Year & a Half in the Life of Metallica, A

15/04/2005 | Categoria: Críticas

Documentário feito em vídeo digital registra gravação de disco e turnê do Metallica

Por: Rodrigo Carreiro

NOTA DO EDITOR: ★★★★☆

Meio mundo de gente acha que o badalado “Some Kind of Monster” é o primeiro documentário sobre o Metallica a ganhar o formato de DVD. Não é. A honra de ser o pioneiro cabe a “A Year & a Half in the Life of Metallica” (EUA, 1992), projeto que cobriu, por coincidência, o período em que o quarteto californiado passou, de uma das maiores bandas do gueto heavy metal, a ser o maior e mais lucrativo grupo de rock dos anos 1990. No momento em que o vídeo (sim, este não é um filme, pois não foi feito para os cinemas) chegou às lojas, o Metallica era a banda número 1 do planeta.

Este é o maior mérito do longo documentário dirigido por Adam Dubin. Ao contrário do predecessor famoso, “A Year & a Half” não é um retrato muito profundo dos bastidores de uma banda de rock, certamente não no sentido psicanalítico do filme de 2004. De qualquer forma, o vídeo expõe, em quase quatro horas, duas facetas fascinantes para simples mortais que não podem sequer imaginar o que significa viver como um bando de ciganos, entre aeroportos, hotéis e palcos mundo afora: a vida no estúdio (parte 1) e a vida na estrada (parte 2).

Ao contrário do que muitos imaginam, a primeira parte do vídeo (96 minutos) é a mais interessante. O documentário captura o processo de gestação de um dos álbuns mais famosos dos anos 1990, o disco sem título, que os fãs gostam de chamar de “Black Album”. Na verdade, antes mesmo de começar a gravar, os músicos do Metallica tinham tanta fé no material que propuseram o documentário à gravadora, confiando que a gravação se tornaria um clássico do rock, o que acabou de fato acontecendo. Aqui, portanto, o espectador encontra o lado perfeccionista do grupo, brigando no estúdio para construir, segundo a segundo, músicas meticulosamente registradas.

Há inúmeros momentos antológicos no vídeo. A platéia acompanha cada um dos quatro músicos gravando suas respectivas partes. Pode-se ver James Hetfield cantando durante horas uma única linha de uma letra, na tentativa de criar a dinâmica correta, e gravando uma música com diversas guitarras diferentes, apenas para usar o som mais próximo daquilo que ele imagina ser perfeito; Kirk Hammett apanhando da guitarra na tentativa de criar um solo (algo que, eventualmente, ele acaba conseguindo); e Jason Newsted de mau humor por não conseguir extrair o som que deseja do baixo (no final das contas, ele põe o amplificador dentro de uma parede de colchões e acaba ficando satisfeito).

Nesta primeira parte, quase unanimamente considerada um dos melhores documentários sobre o processo de criação de um disco, vale destacar a dinâmica entre produtor e músicos. A presença de Bob Rock foi fundamental para o som final do álbum, e isso fica claro quando, em certo momento, o vemos apavorado, olhando para um armário contendo 600 gravações da mesma canção, a balada “Nothing Else Matters”. O trabalho dele seria extrair os melhores pedaços de cada versão e montar a gravação final, que se tornaria um dos grandes sucessos da banda. Vida de produtor, ao contrário do que muitos pensam, pode ser bem complicada. Há três videoclips completos no meio do material (“Enter Sandman”, “The Unforgiven” e “Nothing Else Matters”).

A segunda parte do vídeo cobre a turnê subseqüênte. Mais longa, essa parte dá destaque especial ao grupo no palco, onde a agressividade da banda costuma se dar melhor. Vale mencionar os takes alternativos e ao vivo de canções clássicas do heavy metal, como a versão de “For Whom The Bell Tolls” gravada no clássico Donington Festival, na Inglaterra, à luz do dia. Os fãs se deliciam com imagens dos ídolos de folga, como James caçando em um pântano e o baterista Lars Ulrich tentando aprender a mergulhar nas Bahamas. Mas os melhores momentos acontecem na Rússia: diante de 500 mil pessoas, o grupo executa (literalmente) “Harverster of Sorrow” e põe soldados do Exército Vermelho para bater cabeça junto com metaleiros de camisa preta e cabelo na cintura. Isso é que é imagem-ícone da democracia.

“A Year & a Half” existe no Brasil em VHS, onde pode ser comprada em duas fitas vendidas separadamente (se tiver que escolher, fique com a parte 1). Nos EUA, desde 1999 o vídeo existe também em DVD, em um disco simples que reúne as duas partes. A imagem está no formato quadrado (4 x 3, original) e tem trilha de áudio simples, em dois canais, no formato Dolby Digital 2.0. Não há extras, e nem legendas.

– Year & a Half in the Life of Metallica, A (EUA, 1992)
Direção: Adam Dubin
Documentário
Duração: 236 minutos

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