Oscar 2010: resultados

08/03/2010 | Categoria: Outros textos

“Guerra ao Terror” derruba os guerreiros na’vi de “Avatar”, vence seis estatuetas e dá a Kathryn Bigelow o primeiro Oscar de melhor diretor a uma mulher

Por: Rodrigo Carreiro

Para muita gente foi uma surpresa. O drama “Guerra ao Terror”, de Kathryn Bigelow, levou seis estatuetas (das nove a que concorria) e transformou-se no grande vencedor da 82ª edição do Oscar. Bigelow se tornou a primeira mulher a vencer a categoria de melhor diretor na história da premiação. O filme dela também venceu as categorias de edição, roteiro original, edição de som e mixagem de som.

A cerimônia de premiação aconteceu na noite do domingo (7), no Teatro Kodak, em Hollywood, e durou três horas e meia.

O outro grande protagonista da noite, “Avatar” (James Cameron), também concorria a nove estatuetas e ficou com apenas três prêmios técnicos: direção de arte, fotografia e efeitos visuais. Resta a Cameron o consolo de que a visibilidade alcançada reforçou ainda mais a já maior bilheteria da história do cinema.

Para quem acompanhava a trajetória dos dois filmes, a vitória de “Guerra ao Terror” nas categorias principais não chegou a surpreender. No entanto, o número de troféus (o dobro do maior concorrente) e algumas estatuetas técnicas foram surpresa, sim. Falo sobretudo das duas categorias relacionadas ao som.

Vou explicar isso melhor. Por ter sido filmado inteiramente em locação e com equipamento semi-profissional (câmeras Super 16), o longa-metragem certamente precisou ter a trilha de áudio recriada, em grande parte, na pós-produção. Ora, é fato que esse trabalho foi extremamente bem feito, de forma que a construção cuidadosa dos efeitos sonoros e sua mixagem com os diálogos jamais atrapalham o efeito de naturalismo tão perseguido no tratamento das imagens (razão maior do Oscar de melhor edição, aliás).

Nessas categorias, portanto, acho que a vitória é muito merecida. Mais até do que em melhor filme e direção (como já escrevi antes, considero “Bastardos Inglórios” e “Up” trabalhos superiores). Mas, como toda regra tem exceção, preciso dizer que o prêmio de roteiro original para Marc Boal me pareceu um absurdo. Tudo bem que o filme nasceu do ótimo artigo que ele escreveu para a revista Playboy, mas em termos de estrutura dramática e na qualidade dos diálogos, trata-se de um roteiro comum. Banal, até.

A força do filme de Kathryn Bigelow está na sua energia, que provém das atuações, da fotografia, da montagem e do trabalho com o som. Não do roteiro. No meu entender, esse foi o maior absurdo da noite.

Os três Oscar faturados por “Avatar” eram mais ou menos óbvios e ficaram de bom tamanho. No todo, aliás, a distribuição de prêmios foi de acordo com as expectativas. Alguns troféus distribuídos eram bastante óbvios, como os de Jeff Bridges (melhor ator), Sandra Bullock (atriz), Mo’nique (atriz coadjuvante) e sobretudo Christoph Waltz (ator coadjuvante). Se esse último não ganhasse, seria o caso de pedir o impeachment da diretoria da Academia de Artes e Ciências de Hollywood.

Houve surpresas também. Poucas. O excelente (mas sombrio, inconclusivo e talvez agressivo demais) “A Fita Branca” perdeu para o melodrama argentino “O Segredo de Teus Olhos” (filme estrangeiro), numa decisão que certamente irritou cinéfilos mais empedernidos, mas que não chega a ser injusta. São filmes de calibres diferentes, feitos para públicos diferentes. Já Quentin Tarantino não ganhar melhor roteiro original foi mesmo um escândalo, considerando o que acabei de escrever sobre a estrutura dramática e os diálogos do grande vencedor da noite. Essas duas características abundavam no filme de Tarantino.

Consideremos, também, que belos filmes saíram premiados. Foi o caso de “Up”, que ganhou em melhor animação (era óbvio) e em trilha sonora (não tão óbvio). Esta última estatueta foi mais do que justa. Somente a montagem dos primeiros dez minutos do filme, sonorizada com um arranjo absolutamente espetacular e comovente de Michael Giacchino, seriam suficientes para lhe dar o Oscar.

Veja abaixo a lista completa dos vencedores:

» Melhor filme: “Guerra ao terror”
» Melhor direção: Kathryn Bigelow, “Guerra ao terror”
» Melhor atriz: Sandra Bullock, “Um sonho possível”
» Melhor ator: Jeff Bridges, “Coração louco”
» Melhor filme estrangeiro: “O segredo dos seus olhos” (Argentina)
» Melhor edição (montagem): “Guerra ao terror”
» Melhor documentário: “The cove”
» Melhores efeitos visuais: “Avatar”
» Melhor trilha sonora: “Up – Altas aventuras”
» Melhor cinematografia (fotografia): “Avatar”
» Melhor mixagem de som: “Guerra ao terror”
» Melhor edição de som: “Guerra ao terror”
» Melhor figurino: “The young Victoria”
» Melhor direção de arte: “Avatar”
» Melhor atriz coadjuvante: Mo’Nique, “Preciosa”
» Melhor roteiro adaptado: “Preciosa”
» Melhor maquiagem: “Star trek”
» Melhor curta-metragem: “The new tenants”
» Melhor documentário em curta-metragem “Music by Prudence”
» Melhor curta-metragem de animação: “Logorama”
» Melhor roteiro original: “Guerra ao terror”
» Melhor canção: “The weary kind”, de “Coração louco”
» Melhor animação: “Up – Altas aventuras”
» Melhor ator coadjuvante: Christoph Waltz, “Bastardos inglórios”.

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