Triângulo do Diabo, O

05/10/2006 | Categoria: Críticas

Thriller televisivo de 1975 sobre os mistérios das Bermudas é raro de encontrar, mas existe

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★½☆☆

Os desaparecimentos inexplicáveis de barcos, aviões e navios em uma pequena área de oceano localizada ao sul do estado da Flórida, nos Estados Unidos, atiçam a imaginação de milhões de pessoas. Os casos recorrentes de desastres naquela região, chamada de Triângulo das Bermudas, disparam até hoje centenas de teorias conspiratórias que tentam uma explicação para o fenômeno. Fala-se de ataques extraterrestres, anomalias eletromagnéticas, fendas no tempo, pedaços do continente perdido de Atlântida agindo como ímãs gigantes. É o tipo de assunto que fornece fértil terreno para as pessoas mais supersticiosas se esbaldarem.

Claro que o cinema e a televisão não estão imunes a fenômenos de mídia deste tipo. Pelo contrário. Qualquer tipo de especulação envolvendo o Triângulo das Bermudas atiça a imaginação das pessoas de maneira avassaladora. Por isso, há grande quantidade de material de ficção relacionado ao assunto. Um dos filmes mais obscuros a tratar disso, e também um dos mais interessantes, é uma teleprodução antiga muito popular nas sessões de aventura durante as madrugadas da TV brasileira, nos anos 1970 e 80: “O Triângulo do Diabo” (Satan’s Triangle, EUA, 1975).

O longa-metragem leva a assinatura do veterano cineasta Sutton Roley, especializado em filmes produzidos para a TV e sem nenhuma projeção na indústria cinematográfica. Traz, no elenco, a presença de Kim Novak (protagonista do inesquecível “Um Corpo que Cai”, de Alfred Hitchcock). E conta uma história bem na linha do seriado “Além da Imaginação”, apimentada por efeitos toscos de iluminação e um roteiro interessante, que propõe uma solução, digamos, não-ortodoxa (e bastante católica!) para os intrigantes acontecimentos ocorridos dentro do Triângulo das Bermudas.

A história segue dois pilotos da Guarda Costeira da Flórida, chamados para resgatar um barco de aluguel à deriva no meio do oceano. Ao chegar ao veleiro, os dois encontram um cenário intrigante: a tripulação desaparecida, três pessoas mortas de maneira aparentemente inexplicável, e uma assustada sobrevivente (Novak). Um dos policiais, o mulherengo Haig (Doug McClure), aceita passar a noite no barco com a apavorada Eva, enquanto o colega vai buscar ajuda. Juntos, policial e mulher vão tentar desvendar o mistério sobre os eventos ocorridos dentro do barco.

A narrativa equilibra cenas do presente e flashbacks sobre o que aconteceu no veleiro. A ação é compacta, e o telefilme desenvolve corretamente a dinâmica entre o policial e a sobrevivente do desastre, apesar da pobreza das composições visuais, da iluminação mambembe e do excesso de close-ups. As atuações beiram o ridículo, a começar por Novak (inexpressiva até no comentário em off) e terminando no inacreditável Alejandro Rey, intérprete do soturno Padre Martin, que parece chumbado de Valium durante o filme inteiro. A cereja do bolo é o final surpreendente, meticulosamente montado para provocar um susto dos diabos no espectador. Se você gosta de suspenses sobrenaturais com toques de teorias conspiratórias, tem aqui um prato cheio.

Este é um filme quase impossível de encontrar. Ele jamais foi lançado em VHS ou DVD em qualquer lugar, nem mesmo nos Estados Unidos, e também não costuma ser exibido nas redes de TV aberta com freqüência. Se tiver sorte, você pode encontrar uma cópia de má qualidade (imagem em formato 1.33:1 e som Dolby Digital 2.0), sem legendas e com cores gastas, circulando pela Internet. Para saudosistas (como eu) e interessados no tema, pode valer a pena.

– O Triângulo do Diabo (Satan’s Triangle, EUA, 1975)
Direção: Sutton Roley
Elenco: Kim Novak, Doug McClure, Alejandro Rey, Michael Conrad
Duração: 74 minutos

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