os dez minutos iniciais não têm uma única palavra pronunciada. Leone não tinha interesse na montagem padrão de Hollywood, dinâmica e estéril. Para ele, era importante envolver o enredo em um clima operístico, dramático, que evoluísse em um crescendo, como uma sinfonia. Isto é feito com competência máxima. Os últimos 45 minutos, clímax do longa-metragem, são uma sucessão ininterrupta de grandes momentos do cinema moderno: a explosão de uma ponte (cena que torrou US$ 200 mil, cerca de 12% de todo o orçamento do filme), a descoberta do cemitério (onde a câmera assume um ponto de vista subjetivo, à procura da lápide premiada, e faz um balé de tirar o fôlego ao som da emocionante canção “Ecstasy of Gold”) e o duelo final entre os três pistoleiros, capaz de arrancar lágrimas dos amantes do faroeste.

O primeiro DVD de “Três Homens em Conflito”, lançado no Brasil pela Fox, possui imagens de boa qualidade (widescreen 2.35:1 anamórfico), o que é fundamental nos filmes de Sergio Leone devido aos enquadramentos precisos, e som razoável (Dolby Mono 1.0). Como extra, temos sete cenas excluídas que totalizam 15 minutos (além dos longos 162 da obra original), com áudio original em italiano. A Continental lançou uma versão mais vagabunda, sem as cenas extras.

Já a edição de colecionador, da MGM, é dupla e traz o filme em uma cópia inteiramente restaurada, tinindo de nova, com 16 minutos de cenas inéditas integradas à narrativa e som Dolby Digital 5.1 completamente refeito (e até mesmo regravado, em alguns momentos, com as vozes recriadas por Clint Eastwood e Eli Wallach). O disco 1 ainda traz um comentário em áudio do crítico Richard Schickel (sem legendas), um grande conhecedor de faroestes, que faz observações valiosas sobre o método de filmagem de Leone.

O disco 2 tem como prato principal um documentário em duas partes (40 minutos), com histórias deliciosas de Eastwood, Wallach e do produtor Alberto Grimaldi. Além disso, Schickel faz uma análise completa do estilo de Leone, e um featurette específico trata da trilha de Ennio Morricone. Um curta-metragem sobre a Guerra Civil completa um pacote imperdível para os fãs do faroeste estilizado de Sergio Leone. Vale lembrar que a edição que carrega o selo Cinema Reserve, da Fox, é idêntica à da MGM.

- Três Homens em Conflito (The Good, The Bad & The Ugly, Itália, 1966)
Direção: Sergio Leone
Elenco: Clint Eastwood, Lee Van Cleef, Eli Wallach
Duração: 178 (versão estendida) ou 162 minutos (versão original)

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18 comentários
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  1. Não entendo por que “Era uma vez no Oeste” é sempre tido como superior ao “Três Homens em..”. Claro, tirando Cardinale (mulher mais linda que existiu), ainda sou mais Van Cleef ao Peter Fonda, e a até mesmo a história acho melhor a de “Três homens”.
    A cena do cigarro dado por Clint ao soldado moribundo, a relação do Feio com o irmão padre, e a cena antologica final (toda ela – da corrida entre as cruzes ao tiro na corda), tudo… o faz ser eterno.

  2. Jorge, tenho impressão de que os dois filmes dividem opiniões. Não existe uma predominância assim tão clara do “Era uma Vez…”. E não é pelo fato de eu também preferir “Três Homens em Conflito” (que, como todo leitor daqui do site sabe, é meu filme favorito em todos os tempos).

    Veja a lista do Top 10 do Tarantino, por exemplo. Sabe qual é o primeiro colocado? Bingo!!

    Outra: na lista dos 200 mais de todos os tempos do Roger Ebert, o único Leone é justamente “Três Homens…”.

  3. Adoro esse filme!! adoro Clint!!! Essa trilogia dos dolares é perfeita e esse último filme é o melhor dos tres.. filme marcante que todo mundo deveria ver… várias vezes.

  4. Em matéria de cinema sou o que poderia se chamar de “cenamaníaco” (Colecionador de cenas antológicas) . A mim, as vezes bastam algumas cenas marcantes em um filme , para que eu o considere um boa produção , mesmo que no conjunto , o filme deixe a desejar um pouco, o que não é o caso de “The Good…” evidentemente , até muito pelo contrário, provavelmente esta seja , em minha opinião, a produção que mais reune cenas inesquecíveis na história do cinema . Eu poderia comentar no mínimo , umas 10 cenas assim, entre tantas, poderia citar a da abertura; A da revelação do tesouro que muda o rumo da narrativa; A explosão da ponte, e claro, a do trielo final no cemitério. Mas uma sequencia em particular , eu considero a mais genial já filmada em um faroeste: Trata-se daquela em que Tuco (Wallach) se livra Cabo Wallace (o gordo Mario Brega) na ferrovia. É uma cena tragi-cômica riquíssima nos mínimos detalhes…observem só: No salto forçado do trem, Tuco inteligentemente se protege do impacto com as pedras, usando o corpão do inimigo, que por sua vez se arrebenta todo e na sequencia se livra das algemas que prendia um ao outro, aguardando a passagem de outra locomotiva e se utilizando das rodas do trem e dos trilhos pra cortar a corrente, com o detalhe que todos devem se lembrar: O corpo de Wallace sendo esmagado e arrastado (morte perfeita para um frio torturador) e de Tuco ainda se aproveitando e pegando carona no próprio trem. E Tudo isso foi feito com “exemplar” verossimilhança ! Revelando, antes de tudo , o respeito que Leone e seus roteiristas tinham com sua platéia. Enfim, esta é minha cena . Obrigado pela oprtunidade, espero não ter me excedido…Abraço !

  5. MARAVILHOSO… adoro e meu filho de 15 anos é apaixonado pelo filme… agora, gostaria muito de saber o nome da musica que os soldados cantam enquanto o FEIO é espancado pelo cabo Wallace…

  6. adoro a musica do filme e gostaria de assistilo mais uma vez [musica] de entrada.

  7. Rodrigo, você que já assistiu esse filme N vezes, me explica uma cena: como é que, no meio de uma guerra à luz do dia, Blondie e Tuco conseguem colocar uma bomba em baixo daquela ponte sem serem vistos por ninguém?

  8. Vou responder com outra pergunta: como é que Tuco, correndo de frente para um cemitério tão grande, só consegue vê-lo depois de tropeçar numa lápide? No mundo real não pode, né? Mas no cinema pode! :)

  9. Ótima resposta, Rodrigo. Mas a minha observação é mais absurda ainda. Parece mais uma falha ridícula do roteiro. Quanto ao Tuco, haverá a desculpa filosófica de que “só se enxerga algo quando o mesmo nos faz tropeçar”.
    Não obstante, o filme como um todo é um faroeste estlizado espetacular!

  10. Caro Gilx, com esse seu ponto de vista (parcial) pode jogar no lixo praticamente tudo que foi feito no cinema, na literatura. Joga o Kafka fora, joga Ben Hur, joga o que vc quiser. Mas de uma coisa fique certo: queiram ou não queiram os “intelectuais”, Leone é o maior de todos os diretores, embora tenha uma obra pequena quantitativamente e poucos prêmios (Mas nós sabemos que o rege esses critérios não é o talento, mas questões econômicas e de outra ordem).

  11. Não entendo a comparação entre ‘Era Uma Vez No Oeste” e Três Homens Em Conflito”. Não existe um melhor que o outro. Os dois são bons, aliás, são ótimos, cada um da sua forma! Não entendo tampouco como passei tanto tempo sem assistir aos western de qualidade. Adoro Tarantino e muitas vezes escrevi e falei sobre ele, mas só agora vejo o quanto Sergio Leone o influenciou! Falo particularmente do uso da música. Acho que sem ela, os filmes de ambos perderiam. Adoro aquela cena da tortura em Cães de Aluguel, (quem não gosta de ver um policial sendo torturado?) e só agora vejo que foi um diálogo com a cena em que o “feio” é torturado, só que aqui é um bandido, mas um bandido com o qual nos identificamos e até torcemos por ele. A cena poderia passar despercebida sem a música, mas com ela, o impacto é maior. Mas a maior emoção está mesmo no final. Aqui peço licença para dizer que Leone tem finais magníficos, memoráveis, mas sobretudo por conta da música. A gente fica tonto/a com Tuco no cemitério. A próxima cena é catarse pura, mas não peço mais licença, vão assistir!

  12. Gostaría de saber como baixar a trilha sonora desse filme fantástico e divertido ” três homens em conflito” aguardo resposta. Obrigado.

  13. Faça uma busca no Google ou em mecanismos P2P como Vuze, uTorrent ou eMule. Abraço.

  14. Rodrigo, vc sabe que o western não é meu gênero favorito – seja spaguetti, seja clássico – mas adorei os dois filmes do Leone que vi no São Luiz ! A Janela de Cinema do Recife 2010 já teria se justificado pelo simples fato de nos ter proporcionado assitir à trilogia do dólar nas telas de cinema. A sessão em que vi “Três homens em conflito”, inclusive, será inesquecível: reprise devido ao sucesso da 1a sessão e ainda assim cinema com público atento e numeroso que, ao final, aplaude a arte de Leone. De arrepiar ! Um fecho digno para um filme que traz em seu final cenas antológicas como as já comentadas antes: a de Blondie dando o cigarro ao soldado moribundo, a da corrida no cemitério, a do duelo final entre os três. Vou agora atrás dos outros filmes dele. Sem falar que é muito legal ir descobrindo, ao conhecer estes clássicos, influências de gente de quem a gente gosta, como o Tarantino. Grande abraço !

  15. Realmente um filme arrebatador em todos os sentidos! Fui criado dentro de um cinema (meu pai tinha um) em finais dos anos 60! Então nem é preciso dizer minha paixão pela película. “Três Homens em Conflito” possui todos os ingredientes necessários para quem ama verdadeiramente os filmes de faroeste, as impecáveis atuações do trio central dispensa comentários: Clint Eastwood o bonzinho, o mocinho, o heroi… Lee Van Cleef o maldoso carrancudo… e Eli Wallach rouba a cena como o feio!!! Aliado a isso a direção de Sérgio Leone e a trilha sonora de Ennio Morricone. A famosa canção titulo entrou para a história! Assim também como a melancólica e sofrida canção do soldado momento este enquanto o Tuco levava uma baita surra do impiedoso Lee Van Cleef, pois é, precisa mais! Já em termos de comparações com o filme “Era uma vez no oeste” prefiro não botar minha colher nessa discussão! Amo todos os dois filmes!!! Vale também lembrar que neste filme o pistoleiro Cheyenne vivido por Jason Robards rouba a cena em monumentais interpretações, como sua chegada antológica naquela espelunca (bar do velho oeste), o olhar por baixo da aba do chapéu, o virar de olhos de um lado para o outro, os encontros com a linda e sensual Cláudia Cardinale, e a amizade com o homem da gaita (Harmonica) vivido por Charles Bronson. Filme este que também possui trilha sonora das mais belas também feita por encomenta de Sérgio Leone ao Ennio Morricone. Portanto comparações com estes dois clássicos só vai gerar bate boca desnecessário! Um abraço a todos os amantes do cinema!!! Com carinho do capixaba Renato

  16. em resposta a pergunta do Marcos comentado em 29/04/2009, o nome da música que os soldados cantam enquanto espancam o TUCO, é the story of a soldier, e é realmente muito bonita e triste.

  17. Opa, outro que acha Três Homens em Conflito superior ao Era Uma Vez no Oeste. Assisti por causa do meu pai que vivia procurando uma cópia há um tempo atrás e achou numa locadora. O duelo final entre os três bandidos é impecável. Simplismente perfeita a montagem e a construção de clima, que vai intercalando closes -seja dos olhares ou das mãos prontas a pegar a arma- cada vez mais rápido até um momento em que finalmente tudo acaba rapidamente.

  18. O filme é fera..para quem não tem paciência com os western..vale a pena ver somente a última meia hora do filme..após a chegada no cemitério..Dai pra frente é uma verdadeira aula..qualquer um q ver a sequencia..sem mesmo assistir o filme todo..poderá falar com propriedade que viu tudo de western..muito bom..

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