X-Men

11/03/2005 | Categoria: Críticas

Filme responsável pela nova onda de heróis em Hollywood é aventura eficiente e ágil

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★☆

Não é segredo para ninguém que o diretor Bryan Singer recolocou no mapa dos grandes estúdios de Hollywood o longa-metragem envolvendo super-heróis. O alto custo com efeitos especiais que este tipo de produção exigia manteve, durante quase uma década, os executivos temerosos quanto ao sucesso de longas-metragens baseados em quadrinhos. “X-Men” (EUA, 2000) é o título que mudou isso. Não foi uma mudança qualquer: milhões de dólares foram investidos, daí para frente, em filmes de aventura semelhantes. De repente, cada grande estúdio decidiu abrir sua própria franquia de super-heróis. Uma mudança desse tamanho em Hollywood é algo que poucos filmes conseguiram alcançar. Daí a importância de “X-Men”.

Afinal, o que fez Bryan Singer de tão especial? Basicamente, o jovem cineasta retornou à fonte básica dos filmes de aventura com super-heróis, que é “Superman”, de 1978. Isso significou criar uma trama coerente, com subtexto sólido e de raiz adulta, trabalhar as personalidades dos heróis e vilões com mais personalidade, caprichar nas seqüências de efeitos especiais e dotar a aparência do filme, como um todo, de um toque realista. Somente desse modo a platéia poderia encarar a película como uma aventura que poderia, de fato, estar acontecendo em algum lugar do planeta. Em outras palavras: Bryan Singer tratou o espectador infanto-juvenil com respeito. Só isso.

“X-Men” está longe de ser uma aventura perfeita. O maior problema de Bryan Singer – e ele sabia disso muito bem quando começou a planejar seu filme – era trabalhar o roteiro de maneira eficiente, para que cada personagem mostrado na tela tivesse uma razão para estar ali. Há, ao todo, dez mutantes envolvidos na aventura mostrada pelo filme, além de um senador que exerce papel fundamental no enredo. São dez pessoas com habilidades especiais e personalidades diferentes, circulando em torno de dois grupos, um bonzinho e outro malvado. Como abrir espaço para tanta gente em um filme que, devido a um orçamento relativamente apertado, teria que ter menos de duas horas.

A resposta veio na forma de um roteiro sólido e eficiente, desenvolvido por Singer em parceria com o produtor Tom DeSanto. Robert Kelly (Bruce Davidson) é o senador cujo projeto de lei, se aprovado, vai obrigar todos os mutantes dos EUA a revelar em público suas identidades secretas. Esses mutantes – pessoas com poderes especiais que nasceram assim por problemas genéticos – vivem incógnitos, no mundo inteiro. Magneto (Ian McKellen), um mutante sobrevivente de campo de concentração nazista, não quer isso. Xavier (Patrick Stewart), telepata poderoso que dirige uma escola especial para mutantes, também não. Mas eles discordam quanto ao método de evitar a aprovação do projeto de lei. Magneto quer guerra aberta para exterminar os humanos; Magneto acha que os mutantes têm obrigação de agir para protegê-los, devido aos poderes especiais que possuem.

O filme é uma aventura veloz e inteligente, cujo eco ressoa com força no subtexto audacioso. Na verdade, os mutantes são mostrados por Bryan Singer como uma minoria perseguia por uma maioria autoritária – como os negros, os gays, os judeus e os professores de Matemática. A estratégia do diretor é genial, pois permite que a platéia se identifique com os protagonistas. Além disso, cada mutante tem problemas pessoais que reforçam essa situação de exclusão social: Wolverine (Hugh Jackman, carismático), por exemplo, tem um grande trauma no passado e sobrevive de lutas ilegais em espeluncas. Já Vampira (Anna Paquin) sofre tanto com a habilidade de sugar a força vital daqueles que toca que foge de casa. São problemas exacerbados pela condição de super-heróis, mas problemas, antes de tudo, bem reais, que todos nós conhecemos e compartilhamos.

Nada disso adiantaria, claro, se o filme não utilizasse personagens tão ricos em prol de uma trama original e inteligente. “X-Men” é tudo isso, e também um filme rápido, que passa voando e termina com gosto de quero mais. Há problemas, como o mutante bobalhão Groxo (Ray Park) e alguns diálogos imbecis (“Sabe o que acontece com um sapo que é atingido por um raio?”), mas o longa-metragem passa na média com louvor. Ele seria vitaminado com novos personagens e uma trama ainda melhor na seqüência, essa sim, verdadeiro clássico dos filmes baseados em heróis dos quadrinhos. Mas não esqueça que, sem “X-Men”, a franquia dos mutantes jamais seria possível.

O filme de Bryan Singer saiu no Brasil em DVD em duas edições bem diferentes. A primeira edição é simples, contendo apenas filme (corte original widescreen e som Dolby Digital 5.1), um documentário banal de 20 minutos e um punhado de cenas excluídas da montagem final. Já o disco duplo “X-Men 1.5” saiu para promover o segundo filme da franquia, e traz um segundo disco bem mais caprichado, contendo um documentário de duas horas, dividido em cinco partes, sobre as filmagens. Bryan Singer também comanda uma visita aos sets de “X-Men 2”. No disco 1 dessa edição, você ainda ganha a opção de assistir a uma versão mais longa do filme, com as cenas adicionais “costuradas” entre as seqüências da montagem exibida nos cinemas.

– X-Men (EUA, 2000)
Direção: Bryan Singer
Elenco: Ian McKellen, Patrick Stewart, Hugh Jackman, Halle Berry
Duração: 104 minutos

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