Warriors – Os Selvagens da Noite

12/09/2008 | Categoria: Críticas

Longa de Walter Hill tornou-se cult e detonou, sem querer, a criação de gangues de desordeiros juvenis em grandes cidades

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★½☆

O diretor e roteirista Walter Hill atingiu o ponto mais alto da fama, na indústria cinematográfica, com a série policial/cômica “48 Horas”. No entanto, apesar de ter feito bastante sucesso nos anos 1980, a dobradinha de filmes acabou relegada ao esquecimento pelas gerações seguintes de cinéfilos, que preferiram louvar outra obra do diretor: a aventura pós-apocalíptica “Warriors – Os Selvagens da Noite” (The Warriors, EUA, 1979). Concebida originalmente como uma produção de baixo orçamento sem qualquer ambição artística, o longa-metragem capturou a imaginação de milhares de jovens pelo mundo afora, e acabou incentivando, indiretamente, o fenômeno das gangues urbanas, muito comuns nas metrópoles na década seguinte.

Para ter uma idéia da imensa popularidade que a produção granjeou através dos anos, basta conferir a lista dos 50 maiores filmes cult do cinema, elaborada pela revista Entertainment Weekly, uma das bíblias da cultura pop. “Warriors” figura na 16ª posição, à frente de títulos importantes, como a seminal animação japonesa “Akira”. A mesma publicação incluiu o longa em outra lista, que reuniu os 14 títulos mais polêmicos produzidos em Hollywood. No caso, a polêmica se deve ao fato de o filme de Walter Hill ter influenciado, sem querer, a criação das gangues juvenis, que tanto provocaram distúrbios nas grandes cidades. De um modo ou de outro, é fato que “Warriors” continua a atrair admiradores, tanto que Hill reeditou o longa no ano de 2005, para um lançamento especial em DVD.

A origem de “Warriors” vem da literatura. Em 1978, um romance homônimo havia sido lançado nos EUA, com grande sucesso, o que levou a Paramount a encomendar uma versão cinematográfica a Walter Hill. A história original foi livremente baseada em uma lenda grega que remonta a 400 anos antes de Cristo. A lenda falava sobre um grupo de mercenários espartanos que, contratados pelo líder persa Cyrus para ajudá-lo a conquistar o trono do país asiático, acabaram tendo o plano abortado depois que Cyrus foi assassinado durante uma batalha. Assim, os espartanos foram obrigados a abrir caminho entre cidades protegidas pelo exército inimigo para voltar para casa. O escritor Sol Yurick transpôs a história para a Nova York dos anos 1970. Walter Hill realçou o caráter cartunesco da história, vestindo as gangues com uniformes que parecem roubados de histórias em quadrinhos.

Toda a narrativa se passa em uma única noite, e é disparada por um acontecimento trágico. Durante um encontro de gangues no bairro do Bronx, em Nova York, o líder da maior turma é morto a tiros por um desordeiro. A culpa pelo crime, contudo, recai sobre os Warriors, grupo sediado no bairro de Coney Island, do outro lado da cidade. O filme acompanha a odisséia dos nove integrantes dos Warriors na tentativa de voltar para casa, em meio a uma perseguição acirrada promovida por todas as outras gangues e incentivada por DJs de rádios clandestinas. Embora o filme não diga em que época a história se passa, fica bem evidente que não é no presente, mas em um futuro próximo (na verdade, a Paramount pediu ao diretor que retirasse referências futurísticas, por medo de comparações com a série “Guerra nas Estrelas”).

“Warriors” se filia, assim, a um subgênero muito comum na virada entre os anos 1970/80 – as aventuras distópicas, com um pé na ficção científica, que imaginavam para as grandes cidades um futuro negro. A semelhança com “Fuga de Nova York” (1981), por exemplo, é evidente, inclusive na direção de arte e nos figurinos. O uso intenso de locações reais, como estações depredadas de metrô, dá ao filme de Walter Hill um molho realista muito bem vindo. As cenas de luta também são coreografadas de modo decente, especialmente o encontro dos Warriors com os integrantes da Baseball Fury (jovens maquiados e vestidos como atletas de beisebol), no Central Park. Os atores fracos respondem pelo calcanhar de Aquiles da obra, mas o fato de ela ser simples, direta e cheia de energia compensa a falha com sobras.

O DVD nacional é simples e não tem qualquer extra. Enquadramento original (widescreen 1.78:1 anamórfico) e áudio (Dolby Digital 2.0) estão preservados. Nos EUA, uma versão do diretor com pequenas alterações está disponível, em edição especial que contém uma trilha de áudio restaurada (DD 5.1) e também um documentário retrospectivo.

– Warriors – Os Selvagens da Noite (The Warriors, EUA, 1979)
Direção: Walter Hill
Elenco: Michael Beck, James Remar, Deborah Van Valkenburgh, Dorsey Wright
Duração: 93 minutos

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