X-Men 2

20/01/2008 | Categoria: Críticas

Segundo longa-metragem da franquia possui ótimos personagens, um roteiro redondo e cenas de ação espetaculares

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★½

O tratamento que os mutantes dos quadrinhos vêm recebendo em Hollywood deveria servir de exemplo para todos os filmes de super-heróis que serão feitos no futuro. O diretor Bryan Singer comprova, em “X-Men 2” (X2, EUA, 2003), a inteligência com que vem desenvolvendo a franquia. Há tanta coisa acontecendo na tela, durante os 134 minutos do filme, que o longa-metragem poderia ter ficado chato, longo e superficial demais, nas mãos de um diretor menos competente. Singer dribla o problema com muito talento, dosando humor, drama e aventura, e entrega um dos melhores filmes já feitos com base em personagens oriundos de quadrinhos.

“X-Men 2” é a prova definitiva que uma película de super-heróis pode ser cinema de alta qualidade, e náo apenas um caríssimo veículo de propaganda para adolescentes. A segunda saga dos mutantes dos quadrinhos possui tudo o que um grande filme de aventura deve ter: um subtexto inteligente (a intolerância racial), personagens carismáticos e bem desenvolvidos (Wolverine, Magneto, Mística, Jean Grey), cenas de ação de tirar o fôlego (o atentado ao presidente dos Estados Unidos), diálogos bem-humorados e consistentes.

Como bônus, “X-Men 2” ainda evita o tradicional maniqueísmo dos filmes baseados em gibis, que costumam dividir os protagonistas em dois grupos de fronteiras rigidamente definidas – heróis e vilões. Aqui, o vilão supremo do primeiro filme da franquia, Magneto (Ian McKellen) precisa se aliar aos superdotados comandados por Xavier (Patrick Stewart) para salvar a espécie. Os mutantes ficam em perigo depois que o presidente dos EUA escapa, por um triz, de um atentado cometido por um novo mutante, Noturno (Alan Cumming). O evento, mostrado na seqüência de abertura mais espetacular de 2003, desencadeia uma perseguição sem precedentes aos superdotados.

O ser de aparência diabólica que tem a habilidade de se teletransportar é, de longe, a melhor novidade agregada por “X-Men 2” à franquia. A interpretação espetacular de Alan Cumming é capaz de deixar o excelente Wolverine de Hugh Jackman em segundo plano. O sotaque alemão ficou perfeito e a personalidade religiosa e atormentada do mutante, capaz de se auto-mutilar quando comete pecados, transforma Noturno no mais humano de todos os X-Men. É ele o centro em torno do qual o filme gravita.

“X-Men 2” lida de forma exemplar com um problema que enterra 95% dos longas parecidos: o excesso de personagens. Há, pelo menos, 12 pessoas importantes na trama desse filme. Mas Bryan Singer jamais deixa de trabalhar a personalidade de cada uma delas, construindo seres tridimensionais, que têm superpoderes mas não são invencíveis – eles hesitam, têm medo, mudam de lado e de vez em quando também cometem erros. Resumindo, têm conceitos particulares do que é certo ou errado.

As habilidades especiais de cada mutante são exibidas pelo roteiro de forma bem dosada. Todo mundo tem chance de “salvar o mundo”, e uma das maiores provas da inteligência do texto do filme está justamente nas maneiras criativas que Bryan Singer encontra para solucionar cada um dos obstáculos encontrados pelos mutantes. De quebra, ele ainda apresenta, meio que sorrateiramente, uma dúzia de futuros integrantes do time, abrindo as portas para diversas continuações. Por tudo isso, acredito que “X-Men 2″tem lugar reservado entre as melhores produções oriundos dos quadrinhos em toda a história de Hollywood.

No mercado brasileiro, o DVD de “X-Men 2” pode ser adquirido de três maneiras. O disco simples traz, além do filme, um comentário em áudio do diretor Bryan Singer, do editor e compositor John Ottman e do diretor de fotografia Tom Siegel. Outra trilha tem comentários dos produtores Lauren Shuler Donner e Ralph Winter, e dos escritores Michael Dougherty, Dan Harris e David Hayter. O áudio aparece em inglês 5.1 e 5.1 DTS.

O disco duplo traz quatro documentários (dois sobre o filme, um sobre os X-Men e outro sobre Noturno), onze cenas excluídas, seis featurettes (mini-documentários) sobre as gravações, dois sobre a pós-produção do filme, uma seqüência multiângulo (o ataque de Noturno, melhor cena do filme disparada) e mais galerias de fotos e artes publicitárias. Trata-se de um excelente DVD, que pode ser adquirido também num pacote conjunto com o disco duplo que traz o primeiro filme da franquia. Bom programa.

– X-Men 2 (X-Men United, EUA, 2003)
Direção: Bryan Singer
Elenco: Hugh Jackman, Alan Cumming, Ian McKellen, Patrick Stewart
Duração: 134 minutos

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